Bom Fim de semana e Bom Apetite...
"Extraiam as miudezas ao vosso agente e, se for necessário, façam-lhe um pequeno corte debaixo da cabeça para que não fique nada lá dentro. Limpem-no bem, esfreguem-no suavemente a fim de lhe poupar a pele, lavem-no até estar apresentável. Em seguida, ponham-no a cozer a lume brando. Se o agente for gordo, são precisas quatro horas de cozedura; se não, três horas chegam.Para servir, disponham uma apólice de seguros sobre uma travessa comprida, enfeitem com moedas, cartões de identidade, flores, e acompanhem o agente com um longo assobio de admiração, que não lhe aquece nem arrefece, mas que vos fará sentir bem."
Roland Torpor, in A Cozinha Canibal
fevereiro 03, 2007
fevereiro 02, 2007
fevereiro 01, 2007
Uma Oferta do Morsa :
Era uma vez um auditor
Que tinha uns dentes enormes
Com cara de Sr. Doutor
Sempre vestido nos conformes
Vai na volta o tipo desaparece
Tá meses sem cagar nada de jeito
Mas como quem sabe nunca esquece
Cá está ele num versejar escorreito
A gerência lamenta a ausência
O trabalho a isso me obrigou
E no fim tiveram a indecência
De me mandar um chuto no cú
Pois foi, acabou o período experimental
E parece que o perfil não é o melhor
Porque um gajo é extrovertido e tal
Tem que andar sempre com cara de "Que fedor!"
Pois cá vim eu ao velho Ministério
Largar uma valente cagadela poética
Livre de qualquer tipo de impropério
Que ponha em causa estilo e métrica
Ao Finúrias um abraço dos fortes
Cumprimentos aos restantes também
Aqui o dentuço é um grande cortes
Mas de vez em quando ainda aí vem!
janeiro 31, 2007
42º
Sempre que me olho no ESPELHO, vejo as minhas FORMAS e procuro nos meus
SENTIDOS a TELA que mostra o NORTE que me leva até ti.
À medida que subo nos DEGRAUS da VIDA, o SEXO faz ECO na minha PELE. As tuas
palavras demonstram a AUDÁCIA que querias que viesse da minha VOZ.
Anseio pelos teus GESTOS, mas deténs-te antes de chegar a mim, ficas imóvel,
qual PEDRA com medo do NEGRUME da noite e com o desejo da MORTE da
madrugada. Deixo-te mergulhado num CAFÉ e entro no banho. Pareces, então,
despertar e apenas queres agarrar os RETALHOS de mim enquanto a ÁGUA quente
escorre pelo meu corpo… e fazes-me fervilhar…
Por: Xinha
janeiro 30, 2007
Post piegas ?
Estas coisas do coração deixam-me assim meio esquisito !!!
Sei que me vieste visitar por que as saudades apertaram, tal como eu faço sempre, tu sabes. Gostamos de estar juntos , sentimo-nos bem, rimos, abraçamo-nos, brincamos, mas nunca, nunca falamos no que nos toca realmente, talvez seja uma defesa, com a qual nos sentimos bem . Gostamos de nos sentir assim, depois vem a despedida mais uma vez, e voltamos a visitar quando as saudades apertam, tu ou eu. Eu sei e tu também que é assim, mas não tocamos nesse assunto. Talvez por não nos querermos perder.
Vou visitar-te quando as saudades apertarem outra vez...num Domingo!
Hás-de ser sempre a minha rapariga das laranjas. ( mas isso, tu não sabes)
Até um cagalhão como eu tem coração !
Estas coisas do coração deixam-me assim meio esquisito !!!
Sei que me vieste visitar por que as saudades apertaram, tal como eu faço sempre, tu sabes. Gostamos de estar juntos , sentimo-nos bem, rimos, abraçamo-nos, brincamos, mas nunca, nunca falamos no que nos toca realmente, talvez seja uma defesa, com a qual nos sentimos bem . Gostamos de nos sentir assim, depois vem a despedida mais uma vez, e voltamos a visitar quando as saudades apertam, tu ou eu. Eu sei e tu também que é assim, mas não tocamos nesse assunto. Talvez por não nos querermos perder.
Vou visitar-te quando as saudades apertarem outra vez...num Domingo!
Hás-de ser sempre a minha rapariga das laranjas. ( mas isso, tu não sabes)
Até um cagalhão como eu tem coração !
janeiro 29, 2007
Boa semana...
Estive este fim de semana (folga de Domingo, assim é que é) a criar um espaço para guardar as obras do Desafio, para que possam ser apreciadas calmamente, longe do reboliço dos corredores do Ministério. E aproveitei também para limpar alguma sujidade acumulada nas laterais deste espaço, vou continuar o serviço...
Desafio as Palavras
Até já...
Estive este fim de semana (folga de Domingo, assim é que é) a criar um espaço para guardar as obras do Desafio, para que possam ser apreciadas calmamente, longe do reboliço dos corredores do Ministério. E aproveitei também para limpar alguma sujidade acumulada nas laterais deste espaço, vou continuar o serviço...
Desafio as Palavras
Até já...
janeiro 27, 2007
E mais um...
41º
PINTO AS FORMAS DA CIDADE
Pinto as formas da cidade
Desço degraus de lonjura
E choro esta água pura
Espelho nos olhos meus
E terno eco em meu peito...
E sou a pedra, o granito
Que na cidade é suporte
Nesta cidade que ao norte
Dá cor, dá voz e dá vida;
Ó Cidade tão querida
Que dás a todo o negrume
A tela dor dos sentidos
A emoldurar a morte
E tua pele e a sorte
Na audácia de tantos gestos
Pinto retalhos funestos
Pelos tempos mais doridos...
Pinto as formas da cidade
Falo abrindo o seu sexo
E o quadro é desconexo
Se não tiver o aconchego
Do bulício do café...
E ao entrar nesta pintura
Paisagem do meu apego
Sinto o calor e a doçura
Da alegria e da amargura
Da vida, como ela é!...
Por: Maria Mamede
Pinto as formas da cidade
Desço degraus de lonjura
E choro esta água pura
Espelho nos olhos meus
E terno eco em meu peito...
E sou a pedra, o granito
Que na cidade é suporte
Nesta cidade que ao norte
Dá cor, dá voz e dá vida;
Ó Cidade tão querida
Que dás a todo o negrume
A tela dor dos sentidos
A emoldurar a morte
E tua pele e a sorte
Na audácia de tantos gestos
Pinto retalhos funestos
Pelos tempos mais doridos...
Pinto as formas da cidade
Falo abrindo o seu sexo
E o quadro é desconexo
Se não tiver o aconchego
Do bulício do café...
E ao entrar nesta pintura
Paisagem do meu apego
Sinto o calor e a doçura
Da alegria e da amargura
Da vida, como ela é!...
Por: Maria Mamede
janeiro 26, 2007
40º
Sentada na pedra fria dos degraus da tua casa, numa noite onde o negrume reflectia o meu pensamento. As formas que já foram, e agora um corpo retalhado pela vida. Pinto na tela a morte, com a audácia misturo as cores com a água…Pego no café, olho-me ao espelho, a pele gasta, com pequenos gestos ajeito o cabelo. Sinto um eco, uma voz, vinda de norte. Tudo reage em mim, todos os sentidos são o mote para o sexo não ter fim.
Por: Conversa em dia
Obrigado Paixão...
janeiro 25, 2007
39º
(Dedicado ao meu Fifi, com muito...Amor)
Audácia é a tua que continuas a olhar sem pudor para as formas roliças das moças que por ti passam. Continuas assim e ainda acabas a contar os degraus da nossa casa de uma maneira tal que até vai fazer eco. E, de manhã, quando vaidoso como és, se olhares ao espelho terás uns olhos de um negrume que nem terás voz para ir ao teu café do costume pedir um cimbalino, como se diz no nosso Norte. Em vez disso suplicarás ao garçon Ambrósio que te apetece algo semelhante a hirudoid. Ser-te-á servida água e um saquinho plástico para recolheres os retalhos desse corpo podre que deverás colocar no Ecoponto cor-de-rosa, a cor do nosso amor. E chegaste tu a este ponto por pensares só em sexo e limitares todos os teus gestos e olhares à cobiça das moçoilas de formas roliças. Quem assim procede não merece talvez mais do que levar com uma pedra na cabeça mas eu, sou mulher de exageros, tu sabes. E pronto, já me fartei de te violentar e ainda continuo aqui às voltas com uma tela já que, não sei como te dar com ela e fazer-te perder os sentidos.
Por: Robina
Obrigado meu Amor...tou cú-movido!
Um beijo do teu Fifi...
E mais um acabadinho de chegar...
38º
Sentada no café ao sol concluí que audácia é continuar a perseguir a vida. Independentemente das formas por que o façamos.
Seguir o eco de antigas vidas, ouvir a voz da consciência, não só a dos sentidos, sem temer o negrume da noite ou o da morte.
Seguir o eco de antigas vidas, ouvir a voz da consciência, não só a dos sentidos, sem temer o negrume da noite ou o da morte.
A água da pele, feita espelho onde, de norte para sul, em cada célula, minúscula tela, breves retalhos de esquecidos gestos se revelam e, pedra a pedra, reconstroem os degraus até ao início da vida. Ao sexo.
Por: Alma
janeiro 23, 2007
Desafio a quem por aqui passa , a escrever um conto ou um poema, com as seguintes palavras:
FORMAS, DEGRAUS, ÁGUA, ESPELHO, SEXO, MORTE, PELE, ECO, RETALHOS, AUDÁCIA, TELA, NEGRUME, CAFÉ, GESTOS, NORTE, VOZ, VIDA, PEDRA, SENTIDOS.
Enviar para:
tozribeiro@gmail.com
(Textos enviados)
FORMAS, DEGRAUS, ÁGUA, ESPELHO, SEXO, MORTE, PELE, ECO, RETALHOS, AUDÁCIA, TELA, NEGRUME, CAFÉ, GESTOS, NORTE, VOZ, VIDA, PEDRA, SENTIDOS.
Enviar para:
tozribeiro@gmail.com
(Textos enviados)
37º
Sentados nos degraus
Sentados nos degraus deixámos a água da chuva encharcar-nos.
No negrume da noite a água que escorria empoçava na pedra gasta da escadaria, semelhando tela, ou espelho onde a vida se reflectia.
Tudo nela passava formas – corpos em movimento – seus gestos de proximidade e ternura, breves retalhos de expressões dos sentidos e quando, na água empoçada, uma vibração corria, sabíamos corresponder ao eco da inicial emoção na pele.
Resposta à voz amada, ao prazer do sexo, ao temor da vida ou da morte.
Os nossos corpos molhados aproximaram-se mais buscando o calor que deles fugia com a água que por eles escorria. E eis que mais uma vez me surpreendes, da mochila tiraste pequeno termos e um gole de café quente aqueceu-nos até à alma. Só nos faltava o derradeiro golpe de asa. A audácia de seguir sempre o rumo buscando, da vida o sentido, norte.
Por: Dark
36º
Estranha a audácia dos sentidos que correm soltos, livres, sem norte. Com as mãos percorre a pele feita de água, os gestos tomam formas diferentes, ousadas. Dá eco a desejos desconhecidos, transformando o corpo em espelho e tela pintada. Protegendo-se do negrume da noite, vestindo apenas de retalhos, é naqueles degraus de pedra, que vende o sexo, a vida, a voz e compra a morte a troco de um café.
35º
Noite de sexo
Dá-me uma noite de sexo
Até perder o norte
Ali os dois no anexo
Até que chegue a morte
Quero ver-te no espelho
Pintar-te na tela
Beijar-te no joelho
Fazer-te mais bela
Afundar-me em tuas formas
Amar-te nos degraus
Sem regras nem normas
Nesses frios calhaus
Podes fazer-me em retalhos
Atirar-me contra a pedra
Até ficar em frangalhos
Ou de forma diedra
Mostra-me a tua audácia
Até ficar sem sentidos
Serei lobo da Alsácia
Gostarás dos meus latidos
E no eco da tua voz
Em teus gestos rendido
A vida que está em nós
O meu corpo prendido
Venha água para refrescar
E o negrume do café
Agora na sala-de-estar
Não quero ficar de pé!
janeiro 22, 2007
34º
Desço os degraus
e em gestos provocantes
chamo por ti.
Tu fixas-me atentamente
faço do meu corpo
uma tela
onde tu desenhas
em minha pele com a boca
beijos
os nossos com aroma de café.
Perco o norte
entre as carícias
que trocamos.
Audácia pura
paixão fulminante
extravio os sentidos de tanto te amar
toco o teu sexo
e claramente
tudo se transforma.
A tua voz poética
ao dizeres-me
que as formas do meu corpo
levam-te ao êxtase
fazem-me sentir amada.
Retalhos de mim
procuram no espelho da alma
a felicidade.
Juntos formamos uma cascata
onde corre água constante.
Só a morte me assusta.
Um rasto de negrume teima
bater em meu coração.
Idializo o nosso amor em resquícios
de uma paixão
num ninho
guarnecido
de versos e poesia
que cubriu a vida
em sonhos dispersos.
Nosso amor é inesgotável
e lapido sobre a pedra
palavras celestiais.
Um eco constante
envolve-nos entre
o tempo que nos resta.
Por: Lisa
33º
Sopa de letras
Falavas-me das mágoas que te dilaceram as entranhas como um tumor a minar, a minar, a morte perto e tão longe, a cegueira de não olhar o brilho da lua e das estepes na tépida modorra das manhãs, no teu lado Norte lunar acabrunhado, arrastado peso culpa enevoavando-te a felicidade no fim da tarde, em passos e gestos tolhidos, nas formas da caminhada oprimida dos prantos, agora riachos finos e moribundos de água choca.
E eu espelho, encolhida a tapar-me devagar de ti e a pensar num final diferente, nos amores e dos amores e daqueles que descreves que não têm entremeios, nem meios, nem fim, que nos respiram através da pele, do sexo projectado eco vento, em retalhos de cheiros e toques, num pestanejar furtuito enquanto mexes o negrume do café. E enquanto a voz te abranda, vejo-me pedra, vida, tela retesada, e fremem-me as células, a crescer e mirrar, e voltear e rodopiar e enrolar, no núcleo apertado dos afectos escondidinhos que sobrevivem apulsar, na audácia em saborear o bem e o mal que nos dizimam os sentidos. Daqueles que nos marcam a ferro indeléveis o sentir.
E a descer descuidada os degraus ainda te atiro em modos de despedida: - E olha... um grande amor não tem que necessariamente deixar saudades. Pode-nos deixar plenos, íntegros, seguros de saber que se foi capaz, e que se é capaz de continuar a amar mesmo depois do fim.
Por: jp
32º
Peguei em duas FORMAS para fazer um bolo de camadas. Juntei ovos e açúcar e fiz os GESTOS habituais para bater o bolo. Juntei CAFÉ com um NEGRUME africano e farinha, e voltei a bater até só ouvir o ECO da batedeira. Bebi um copo de água das PEDRAS para me dar VIDA. Ouvi a VOZ dos meus filhos, que subiam os DEGRAUS. É preciso AUDÁCIA, dizia a Inês, para pintar uma TELA daquele tamanho. Continuei com o bolo. Juntei fermento, bati as claras em castelo e misturei tudo. Coloquei nas formas, que levei ao forno. Queimei a PELE da mão e disse um palavrão, não fosse eu uma mulher do NORTE. Ao fim de 1/2 hora, peguei em 2 RETALHOS de pano e tirei as formas do forno. O cheirinho era de fazer perder os SENTIDOS. Deixei arrefecer. Ao passar em frente do ESPELHO, olhei e pensei: estás gorda gorda e vais comer bolo? Vou, claro, só a MORTE me impedirá de comer uma fatia. Ou duas...
E no fim de tudo...o SEXO
janeiro 20, 2007
31º
Recomeço
Vês este sofá vazio?
Simboliza a tua capitulação.
A tua recusa da audácia de acompanhares-me.
Nesta noite de chuva de Inverno, tento, mais uma vez de escutar a minha alma. Procuro-me fixando o negrume para além da vidraça. Procuro-me no espelho embaciado do quarto, onde desenho formas que descubro serem letras e letras de onde emerge o teu nome, entre gotas de água. O teu nome, não o meu.
Preciso de reencontrar a minha voz. Preciso de reconstruir os diversos retalhos que rasguei aos meus sonhos. Preciso de projectar-me na tela da minha memória, e delinear as rotas do meu querer, para acreditar que existe um norte e existem sentidos, mesmo que aparentemente ocultos, nesta vida, agora despojada de ti.
Sabes, eu sou uma mulher simples.
Encantei-me com a ternura nascida do nosso encontro, tudo me parecia claro – a alegria no teu olhar, as nossas mãos enlaçadas em cima tampo de pedra da mesa do velho café, os nossos beijos, a textura da tua pele, a inquietação do teu sexo quando me sentaste no teu colo pela primeira vez, entre risadas, os teus gestos pressentindo a respiração do meu corpo, o eco dos nossos murmúrios, após cada encontro.
Só mais tarde soube que tu impunhas degraus ao nosso sentimento, como se tudo devesse seguir uma sequência, como se o afecto não fosse, por natureza, surpreendente no seu devir…Eu, que estava feliz por nós sermos capazes de ondularmos os nossos corpos em bailados de aves selvagens, e casarmos a nossas almas sem dizermos uma palavra, iludindo a vida e morte em breves cintilações de eternidade.
Como poderia saber que um dia tu renunciarias ao que dizias ser-te vertebral, que optarias pela imobilidade pardacenta dos teus dias sem nós?
Por: Alba
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