junho 30, 2008

junho 29, 2008

Chegue pra lá a toalha, ó vizinho!


A uma praia sobrelotada como a desta imagem, prefiro ficar em casa a fazer nada, ou procurar uma praia semi-vazia, ou mesmo vazia, vazia não, basta uma pessoa lá longe, já é bom! Mas admiro quem têm coragem de se amandar para o meio da confusão...devem-se sentir mais aconchegados, só pode, ou esperam ter a sorte de serem convidados para um rissól ou uma coxinha de frango, e quem sabe um tinto morno do garrafão.
Acho que as praias deviam de ter um aviso de sobrelotação como nos Autocarros, para conforto dos utentes!

65 Horas Semanais...Sim ou Não ?

Deve ou não a futura lei do tempo de trabalho, ser aplicada na legislação Portuguesa ?

Sou a Favor das 65 horas. Sou contra os Feriados. Sou contra as "Pontes" (mais tarde argumentarei, agora tenho de ir trabalhar...)

O Debate está Aberto: Argumentem com seriedade e sem a treta do costume; tempo para os filhinhos, as lides de casa, bla bla bla...essa conversa barata que já chateia o ceguinho!

Não se esqueçam: o País precisa de vocês !

junho 27, 2008

junho 24, 2008

"Quando é que Jesus traz as costeletas"

(George Carlin 1937 - 2008)

Foi com a seguinte mensagem de uma querida amiga que fiquei a saber da morte de George Carlin : "Estou triste. Morreu George Carlin. Podia morrer o Sócrates ou o Ministro das Finanças. Agora um, Comediante...Não ! "

junho 23, 2008

junho 22, 2008

O Receio da Responsabilidade

Quanto mais o momento do início se aproxima, mas dúvidas tenho. E se calhar não tenho tanto assim a recear! Não faço ideia ! O melhor é deixar andar e não pensar...

Afinal de contas; Quem não tem Medo não está Vivo !

junho 21, 2008

Desafio Biográfico

A maria-árvore desafiou-me a escrever a minha própria biografia em 6 palavras. Vou desviar-me das regras do"jogo" e em vez de usar palavras vou usar...as minhas cores :

ROXO
CASTANHO
BRANCO
PRETO
BEJE
AZUL

Passo o desafio a quem por aqui passa

Tenham um fim de semana a...

junho 20, 2008

Ó Carago !!!

Não registei a porcaria do Euro-Milhões !!!

Última hora


Os portugueses, são os que mais gastam em toda a União Europeia,
a comer fora... (continue a ler)

Dança Primitiva

Texto: Carla
Voz: Toze

Euro 2008 (caixa de comentários)

Um comentário do (ex-dirigente irradiado do futebol português, por assédio às companheiras dos jogadores e... ) Bartolomeu Silva Guedes e Castro, em resposta ao post anterior, "qual seria o fim do autocarro da Selecção e dos seus intervenientes"

Pá, Fin, a cena é a seguinte:
humm... humm... (isto sou eu a aclarar a voz da clarividência... é que acabei de fazer uma minetáça e ainda sinto os pelos na garganta) Bom, adiante...O autocarro não precisa de voltar, afinal nem como símbulo de glória nem como veículo, pois está visto que aquela merda não tem motor. Depois, os jogadores tambem não voltam para portugal, cada um regressa ao clube estranjeiro onde joga, o Deco apanha boleia com o Scolari pro Shelsea, o Ronaldo vai ca espanhola prá trungalhadice ( dassssss Fin, o que eu fazia para me ver amandado pro meio daquele trio, a espanhola mais as outras duas a mamarem-se á fartazana)...tummmm...tummmm...tummm (isto fui eu a dar ca mechela na parede do quarto para afastar estes pensamentos pecaminosos).
Bom, voltemos ao autocarro.
Então a coisa é feita deste modo... os jogadores e o mister são todos metidos num abiõe da força aérea, num Hercules 130 e é-lhes distribuido um para-quedas a cada um, conforme forem passando por cima dos estádios dos clubes onde jogam, zuuuca, empurram os gajos e pode ser que o guarda chuva se abra. Entretanto o Madailzinho já meteu um anúncio no "ocasião" suíço: Vende-se pela melhor oferta, autocarro em bom estado,optimo para campismo, movido a energia humana altamente poluente (o pessoal quando começa a fazer força para empurrar o machibombo, sai peido e coice que até ferve, os níveis de metano na atmosfera, ultrapassam a capacidade de leitura dos gasómetros).
A merda toda é que os gajos do hotel já disseram que não querem aquela merda a desfeitear-lhes a fachada. Se conseguir vender a "coisa", pode ser que a massita lhe chegue para voltar, doutra forma.... olha, é mais um emigrante português que fica na Suiça...

junho 19, 2008

Pergunta do Euro 2008

E agora quem vai empurrar o autocarro da Selecção ?

Memórias (Homens do Norte) carago

Senha: O Norte faz a Nação
Contra Senha: Em Lisboa fazem-no com a mão

junho 17, 2008

Previsão para as próximas noites!

Tempo

Tem um tempo que passa, e um tempo que não passa.
O relógio marcava nove e trinca e cinco, quando partiste.

Tenho uma caixa onde guardo as chaves com que davas corda ao nosso tempo. O único tempo que fazia sentido era aquele ao que tu davas corda. Abro-a quando tenho saudades do nosso tempo. Fecho-a, e os nossos corpos voltam-se a separar. Fecho-a, e o nosso tempo volta a parar. Uma caixa simples de chocolates que um dia te ofereci . Fecho os olhos e abro a caixa para te ter
novamente comigo .Voltas a dar corda ao nosso tempo. Os nossos corpos voltam a reencontrar-se .

Tem um tempo que passa, e um tempo que não passa.
O relógio marcava nove e trinta e cinco, quando partiste

A rever



junho 16, 2008

The cure for insomnia

Finalmente a cura...Aqui

Brindemos (Tchim Tchim)



Não à Selecção de Portugal. Não ao estado da Nação.
Apenas brindemos às novas etapas que vamos tendo no percurso da vida. É sempre um Brinde merecido.

junho 15, 2008

Um dia vingo-me !

Estou a ficar farto de fazer compras visuais. O chato destas compras é que chego sempre a casa de mãos vazias !

Teoria sobre os saltos

A 2ª parte do salto para cima é descer, mas a 2ª parte do salto para baixo não é subir - pensava o senhor Juarrez. Se do chão saltares para cima ao chão voltarás, mas se de um 30º andar saltares para baixo é provável que não voltes a subir ao 30º andar. De qualquer maneira, o senhor Juarrez, por preguiça, usava sempre o elevador.
(Gonçalo M. Tavares)

junho 13, 2008

Sexta-Feira 13 !!! (2ª parte)

O Euromilhões não saiu...mas consegui um Empregoooo !!!

Abençoada Sexta-Feira 13 !

Sexta-Feira 13 !!!

Vou apostar forte no Euromilhões !

Go

Costas direitas. Não te esqueças. Costas direitas. Direita. Esquerda. Sobe. Sobe. Sobe. Direita. Esquerda. Cuidado. Não olhes para baixo. Não olhes! Não, não olhes. Respira. Mais um degrau. Vá. Depressa. Costas direitas. Cabeça erguida. Vá. Olha em frente. Respira bem. Não olhes para baixo. Sobe. Sobe. Mãos abertas. Não te agarres a nada. Vá. Sobe. Sobe. Sobe. Costas direitas. Um degrau de cada vez. Sobe. Sobe. Sobe. Mãos. Respira. Não olhes para baixo. Não olhes. Não podes voltar para trás. Em frente. Para cima. Sobe. Sobe. Sobe. Depressa. Respira. Direita. Esquerda. Direita. Costas direitas. Esquerda. Não pares. Sobe. Sobe. Sobe. Depressa. Sobe. Respira. Não olhes. Sobe. Direita. Respira. Sobe. Esquerda. Não. Olhes. Não. Direita. Pares. Não. Esquerda. Não. Olhes. Sobe. Sobe. Sobe.

Desafio aceite por Me

Gato

Eu sou o GATO. Simplesmente o GATO.
Há quem goste e quem não goste.
Os que gostam, não precisam de razões.
Os que não gostam, de razões precisam!

É verdade... Há humanos que não gostam de mim, que acham que eu sou traiçoeiro. Mas ser (ou não) “traiçoeiro’ é uma característica humana! Os humanos, sim… traem, mentem, magoam com intenção. Nós, os animais, não! Nós somos amigos dos nossos amigos. Nós perdoamos. Nós, até, esquecemos. E estamos sempre “lá”.

Quem não gosta de nós e acha que somos traiçoeiros é porque ele(a) próprio(a) é traiçoeiro! Porque tem algo a esconder, porque tem algo a temer, porque não é verdadeiro! E eu já conheci tantos humanos assim… Mas também conheci e conheço humanos… humanos! Pessoas que nos defendem, nos tratam, nos amam. Pessoas que nos dão o melhor de si, sem conveniência e interesse, sem nada pedir ou esperar em troca.

É verdade... Há humanos que não gostam de mim… ora, paciência! Agora, não me acusem de ser uma coisa que não sou, apenas para disfarçar ou ocultar uma coisa que vocês são!!!
Eu sou o GATO. Simplesmente o GATO.
E tu… quem finges que és?!

Desafio aceite por Gata

junho 09, 2008

Circo

Fácil ficar escondida tipo gato de rabo de fora, ou o tigre que ruge mesmo de barriga cheia. Fácil ter e defender uma opinião. Fácil ser tinhosa muitas vezes e bombástica em alguns dias. Fácil também, se estiver para ai virada e tiver os fósforos à mão, deitar fogo e ficar a ver o circo a arder. Fácil – cada vez mais – não deixar que as tendências pirómanas tomem o melhor de mim. Fácil verter o fel que, por vezes, me envenena o dia, passando a vilã pelos minutos que levam a compor um post. E fácil, naqueles dias que me correm bem, vir para aqui distribuir abraços e beijinhos e contar histórias do coração. Fácil vir. Fácil permanecer. Fácil saber que há sempre a hipótese de regresso, mesmo quando penso que o espectáculo já acabou. Fácil ficar no meu canto. Fácil manter algum recato. Fácil ainda rir. Fácil saber que sei ir à guerra, mas recuso pegar em armas só porque sim. Fácil manter leituras, como foi fácil deixar de ler tantos e lamentar por outros que já não posso ler. Fácil vir só ao fim da tarde. Fácil nem lembrar durante o dia. Fácil saber-vos por cá comigo.

Para além de mim (mas comigo sempre), a máscara que me apetece vestir, a personagem. Apenas um nick com uma pessoa por trás, igual a outra pessoa qualquer, cheia de defeitos e algumas virtudes, criatura e criador em comunhão.

E este blogue, como a vida, é uma arena de circo onde me cabe também aquecer sob a luz forte, suar um bocadinho, abrir um sorriso e deixar o espectáculo continuar.

Desafio aceite por Hipatia

Voz Toze

junho 08, 2008

Por entre nuvens

Ameaçava! E a primeira gota de chuva fez-se chegar ao ritmo do nosso primeiro beijo. Deixámos que a doçura da água nos cobrisse, que o silêncio da noite que chegava se tornasse porto de abrigo. Abraçados desde o nosso refúgio, esperámos a chuva passar, observámos como as nuvens se afastavam para outro lugar. Pareceu mágico, como se aquela água tivesse vindo apenas para abençoar um beijo e torná-lo eterno. Entreolhámo-nos como se os nossos pensamentos cruzados tivessem sido um só, e sorrimos. No céu brilhava agora, na nossa direcção, a mais bela estrela. É a nossa! - Disseste-me subitamente. - Quando estivermos distantes ela brilhará para ti. Saberás nesse momento que penso em ti. E dar-te-á todas as noites aquele beijo especial, que te fará sentir que apesar de longe és parte de mim. Hoje, à semelhança daquele dia as nuvens cobrem o céu, ameaçam uma chuva intensa...e tu não estás! Mas estou tranquila, sei que apesar de tudo a nossa estrela existe, e por entre as nuvens encontrará uma forma de me entregar o beijo que de longe me mandas e me faz sentir-te tão perto.

Desafio aceite por Sorriso da Lua

Tenham um bom Domingo

As mudanças continuam, muito lentamente...
Tudo em ti é luz.
Tudo é puro. Imaculada pele… veludo ao toque!
Teu semblante fechado, não me retrai nem me oprime.
Todo ele é luz!
Todo ele brilha!
Todo ele sorri… para mim…
Tudo em ti é luz. Tudo é fogo.
Ardente coração… flamejante, apaixonante…
Parece gélido à vista, mas ao toque aquece e reconforta.
Todo ele é Luz! Todo ele brilha!
Todo ele se abre… para mim…
Tudo em ti é luz. Tudo é paz.
Teu abraço… leito onde me deito.
Ninho onde me protejo.
Manto que me cobre quando o frio me atinge.
Todo ele é Luz! Todo ele brilha! Todo ele me protege…
Quando a escuridão se abate, e a luz negra nos assola, tuas sombras se levantam…
Clareiam que nem estrelas… e, ao invés das trevas, nos guiam para o Éden que é teu sorriso…
Onde tudo é Luz, onde tudo brilha, onde tu és tudo… para mim.

Desafio aceite por Marte

junho 06, 2008

Vou mudar-me !

Não vou mudar de cara
Não vou mudar de nome
Não vou fugir de nada

Vou mudar-me !

Vou mudar de casa
Vou mudar de cidade
Vou mudar de ares

Vou mudar-me !

Não levo os livros nem os cd´s
Não levo as fotografias nem os quadros
Esses pertencem à casa que deixo

Vou mudar-me !
Começar de novo...outra vez
Talvez seja bom, no fim de contas...

Até já...

A Visita

Desta vez fui eu o desafiado, e com muito prazer aceitei o convite da Madalena, a escrever um texto para o seu Aliciante recanto.

"Olhámo-nos sofridos de ausência para nos voltarmos a visitar quando as saudades apertarem..." (continue a ler)

junho 05, 2008

Fenos e Fadas

… e depois ele começou a contar-me aquelas histórias de príncipes e princesas e de palácios e castelos, de um pai rico e mercador, das relações com a corte, da amizade feita em criança com os meninos (os príncipes é claro), falou-me até do futuro…

Falava tudo isto com um misto de seriedade e ternura, pleno de entusiasmo, que eu me via vestida de sedas turcas, espartilhos que me transformavam a silhueta numa ninfa inspiradora de bardos e trovadores, via-me como dama de companhia da rainha, sonhava, traiçoeiramente, quiçá em vir a ser concubina do rei. Não me faltariam iguarias que nunca tive, ouro que só via reluzir ao longe na distribuição do pão aos pobres, vestes que deslizavam em corpos esbeltos e aperaltados sempre separadas por um cordão intransponível de soldados de peito metálico. Brincos nas orelhas, pendentes no pescoço.

E quando desatou o nastro que lhe prendia a melena e cofiou o bigode, embora num corpo pouco atlético mas esbelto e convenhamos de considerável argumento, enredei-me numa teia feita de odores em que os âmbares se confundiam com o feno do dossel improvisado.

O cheiro a feno nunca mais me abandonou.
O abastado mercador ofereceu-nos a sua carroça, o copo de cristal é um jarro de lata e o pendente é um corno. E ele é o meu rei.

Desafio aceite por PreDatado

junho 04, 2008

Última hora

Tribunal proíbe RTP de emitir touradas parlamentares
(...por considerar que o programa é violento e susceptível de influenciar no futuro negativamente crianças e adolescentes.)
Ler notícia

Lugar

Tinham-lhe dito que aquele lugar estava cheia de fantasmas. Não acreditava. Nunca tinha acreditado nessa possibilidade. Enquanto criança, achava engraçado conseguir provocar o terror nos amigos e amigas quando dizia que queria ir até lá ver os fantasmas. Nunca ninguém quis.
Anos mais tarde, numa visita rápida à família, lembrou-se do casarão. Fazia frio. Pegou num casaco e foi dar uma volta.
Queria ir lá ver se continuava a não acreditar. Passeou pelo bosque à volta do casarão. Olhou. Viu. Apurou os sentidos. Olhou melhor. Não ouvia nada. Silêncio.
Tinha esperança em descobrir que afinal acreditava. Não lhe parecia. Não sentia nada.
Mexeu os pés por entre as folhas. Parou junto a uma das muitas árvores em frente à entrada principal e respirou fundo. Lembrava-se daquele ar. Lembrava-se bem daquela frescura a entrar-lhe pelos pulmões. Lembrava-se.
Viu as paredes escritas e riu-se. Afinal havia mais quem se atrevesse a ir até ali, sem medo. Aliás, sem medo ao ponto de provocar. Não precisava chegar a tanto. Respirou.
Foi-se embora. A esperança morrera. Sorriu perante essa noção. Não se importava. Sossegou. Apertou o casaco e foi-se embora.
Se nem mesmo quando o casarão possuía ainda toda a nobreza que janelas e paredes intactas conferem acreditava, não era agora, perante um fantasma do que aquele lugar já tinha representado, que iria dobrar-se. Não.
Foi.

Desafio aceite por Me

junho 03, 2008

Foto do Dia

Duo

- Onde vais?
- Onde queres ir?
- Não sei… escolhe tu.
- Está bem. Mas se escolher eu, não podes ver. Fecha os olhos.
- O quê?- Não podes ver. Fecha os olhos.
- Mas…
- Fecha. Fechou. Por força do cetim, fechou os olhos.
- Não confias em mim?
- Confio.
- Não confias nada.
- Confio!
- Mentes.
- Juro-te.
Ela sabia o caminho. Queria fazê-lo. Sempre quis. Conhecia-o de cor. Era dela. Não queria partilhar o caminho com ninguém. Apenas o destino. O caminho era dela.
- Já chegamos?
- Não sentes nada?
- Não. Estamos lá?
- Penso que sim. Mais um pouco e estamos.
- Então, mas não sabes se chegamos?
- Sei. Sei. Espera.
Não sabia. O caminho não era o que esperava. Demasiado acidentado. Teria chegado? Não sabia. Sentiu-se incomodada. Não devia saber se tinha chegado ou não? Não devia sentir-se? Sempre tinha confiado que assim que chegasse saberia. Olhou-o. Perdido. Ele estava perdido. À espera que o situassem.
- Estás perdida?
- Não… Não sei. Tu estás?
- Confio em ti.
- Não me mintas!
- Estou contigo. Tão perdido quanto tu. Deixa-me abrir os olhos. Ajudo-te.
- Não! Não quero. Eu sei o caminho. Eu sei o caminho.
- Deixa-me ir contigo. Não me leves; deixa-me ir. Eu vou.
- Não…- Deixa.
- Não.
Agarrou-o. Prendeu-o. Sentia medo. Onde estava o destino? Onde? Ela devia saber quando chegasse! Prendeu-o. Não queria estar sozinha no caminho. Não queria. Queria que parasse. Queria parar. Mas não era capaz. Tinha de lhe provar que sabia o que estava a fazer.
- Deixa-me abrir os olhos. Posso ajudar. Ver-te.
- Não. Não quero.
- Podemos ir para onde quiseres. Mas deixa-me ver-te.
- Tu não aguentas.
- Estou aqui, não estou?
- Porque te prendi. Porque te tapei os olhos.
- Porque eu deixei.
- Porque eu quis!
- Porque eu deixei. Deixa-me ver-te. Quero ver.
- Chegamos.
Não tinham saído do lugar. Destapou os olhos. Viu-a. Pequena e menina à frente dele. Abraçou-a. Ela chorou. De olhos fechados. Chorou. Não queria aquele caminho. Apenas o destino. O destino que a abraçava e a fazia sentir-se sem vontade de se mexer. Queria parar. Parou.
- Vejo-te. Não dói, pois não?
- Dói.
Pegou na fita. Enrolou-a e colocou-a no chão. Pegou-lhe na mão.
- Sei um bom caminho para fazermos.
- Sabes?
- Vens?
- Para onde vai esse caminho?
- Onde tu quiseres. Escolhe tu.
- Escolho aqui.
- Então, chegamos.
- Sim. Chegamos. Sinto-o.
Tinham chegado. Sentiam-no.

Desafio aceite po Me

junho 02, 2008

D. Arlete

A D. Arlete é visita quase diária. No nosso serviço e, como sabemos por ser uma figura já familiar, num banco do jardim que fica em frente, a alimentar os patos do lago. Só falta (a uma e a outra obrigação) quando tem que ir aos tratamentos ou quando afazeres extraordinários a impedem de aparecer. Poderia dizer-se que vem para reclamar, não fora o facto da D. Arlete se dirigir sempre aos outros com a mesma aspereza duma borboleta ao pousar num malmequer. Como se adivinhasse, nas almas alheias, uma fragilidade igual à sua.
Nesta última vez, a D. Arlete vinha mais sentida do que é habitual. Como uma criança pequena, sentou-se e amuou. Porque nunca tinha sido convidada para nenhum dos passeios que são organizados, a espaços, para os idosos do concelho.
- Nunca fui a nenhum! Nem um! Nunca me convidaram! Todas as senhoras lá do bairro já foram menos eu! Nem sei o que isso é, meninas!
A funcionária, paciente, explicou-lhe que as participações nos passeios são por inscrições, não por convites, e que se ela nunca tinha ido é porque nunca se tinha inscrito em nenhum. A D. Arlete lamentou-se:
- Ai menina que eu não sabia! Pensava que os convidavam!...
Que não. Mas que não havia problema nenhum porque, voluntariou-se imediatamente a colega, lhe ia buscar um impresso e fazia-se já ali a inscrição para o próximo que houvesse. Era garantido!
Quando ela chegou com o papel, a D. Arlete hesitou uns segundos, como se se tivesse acabado de lembrar de qualquer pormenor extremamente importante, e disse:
- Ah pois é! Mas eu não posso ir a passeios, amor! Não tenho vida para isso!
E, posto isto, levantou-se, despediu-se de todos educadamente e saiu… para voltar no dia seguinte.
Desafio aceite por Manga dalpaka

junho 01, 2008

Fake Plastic Women

She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love.

Gela-se a alma enquanto lá fora chove ainda e faz frio, nesta Primavera que não desgruda o Inverno que não se vai e nas montras das lojas, mulheres perfeitas e plásticas, anunciam as roupas da estação nova que ninguém pode vestir.
Gelam-se os abraços frios de mulheres perfeitas, plásticas, de braços sempre abertos e disponíveis para o figurino que a moda quer vestir e em números deprimentes onde só mulheres perfeitas, plásticas, teimam em caber, com sorrisos estáticos e mãos sempre abertas, mas que nessas mulheres perfeitas, plásticas, são apenas mãos sem rasto, sem traço de vida.
Gela-se o interesse das vidas que passam pela montra e olham só o preço das roupas penduradas em mulheres perfeitas, plásticas, ou então já nem chegam sequer a olhar para os braços apenas abertos cheios de coisa nenhuma de manequim de montra sem vida, plástico, perfeito, carregando as roupas novas, deprimentemente decotadas e curtas, da estação que não chega para quem passa vivendo, longe das montras carregadas de perfeição a ganhar pó.
Gela-se…
Desafio aceite por Hipatia

Dia das Crianças...