fevereiro 28, 2007


16º
A verdade persegue...

Ele estava nos píncaros da sua preeminência, o sucesso do seu projecto era tal que lhe apetecia festejar. Mas com quem? A única pessoa com quem lhe apetecia partilhar estava em viagem para uma nova vida e fora ele quem a ajudara a partir. Caminhava pela rua, pensativo, fazendo-se acompanhar da sua pasta de executivo. Os seus passos firmes, decididos; cada gesto um prolongamento da sua personalidade, forte e segura; os traços do rosto serenos; na boca o seu sorriso de sempre, cativante. Todo ele era uma espécie de íman, atraindo sobre si boas energias, atraindo pessoas e sucesso. Como podia um homem assim não ter com quem festejar? Era Inverno, era noite, era tarde. Teve de forçar a vista para encontrar o carro no parque de estacionamento subterrâneo. Ao dar à chave, nada. Nova tentativa e nada. Mas que diabo?!! Uns murmúrios no banco de trás, fizeram-no olhar o espelho. Nada, claro. Era só cansaço. De repente, vrummmmmm.... Pareceu perder o controlo e o carro bateu na parede, uns metros mais à frente, estridentemente.... Nada, ninguém por perto.Uma dor de cabeça. Fragmentos de pensamentos chegam-lhe numa torrente sem que ele conseguisse formular um raciocínio concreto. Os murmúrios tornam-se mais fortes, parecem estar dentro da sua cabeça. E ele deixa de pensar só para saber que prosa é aquela, qual a mensagem. Consegue reconhecer a voz dela! E lembra-se daquelas coxas que o envolveram tantas vezes com paixão, numa dócil entrega. Risos ensurdecedores esmagam os murmúrios, interrompem-lhe as imagens do passado, é o riso dela! Murmúrios misturados com risos na sua cabeça gritam-lhe agora a palavra vingança... Vingança! E foi obrigado a recordar o sangue, a faca grande de cabo vermelho... A custo consegue abrir a porta do carro. Deixa-se cair na frieza do chão, numa luta para sentir a matéria, para sentir o seu corpo, para sentir que está ali.... Era tudo imaginação sua, ele sabia-o, invadia-o o sentimento de culpa! Mais cedo ou mais cedo ia pagar caro o pecado cometido!
Por: Fábula
15º

Toponímia

Era no tempo das outras estações
Em que nos cruzávamos apenas,
Em que nos pensávamos…
O tempo em que não era nossa, a história…
Éramos Inverno,
Antes de percorrermos as vielas do nosso corpo,
Antes de nos encontrarmos
Naquela rua com um nome curioso:
“Nada acontece por acaso”.
Somos agora gestos que correm céleres
Como a torrente da paixão
Que nos une.
Sente como fervilha o sangue rubro!
Sente como,
Com traços de risos
Travamos uma luta
Onde a preeminência existe,
Porque ambos nos superamos,
Por tão sequiosos,
Por tão diferentes,
Que nos atraímos como um íman.
Brincamos com as nossas bocas
Correndo sobre o texto dócil que compomos
Que afasta de nós,
O tudo de que nos despimos.
Vamo-nos desnudando,
E os encontros,
Quando afastamos as coxas
Enchendo-nos de poemas e prosas,
Esmagam-nos de vontade
Tanto, tanto,
Que quase morremos
Para nascermos de novo,
Quando nos inundamos no néctar do nosso desejo!
Desafiemo-nos!
Calemo-nos por momentos.
Passeemo-nos pelo chão dos nossos lábios,
E esqueçamos a frieza,
A matéria de que éramos feitos,
Antes,
Quando ainda éramos murmúrios,
Quais meros fragmentos de sonho,
E nos cruzávamos, apenas…


Por: Cris

fevereiro 27, 2007

Pergunta do Dia
Como é possível sermos nós (mesmo sendo camelo) , sem que primeiro tenhamos sido toda a gente ?
3 Anos de Bosque

Robina: Eu ofereço-te o colar de diamantes que te prometi, mas tens de parar com as brincadeiras estúpidas !!!
14º
Fragmentos de uma Paixão
De quem luta não pela vida, mas pela morte.
(Porque ela nos acorda)
Dia de Inverno
O ritual de sempre
De pernas cruzadas sentados no chão
Dois dedos de prosa, entre abraços...
sem risos, sem lágrimas
Sem alma.
Ambos somos uno...
Voz, gesto, olhar, sentir
Somos corpo...
Mãos, pés, boca, coxas, sexo
Onde somos tudo...
Ambos somos uno.
A frieza deste espaço vazio
de paredes pálidas
onde o silêncio predomina
com o nosso abraço a um canto,
apenas por companhia.
Vamos usar o vermelho sangue e
com a ingenuidade dos nossos traços
Pintar com esta torrente de palavras
Que esmaga cá dentro.
Que sufoca, que nos mata
Aos poucos...
Tudo funciona como íman
Nesta luta nada dócil
Estamos sozinhos...
Já ninguém nos pode salvar
A preeminência da partida...
Pergunto-vos:
Serão audíveis os múrmurios das paredes ?

Por: Toze
13º
Enquanto estudava a matéria, fragmentos de memória vieram-lhe recordar o sofrimento do ano anterior. A preeminência daquele Inverno tão frio que tudo tinha alterado na sua vida. A imensidão da chuva tinha provocado torrentes de lama que tudo tinham inundado, que casas tinham esmagado, deixando por todo o lado rastos de tragédia. Lembrava-se de a ter encontrado caída no chão, esvaída em sangue, as suas coxas cobertas de lama... as suas coxas perfeitas que, ela dócil, lhe tinha mostrado tirando a saia, enquanto ele, encostado à porta, a olhava com paixão. Os gestos tímidos com que tinha tirado a blusa, com que lhe tinha beijado a boca onde se formavam risos, de onde o prazer lhe saía em murmúrios gorgolejantes.
Conseguisse ele pôr em verso ou prosa o íman que os tinha atraído e talvez a frieza dos seus traços, que escondiam a luta pelo esquecimento, talvez pudesse desaparecer.
Por: Marta
12º
FRAGMENTOS DE SANGUE
Não dócil paixão
Que dos múrmurios
Da tua boca
Se esmagam no Inverno
Torrentes de gestos
Que entre coxas entrego
Com risos e traços
Numa prosa de luta
Na frieza do chão
E como preeminência
Da matéria
Sou íman de mim....
11º
Ela vivia de fragmentos guardados na memória, como se esta fosse uma manta de patchwork. Cada momento era um quadrado para recordar. Do primeiro quadrado, ouviam-se os risos da sua infância, a descer pelo escorrega e a brincar sentada na frieza do chão. Do segundo, ouviam-se os murmúrios entre amigas, a atracção como íman por aquele rapaz dócil durante a adolescência. Do terceiro, sentia-se o calor de um beijo vindo de uma boca apaixonada. Do quarto, quase se tocava a preeminência da paixão que desabava no meio das suas coxas numa noite de Inverno. Do quinto, lia-se uma torrente de palavras, que esmagam quem as compreende, numa prosa só sua. Do sexto, via-se o gesto embebido em sangue, sinal de luta contra a doença. Ela já só era traços de si mesma, presa à matéria do seu corpo, numa cama de hospital, onde vivia de fragmentos guardados na memória…
Por: Jacky
3 Anos de Bosque

Parabéns Robina

fevereiro 26, 2007

10º
Dias mascarados de anos.
E ele partiu com preeminência. Naquela manhã de Inverno. Partiu, pronunciou palavras em gesto de despedida. Uma vontade incontrolável de o calar invadiu-me. Mas da sua boca apenas saiu um adeus. De mim, apenas se libertava um torrente de murmúrios. Ele o pólo positivo, eu o negativo. A atracção perfeita. Eram sonhos, apenas sonhos. Ele não era íman, era matéria, era sangue, era pessoa, provavelmente mais que isso. Era poesia, prosa, paixão...aliás, ainda o é. Podia jurar que era Deus. Não o fiz, Deus não existe. Dias de tormento, uma luta constante contra o tempo que teimava em não passar. O mesmo chão, o mesmo caminho, tornaram-se incrivelmente distintos. Faziam falta os seus passos. Os risos quase desapareceram, uma frieza temporária roubou-lhes o lugar. Um fragmento da vida, uns dias, mascarados de anos, o tal espírito Carnavalesco. Uma autêntica eternidade. Mas finalmente chegou ao fim. Mais umas horas de espera esmagam a saudade. O tempo torna-se tão dócil, e eu espero e desespero por rever aqueles traços, aquele olhar, aquele sorriso, aquelas coxas, e poder tocar como se fosse a primeira vez.

Por: Patareca
A preeminência da boca na paixão é como torrente de sangue entre as coxas,
caíndo em fragmentos que se esmagam no chão.
Dócil íman combatendo a frieza do Inverno, prosa feita de riso e murmúrios.
Gesto que, sem luta, reconstrói e vive independente da matéria
e desenha imorredoiros traços de luz pelo espaço.
Por: Amla
Da dócil boca, vagos murmúrios, fragmentos da luta no auge da preeminência da paixão, atropelam a torrente de risos que caem no chão, breves fragmentos desta prosa de Inverno, que se esmagam na frieza do gesto, enquanto pelas coxas, poderoso íman, a torrente de sangue desenha traços de vida.
Por: TMara
Na preeminência de um gesto soam murmúrios na tua boca.
São traços, fragmentos, que formam uma torrente de paixão.
As tuas coxas esmagam o chão na luta dócil feita de risos.
Aproxima-se o Inverno e com ele a matéria da prosa cuja frieza parece uma ferida em sangue.
Só nos resta o íman de que somos feitos…
Por: Wind

fevereiro 24, 2007

Pensem nisso...

Quando a gente se deita, não fica logo a dormir. Entre o estar deitado e o ficar a dormir há um pequeno intervalo no qual se passa exactamente de um mundo para o outro !

Até 2ª feira

Não sei se foi por acaso que, com um gesto aparentemente furtivo, afastaste um pouco a saia, deixando que aqueles fragmentos das tuas coxas, que apenas costumas deixar entrever a quem tem preeminência especial, fustigassem, como uma torrente o meu olhar já atraído como um íman. Naquele momento, no meu corpo, apenas matéria animal, o sangue circulou com mais força, canalizando-se, acompanhado de murmúrios ofegantes, para o local onde se concentra a paixão. Nem a frieza daquela tarde de Inverno conseguia ocultar os traços já visíveis da minha perturbação. Os risos e a prosa ocasional que se soltaram da boca, não disfarçaram a luta nada dócil que se travava no chão do meu instinto. Mas assim como os insectos que se esmagam contra a vidraça, as gargalhadas desdenhosas com que humilhaste o meu desejo, foram o chão onde ficou sepultada a minha sede de conquista, mais uma vez insaciada.
DESAFIOS

Murmúrios de paixão
São a preeminência da prosa
Na dócil luta da boca
Que como um íman
Procura incessantemente
O chão do teu corpo
Percorrendo
O inverno do gesto...
E o sangue, em torrente
Inventa fragmentos
De risos
Delírios de coxas
Na frieza da matéria
Enquanto loucos traços
Esmagam
As dores
No calor do acto!...

Da prosa ensaiada, do gesto da escrita pintado a sangue,
Ouço os risos e os murmúrios que esmagam a frieza do inverno.
A paixão pela vida faz com que a boca inicie uma luta, e com preeminência saio desta matéria.
Os traços das coxas no chão têm o efeito de íman na minha visão.
Os fragmentos do meu pensamento saem em torrente, e fica a imagem dócil de um dia...
A paixao é uma torrente de prosa que sai da minha boca. A tua frieza sao murmúrios de inverno, fragmentos de sangue que me esmagam e me prendem no chão, como um íman. E os teus traços... E os teus risos... E esse teu gesto tao dócil... é uma luta para nao amar-te!
Por : Black Cat

Brincar com as palavras

Com esta torrente de palavras
Que irei imaginar que meta coxas
Lábios, braços e pernas
Mas sem de sexo falar...
Que desta boca não saiam fragmentos
E deste meu gesto sentido
Hei-de demonstrar a paixão
E usar o vermelho sangue
Para dominar os risos
E os ignóbeis murmúrios
Que iram ter ao ler isto.
É que o Inverno foi rigoroso
E os traços esmagam a matéria ...
O chão funciona como íman
Que me atrai a escrita
Saio com preeminência
Sendo sempre a rapariga dócil
Que não sabe nem aprende...
A escrever em prosa
E que assim luta
Com as palavras
E a frieza do dia a dia
Por: Psique
Na boca de muitos a palavra dócil tão falseada, que esmagam a frieza da preeminência de quem usa uma torrente de murmúrios como íman maléfico.
A caminhada é dura e já longa e as coxas dão sinal de paragem.
Sentada no chão, revejo traços de fragmentos de um inverno rigoroso que desaba num coração bombeado por sangue já tão desgastado.
Afinal sou matéria...mas também sou paixão.
Levanto-me num gesto rápido, solto risos afugentando possíveis invasores numa luta que não dou tréguas e grito:

A vida é a melhor prosa feita de folhas diárias...coloridas e outras debotadas por lágrimas!

E num "DESAFIO" o sol voltou a brilhar!
Por: Fatyly

fevereiro 22, 2007

Evacoações Mentais

Estar aqui é agradável não pelo facto de se estar aqui, mas pelo facto de se poder dizer que se está aqui. É a mesma coisa que às oito horas não me apetecer chá, mas só às oito e meia, e apesar disso tomo sempre café. É um incidente tão provisório como a própria vida. É como ir ao barbeiro...

fevereiro 21, 2007

Desafio as Palavras
Um convite de exercício ao músculo literário
O 2º Desafio está lançado. São 20 as palavras soltas nesta imagem !
Enviem os textos para:



Os 42 Textos do Desafio estão bem guardados e podem ser lidos em...
Obrigado Amigos
Conversas:

Eu: Não tens nada que me queiras contar ?
Ela: A minha vida é sem nada de emocionante, não há novuidades. Passo a ferro...
Eu: Mas passar a ferro não é emocionante !?
Ela: Muito.Terrivelmente emocionante. Vou escrever sobre as emoções de uma tábua de engomar !
Eu: !!!

(E assim fiquei, a meditar, sobre a complexidade de passar a ferro.)

Já a seguir:
“As emoçoes de uma tábua de engomar”

(pela própria engomadeira)

"Naquela noite, a tábua não conseguia conter a sua ansiedade. A engomadeira tinha trazido para casa um ferro de engomar novo..." Continuar a ler

fevereiro 20, 2007

Pergunta do Dia
Os lugares fazem mudar as pessoas, ou o Ar não é o mesmo por toda a parte ?
Depois do Carnaval...
(Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade...)

Quem diria que tantas pessoas alimentam, durante 300 e tal dias do ano, o modesto sonho de serem: ursos, macacos, ratos, gatos, camelos, travestis e outros bichos !