fevereiro 01, 2007

Passeando e Fotografando...

Uma Oferta do Morsa :
Era uma vez um auditor
Que tinha uns dentes enormes
Com cara de Sr. Doutor
Sempre vestido nos conformes
Vai na volta o tipo desaparece
Tá meses sem cagar nada de jeito
Mas como quem sabe nunca esquece
Cá está ele num versejar escorreito
A gerência lamenta a ausência
O trabalho a isso me obrigou
E no fim tiveram a indecência
De me mandar um chuto no cú
Pois foi, acabou o período experimental
E parece que o perfil não é o melhor
Porque um gajo é extrovertido e tal
Tem que andar sempre com cara de "Que fedor!"
Pois cá vim eu ao velho Ministério
Largar uma valente cagadela poética
Livre de qualquer tipo de impropério
Que ponha em causa estilo e métrica
Ao Finúrias um abraço dos fortes
Cumprimentos aos restantes também
Aqui o dentuço é um grande cortes
Mas de vez em quando ainda aí vem!

janeiro 31, 2007

42º
Sempre que me olho no ESPELHO, vejo as minhas FORMAS e procuro nos meus
SENTIDOS a TELA que mostra o NORTE que me leva até ti.
À medida que subo nos DEGRAUS da VIDA, o SEXO faz ECO na minha PELE. As tuas
palavras demonstram a AUDÁCIA que querias que viesse da minha VOZ.
Anseio pelos teus GESTOS, mas deténs-te antes de chegar a mim, ficas imóvel,
qual PEDRA com medo do NEGRUME da noite e com o desejo da MORTE da
madrugada. Deixo-te mergulhado num CAFÉ e entro no banho. Pareces, então,
despertar e apenas queres agarrar os RETALHOS de mim enquanto a ÁGUA quente
escorre pelo meu corpo… e fazes-me fervilhar…
Por: Xinha
Oferta

E porque gosto de partilhar as prendas...tomem lá

Obrigado minha Afrodite

janeiro 30, 2007

Post piegas ?

Estas coisas do coração deixam-me assim meio esquisito !!!

Sei que me vieste visitar por que as saudades apertaram, tal como eu faço sempre, tu sabes. Gostamos de estar juntos , sentimo-nos bem, rimos, abraçamo-nos, brincamos, mas nunca, nunca falamos no que nos toca realmente, talvez seja uma defesa, com a qual nos sentimos bem . Gostamos de nos sentir assim, depois vem a despedida mais uma vez, e voltamos a visitar quando as saudades apertam, tu ou eu. Eu sei e tu também que é assim, mas não tocamos nesse assunto. Talvez por não nos querermos perder.

Vou visitar-te quando as saudades apertarem outra vez...num Domingo!
Hás-de ser sempre a minha rapariga das laranjas. ( mas isso, tu não sabes)

Até um cagalhão como eu tem coração !

janeiro 29, 2007

Epá assim de repente não me lembro de nada para dizer !!

Até amanhã...
Boa semana...

Estive este fim de semana (folga de Domingo, assim é que é) a criar um espaço para guardar as obras do Desafio, para que possam ser apreciadas calmamente, longe do reboliço dos corredores do Ministério. E aproveitei também para limpar alguma sujidade acumulada nas laterais deste espaço, vou continuar o serviço...

Desafio as Palavras

Até já...

janeiro 27, 2007

E mais um...
41º
PINTO AS FORMAS DA CIDADE

Pinto as formas da cidade
Desço degraus de lonjura
E choro esta água pura
Espelho nos olhos meus
E terno eco em meu peito...
E sou a pedra, o granito
Que na cidade é suporte
Nesta cidade que ao norte
Dá cor, dá voz e dá vida;
Ó Cidade tão querida
Que dás a todo o negrume
A tela dor dos sentidos
A emoldurar a morte
E tua pele e a sorte
Na audácia de tantos gestos
Pinto retalhos funestos
Pelos tempos mais doridos...
Pinto as formas da cidade
Falo abrindo o seu sexo
E o quadro é desconexo
Se não tiver o aconchego
Do bulício do café...
E ao entrar nesta pintura
Paisagem do meu apego
Sinto o calor e a doçura
Da alegria e da amargura
Da vida, como ela é!...

Por: Maria Mamede

janeiro 26, 2007

Boa sorte e bom fim de semana
40º

Sentada na pedra fria dos degraus da tua casa, numa noite onde o negrume reflectia o meu pensamento. As formas que já foram, e agora um corpo retalhado pela vida. Pinto na tela a morte, com a audácia misturo as cores com a água…Pego no café, olho-me ao espelho, a pele gasta, com pequenos gestos ajeito o cabelo. Sinto um eco, uma voz, vinda de norte. Tudo reage em mim, todos os sentidos são o mote para o sexo não ter fim.
Obrigado Paixão...

janeiro 25, 2007

39º
(Dedicado ao meu Fifi, com muito...Amor)
Audácia é a tua que continuas a olhar sem pudor para as formas roliças das moças que por ti passam. Continuas assim e ainda acabas a contar os degraus da nossa casa de uma maneira tal que até vai fazer eco. E, de manhã, quando vaidoso como és, se olhares ao espelho terás uns olhos de um negrume que nem terás voz para ir ao teu café do costume pedir um cimbalino, como se diz no nosso Norte. Em vez disso suplicarás ao garçon Ambrósio que te apetece algo semelhante a hirudoid. Ser-te-á servida água e um saquinho plástico para recolheres os retalhos desse corpo podre que deverás colocar no Ecoponto cor-de-rosa, a cor do nosso amor. E chegaste tu a este ponto por pensares só em sexo e limitares todos os teus gestos e olhares à cobiça das moçoilas de formas roliças. Quem assim procede não merece talvez mais do que levar com uma pedra na cabeça mas eu, sou mulher de exageros, tu sabes. E pronto, já me fartei de te violentar e ainda continuo aqui às voltas com uma tela já que, não sei como te dar com ela e fazer-te perder os sentidos.
Por: Robina
Obrigado meu Amor...tou cú-movido!
Um beijo do teu Fifi...
E mais um acabadinho de chegar...
38º
Sentada no café ao sol concluí que audácia é continuar a perseguir a vida. Independentemente das formas por que o façamos.

Seguir o eco de antigas vidas, ouvir a voz da consciência, não só a dos sentidos, sem temer o negrume da noite ou o da morte.
A água da pele, feita espelho onde, de norte para sul, em cada célula, minúscula tela, breves retalhos de esquecidos gestos se revelam e, pedra a pedra, reconstroem os degraus até ao início da vida. Ao sexo.
Por: Alma

janeiro 23, 2007

Um belo número o... 37
37...foi o número de textos enviados, ao Desafio lançado por este Ministério. Desde já o meu muito Obrigado. Nunca pensei que tal desafio tivesse uma adesão tão grande ! Grato fico pela participação e pela divulgação do mesmo, agora é só esperar pela sua saída em...Livro
Desafio a quem por aqui passa , a escrever um conto ou um poema, com as seguintes palavras:
FORMAS, DEGRAUS, ÁGUA, ESPELHO, SEXO, MORTE, PELE, ECO, RETALHOS, AUDÁCIA, TELA, NEGRUME, CAFÉ, GESTOS, NORTE, VOZ, VIDA, PEDRA, SENTIDOS.

Enviar para:
tozribeiro@gmail.com
(Textos enviados)
37º

Sentados nos degraus


Sentados nos degraus deixámos a água da chuva encharcar-nos.

No negrume da noite a água que escorria empoçava na pedra gasta da escadaria, semelhando tela, ou espelho onde a vida se reflectia.

Tudo nela passava formas – corpos em movimento – seus gestos de proximidade e ternura, breves retalhos de expressões dos sentidos e quando, na água empoçada, uma vibração corria, sabíamos corresponder ao eco da inicial emoção na pele.
Resposta à voz amada, ao prazer do sexo, ao temor da vida ou da morte.

Os nossos corpos molhados aproximaram-se mais buscando o calor que deles fugia com a água que por eles escorria. E eis que mais uma vez me surpreendes, da mochila tiraste pequeno termos e um gole de café quente aqueceu-nos até à alma. Só nos faltava o derradeiro golpe de asa. A audácia de seguir sempre o rumo buscando, da vida o sentido, norte.
Por: Dark
36º

Estranha a audácia dos sentidos que correm soltos, livres, sem norte. Com as mãos percorre a pele feita de água, os gestos tomam formas diferentes, ousadas. Dá eco a desejos desconhecidos, transformando o corpo em espelho e tela pintada. Protegendo-se do negrume da noite, vestindo apenas de retalhos, é naqueles degraus de pedra, que vende o sexo, a vida, a voz e compra a morte a troco de um café.
35º
Noite de sexo
Dá-me uma noite de sexo
Até perder o norte
Ali os dois no anexo
Até que chegue a morte
Quero ver-te no espelho
Pintar-te na tela
Beijar-te no joelho
Fazer-te mais bela
Afundar-me em tuas formas
Amar-te nos degraus
Sem regras nem normas
Nesses frios calhaus
Podes fazer-me em retalhos
Atirar-me contra a pedra
Até ficar em frangalhos
Ou de forma diedra
Mostra-me a tua audácia
Até ficar sem sentidos
Serei lobo da Alsácia
Gostarás dos meus latidos
E no eco da tua voz
Em teus gestos rendido
A vida que está em nós
O meu corpo prendido
Venha água para refrescar
E o negrume do café
Agora na sala-de-estar
Não quero ficar de pé!

janeiro 22, 2007

34º
Desço os degraus
e em gestos provocantes
chamo por ti.
Tu fixas-me atentamente
faço do meu corpo
uma tela
onde tu desenhas
em minha pele com a boca
beijos
os nossos com aroma de café.
Perco o norte
entre as carícias
que trocamos.
Audácia pura
paixão fulminante
extravio os sentidos de tanto te amar
toco o teu sexo
e claramente
tudo se transforma.
A tua voz poética
ao dizeres-me
que as formas do meu corpo
levam-te ao êxtase
fazem-me sentir amada.
Retalhos de mim
procuram no espelho da alma
a felicidade.
Juntos formamos uma cascata
onde corre água constante.
Só a morte me assusta.
Um rasto de negrume teima
bater em meu coração.
Idializo o nosso amor em resquícios
de uma paixão
num ninho
guarnecido
de versos e poesia
que cubriu a vida
em sonhos dispersos.
Nosso amor é inesgotável
e lapido sobre a pedra
palavras celestiais.
Um eco constante
envolve-nos entre
o tempo que nos resta.
Por: Lisa
33º

Sopa de letras
Falavas-me das mágoas que te dilaceram as entranhas como um tumor a minar, a minar, a morte perto e tão longe, a cegueira de não olhar o brilho da lua e das estepes na tépida modorra das manhãs, no teu lado Norte lunar acabrunhado, arrastado peso culpa enevoavando-te a felicidade no fim da tarde, em passos e gestos tolhidos, nas formas da caminhada oprimida dos prantos, agora riachos finos e moribundos de água choca.
E eu espelho, encolhida a tapar-me devagar de ti e a pensar num final diferente, nos amores e dos amores e daqueles que descreves que não têm entremeios, nem meios, nem fim, que nos respiram através da pele, do sexo projectado eco vento, em retalhos de cheiros e toques, num pestanejar furtuito enquanto mexes o negrume do café. E enquanto a voz te abranda, vejo-me pedra, vida, tela retesada, e fremem-me as células, a crescer e mirrar, e voltear e rodopiar e enrolar, no núcleo apertado dos afectos escondidinhos que sobrevivem apulsar, na audácia em saborear o bem e o mal que nos dizimam os sentidos. Daqueles que nos marcam a ferro indeléveis o sentir.
E a descer descuidada os degraus ainda te atiro em modos de despedida: - E olha... um grande amor não tem que necessariamente deixar saudades. Pode-nos deixar plenos, íntegros, seguros de saber que se foi capaz, e que se é capaz de continuar a amar mesmo depois do fim.
Por: jp
32º

Peguei em duas FORMAS para fazer um bolo de camadas. Juntei ovos e açúcar e fiz os GESTOS habituais para bater o bolo. Juntei CAFÉ com um NEGRUME africano e farinha, e voltei a bater até só ouvir o ECO da batedeira. Bebi um copo de água das PEDRAS para me dar VIDA. Ouvi a VOZ dos meus filhos, que subiam os DEGRAUS. É preciso AUDÁCIA, dizia a Inês, para pintar uma TELA daquele tamanho. Continuei com o bolo. Juntei fermento, bati as claras em castelo e misturei tudo. Coloquei nas formas, que levei ao forno. Queimei a PELE da mão e disse um palavrão, não fosse eu uma mulher do NORTE. Ao fim de 1/2 hora, peguei em 2 RETALHOS de pano e tirei as formas do forno. O cheirinho era de fazer perder os SENTIDOS. Deixei arrefecer. Ao passar em frente do ESPELHO, olhei e pensei: estás gorda gorda e vais comer bolo? Vou, claro, só a MORTE me impedirá de comer uma fatia. Ou duas...
E no fim de tudo...o SEXO

Por: Lúcia

janeiro 20, 2007

31º
Recomeço

Vês este sofá vazio?
Simboliza a tua capitulação.
A tua recusa da audácia de acompanhares-me.
Nesta noite de chuva de Inverno, tento, mais uma vez de escutar a minha alma. Procuro-me fixando o negrume para além da vidraça. Procuro-me no espelho embaciado do quarto, onde desenho formas que descubro serem letras e letras de onde emerge o teu nome, entre gotas de água. O teu nome, não o meu.
Preciso de reencontrar a minha voz. Preciso de reconstruir os diversos retalhos que rasguei aos meus sonhos. Preciso de projectar-me na tela da minha memória, e delinear as rotas do meu querer, para acreditar que existe um norte e existem sentidos, mesmo que aparentemente ocultos, nesta vida, agora despojada de ti.
Sabes, eu sou uma mulher simples.
Encantei-me com a ternura nascida do nosso encontro, tudo me parecia claro – a alegria no teu olhar, as nossas mãos enlaçadas em cima tampo de pedra da mesa do velho café, os nossos beijos, a textura da tua pele, a inquietação do teu sexo quando me sentaste no teu colo pela primeira vez, entre risadas, os teus gestos pressentindo a respiração do meu corpo, o eco dos nossos murmúrios, após cada encontro.
Só mais tarde soube que tu impunhas degraus ao nosso sentimento, como se tudo devesse seguir uma sequência, como se o afecto não fosse, por natureza, surpreendente no seu devir…Eu, que estava feliz por nós sermos capazes de ondularmos os nossos corpos em bailados de aves selvagens, e casarmos a nossas almas sem dizermos uma palavra, iludindo a vida e morte em breves cintilações de eternidade.
Como poderia saber que um dia tu renunciarias ao que dizias ser-te vertebral, que optarias pela imobilidade pardacenta dos teus dias sem nós?
Por: Alba
30º

De sem sentidos acordei. Morri? Não, a morte não pode chegar assim indolorosamente silenciosa. Simplesmente estava a dormir que nem uma pedra, fugido dos retalhos da vida, preso no negrume da consciência sem norte, vida sem audácia, gestos rotineiros do dia a dia, como uma tela pendurada numa parede branca em que todos os dias se olha e não se vê com olhos de ver, não se admira a forma, não se tem o eco de quem a pintou.Acordei com a mesma pele, admirei-me ao espelho, fiz gestos rápidos na vã esperança que o reflexo fosse mais lento. Acordei apenas de um sono profundo. Bebi um café, pensei em sexo e subi os degraus numa corrida desenfreada.

janeiro 19, 2007

29º

Desperto na tua audácia. Os meus sentidos buscam o
o sabor a café da tua boca,
aquele último beijo.
Tacteio os retalhos de uma tela colorida ao fim do corredor,
onde busco a suavidade da tua pele .
Ecoa no meu ser a tua voz e leva-me ao norte
de um sempre sul perdido em mim.
Respiro e sinto a vida
versus morte
Desço pausadamente pelos degraus em pedra
neste negrume onde estou.
Encaminho-me fixo o espelho e sonho-te por instantes,
recordo-te em memórias , em formas, em gestos, no aconchego do teu sexo
Deito à cara água gelada
E o dia começa aqui.
Por: Ailéh
28º

Sentei-me com a respiração ofegante sobre os degraus do muro que me impedia a passagem para o outro lado. Caminhava há mais de uma hora perdida em pensamentos que não conseguia ordenar. Sentia a solidão pesar-me nos ombros curvados, apesar das ideias que me inundavam, da dor que não conseguia apagar. O dia começava a ganhar uma forma própria nos primeiros raios de sol que queimavam as ervas que calquei, nos sons que abafavam os murmúrios que a noite cantou, no céu que perdeu o negrume iluminado pelo dourado das estrelas. Ao longe um vulto deixou marcado no chão de pedra uma sombra pesada que se afastava sem olhar. Sabia que o cansaço dorido que o empurrava passo a passo não lhe permitiria levantar o olhar sombrio para uma viajante da noite, senti que a sua solidão era tão grande como a minha, por isso não iria interromper as dores que procurava abafar na audácia de uma caminhada sem norte ou destino traçado. Retalhos de mim desenhavam-se na tela pintada no espelho que aquele corpo me deixava antever e soube também que ainda não estava suficientemente longe dos meus pesadelos para poder conviver com eles. O seu eco persistia em vestir a minha pele, moldava formas de fantasmas que enganavam os meus sentidos e teimavam em habitar as lembranças perdidas no sótão da vida, com gestos de ardor e prazer que se confundiam com a tua voz cristalina como a água mais pura em que desfrutavas o doce sabor do meu sexo que floria para ti. E com um café frio, esquecido entre os dedos trémulos, acariciavas o meu corpo com um olhar quente de desejo. Fingia dormir para que me aquecesses com a volúpia que adivinhava na respiração ofegante que humedecia o quarto. Sorriste…adivinhaste o tremor que me percorreu o corpo e cobriste-o para que essa noite não tivesse fim. Abandonei a humidade refrescante do muro coberto de um musgo de verde pleno e calquei a minha sombra ténue cujo traçado se adivinhava na noite que se despedia deixando a memória de uma outra noite. A distância entre elas era vencida ao som de um silêncio reconfortante. Procurava o meu destino num destino desconhecido. Quando o sol conquistou metade do céu e queimou o pouco que restava das minhas forças encostei-me a um tronco velho e gasto em forma de saudade. Entrelacei os braços em torno dos sentimentos de seca desolação que transmitia e ouvi o queixume e o choro de abandono. A sabedoria dos seus anos e a beleza de um tronco estéril não eram um convite à permanência. Novas árvores floriam e colhiam apaixonados olhares de admiração. Em sintonia na dor, apontei para a flor amarela que florescia a seus pés, adornei a concha oca do seu tronco com um sussurro de esperança: “Juntos vencemos a morte que outros nos ofereceram”.
Por: C Marques
27º
Os seus cinco sentidos diziam-lhe para permanecer alerta o mais tempo possível, enquanto permanecesse naquela localidade do norte. A morte parecia rondar a vizinhança, o que se confirmava pelos 3 assassinatos ocorridos nas duas últimas semanas, sob o negrume das noites. Nem a voz do polícia que fazia a ronda nocturna e o seu eco o deixavam mais sossegado perante o que já tinha sido amplamente noticiado.
Os corpos eram deixados nos degraus duma soleira dum qualquer café, com as suas formas carnudas, redondas e desnudadas totalmente visíveis. Sexo parecia ser o móbil do crime. As vítimas, todas elas do sexo masculino, apresentavam arranhões no peito, marcas vermelhas nos pulsos e escoriações nas costas e nas nádegas. O corpo de cada uma das vítimas, espelho de atrocidades homossexuais, era também a tela de pele nua onde o violador decalcava com marcador a sua marca: o desenho de uma mão grande, com dedos longos, capaz de gestos íntimos e assassinos. A audácia deste ser não terminava aqui. A roupa dos alvos a quem tirava a vida era cuidadosamente colocada ao lado destes, em retalhos, com uma pedra por cima. Não havia quaisquer vestígios de sangue nem nas vítimas nem nas suas roupas. Sabia-se apenas uma coisa: ele atacava quando as noites eram invadidas pela água que jorrava torrencialmente já há um mês. E hoje era uma dessas noites e a sua casa parecia-lhe tão longe…
26º

Haverá outras formas de chegar a ti? Não me apetece alcançar-te em degraus, pisar na água, ver-me ao espelho, ou sequer ter apenas sexo nem que prometido até à morte. Deixa-me tocar na tua pele, ouvir o teu eco, pegar nos teus retalhos, juntar à tua audácia e fazíamos uma tela sem ponta de negrume! Café? A esta hora? Não percebo a tua ideia! Estava tão poética… Bem, continuando, não me leves a mal, são gestos sem norte, em voz alta, vida banal, como pedra firme e quieta, não te preenche os sentidos, pois não?
Por: Mo