“Sim senhor, foi à pouco, o Coveiro inté foi atrás dele, era um rapaz toxico-ó-independente. Roubos ? e num é muitos, e num são poucos, num é, bastantes!”
“Agora mandaram-me pra casa. Isto tá tudo ruim im todo lado, eu sei lá menina, se são os chineses ou se é o caralho, a menina desculpe lá mas eu num sei, eu num sei que bolta deu aqui...”
"A casa da minha neta esteve em perigo de vida. Isto é um pé de mónio!"
" - Então e quanto gasta em mercearia por mês?
- Ai eu sei lá... são mais de 500 euros que fodo..."
“- Conte lá como se conheceram ?
“Ando aqui à 39 anos, bim da tropa, conheci aqui a minha esposa, olhei pra ela, gostei e disse : “bou-te comer”, e comi “
“- O fogo está a crescer e está a cerca de 5, 10 metros de sua casa ?
“Tá...não. Tá, tá e bou sair bou abandonar, que tenho uma consulta agora às cinco e meia...é assim.”
“Os homes ganham dez, as mulheres fodem binte. Quem tem culpa caralho ! As cagalhonas que bão trabalhar asim como uma pessoa...”
“Eu bou-me lá dentro infelizmente eles cagam tudo, as sanitas estão um caos, os senhores biram? Falam em democracia isto num é democracia, isto é uma bergonha pra Portugal”
abril 23, 2007
abril 22, 2007
abril 20, 2007
Quero pensar o passado e esquecer o futuro...
Hoje não estou para ninguém.
Hoje não quero estar para ninguém.
Quero estar comigo, habituar-me à ideia de que existo.
O telefone está desligado da ficha, se a campainha tocar não atendo. Vou ficar sentado no sofá, a televisão desligada, sem música no aparelho, quieto, sem me mexer, apenas a pensar no passado e a esquecer o futuro. Lá em baixo chamam pelo meu nome, buzinam, atiram pedrinhas à janela, não sabem que eu não estou. Não sabem, mas continuam.
Hoje não estou para ninguém.
Hoje não quero estar para ninguém.
Quero pensar no passado e esquecer o futuro.
Do passado já sinto os cheiros...
Quero fazer casinhas com as peças do dómino.
Quero criar pirâmides com o baralho de cartas.
Quero jogar ao Monopólio, passar pela casa partida e receber 2.000$00, comprar a Rua Augusta e o Rossio para os encher de Hotéis (se bem me lembro o Rossio valia 20 contos!)
Quero comer gelados ás escondidas da Mãe Hortense.
Quero os caramelos que o Pai Albano trazia de Espanha (daqueles moles que não se colam ao céu da boca)
Quero correr atrás da menina (não me recordo do nome dela) a dizer: "ao menos um beijinho...ao menos um beijinho".
Quero ver o Topo Gigio com o meu irmão Filipe, os dois sentados no chão. (Ficávamos mais perto da televisão)
Quero sair à noite com o meu irmão Vitor (ele não deixa, diz que sou pequeno)
Quero tomar banho com os primos no tanque gigante da Tia Cândidinha e apanhar sol em cuecas na varanda.
Quero jogar ao berlinde e à bola com os amigos no parque em frente à casa.
Quero os abraços do pai, quero os beijos da mãe.
Quero o mano Filipe e construir mundos com os legos.
Quero ser o Sandokan
Quero vestir-me de Drácula no carnaval (Ganhei o 1º Prémio – um carro telecomandado e um par de meias. A mãe gostou muito das meias)
Quero aprender a andar de bicicleta e de patins.
Quero tocar cornetas de plástico de todas as cores.
Quero que a mãe nos mande lavar os dentes e que nos mande deitar.
Quero chapinhar os pés numa poça de água em altas gargalhadas.
Quero com o Filipe, escutar as conversas dos mais crescidos. ( não percebíamos as palavras, mas era giro)
Quero ouvir a trovoada lá fora, e ver a mãe cheia de medo com as mãos na cabeça a dizer "Ai, Meu-Deus" (muito me ria)
Quero ir para a escola com o lanche na sacola
Quero...
Hoje não estou para ninguém.
Hoje não quero estar para ninguém.
Quero estar comigo, habituar-me à ideia de que existo.
O telefone está desligado da ficha, a campainha se tocar não atendo.
Hoje quero pensar no passado e esquecer o futuro
Do passado já sinto os cheiros...
-Quero...
Hoje não quero estar para ninguém.
Quero estar comigo, habituar-me à ideia de que existo.
O telefone está desligado da ficha, se a campainha tocar não atendo. Vou ficar sentado no sofá, a televisão desligada, sem música no aparelho, quieto, sem me mexer, apenas a pensar no passado e a esquecer o futuro. Lá em baixo chamam pelo meu nome, buzinam, atiram pedrinhas à janela, não sabem que eu não estou. Não sabem, mas continuam.
Hoje não estou para ninguém.
Hoje não quero estar para ninguém.
Quero pensar no passado e esquecer o futuro.
Do passado já sinto os cheiros...
Quero fazer casinhas com as peças do dómino.
Quero criar pirâmides com o baralho de cartas.
Quero jogar ao Monopólio, passar pela casa partida e receber 2.000$00, comprar a Rua Augusta e o Rossio para os encher de Hotéis (se bem me lembro o Rossio valia 20 contos!)
Quero comer gelados ás escondidas da Mãe Hortense.
Quero os caramelos que o Pai Albano trazia de Espanha (daqueles moles que não se colam ao céu da boca)
Quero correr atrás da menina (não me recordo do nome dela) a dizer: "ao menos um beijinho...ao menos um beijinho".
Quero ver o Topo Gigio com o meu irmão Filipe, os dois sentados no chão. (Ficávamos mais perto da televisão)
Quero sair à noite com o meu irmão Vitor (ele não deixa, diz que sou pequeno)
Quero tomar banho com os primos no tanque gigante da Tia Cândidinha e apanhar sol em cuecas na varanda.
Quero jogar ao berlinde e à bola com os amigos no parque em frente à casa.
Quero os abraços do pai, quero os beijos da mãe.
Quero o mano Filipe e construir mundos com os legos.
Quero ser o Sandokan
Quero vestir-me de Drácula no carnaval (Ganhei o 1º Prémio – um carro telecomandado e um par de meias. A mãe gostou muito das meias)
Quero aprender a andar de bicicleta e de patins.
Quero tocar cornetas de plástico de todas as cores.
Quero que a mãe nos mande lavar os dentes e que nos mande deitar.
Quero chapinhar os pés numa poça de água em altas gargalhadas.
Quero com o Filipe, escutar as conversas dos mais crescidos. ( não percebíamos as palavras, mas era giro)
Quero ouvir a trovoada lá fora, e ver a mãe cheia de medo com as mãos na cabeça a dizer "Ai, Meu-Deus" (muito me ria)
Quero ir para a escola com o lanche na sacola
Quero...
Hoje não estou para ninguém.
Hoje não quero estar para ninguém.
Quero estar comigo, habituar-me à ideia de que existo.
O telefone está desligado da ficha, a campainha se tocar não atendo.
Hoje quero pensar no passado e esquecer o futuro
Do passado já sinto os cheiros...
-Quero...
abril 19, 2007
Uma crónica corajosa
"Não quero aqui ninguém. Quero ficar sozinho a medir isto, a minha doença, a minha mortalidade, o meu espanto. Por mais que repetisse - Um dia destes não acreditava que um dia destes chegasse. E agora, Março de 2007, veio com a brutalidade de uma explosão no peito. Não imaginava que fosse assim, tão doloroso e, ao mesmo tempo, tão pouco digno como a velhice e a decadência. Tão reles. O olhar de pena dos outros, palavras de esperança em que não têm fé, dúzias de histórias de criaturas que passaram por isso que tu tens agora e estão óptimas."
"O cancro ratando, ratando, injusto, teimoso, cego. Mói e mata. Mata. Mata. Mata. Mata. Levou-me tantas das pessoas que mais queria. E eu, já agora, quero-me?"
Excertos de "Crónica do hospital", de António Lobo Antunes, publicada no último número da Visão.
Comprem e leiam, sente-se o tremor em todo o texto que não é só do Lobo Antunes, mas de todos os Antónios, Franciscos e Marias que passam pelo mesmo!
"O cancro ratando, ratando, injusto, teimoso, cego. Mói e mata. Mata. Mata. Mata. Mata. Levou-me tantas das pessoas que mais queria. E eu, já agora, quero-me?"
Excertos de "Crónica do hospital", de António Lobo Antunes, publicada no último número da Visão.
Comprem e leiam, sente-se o tremor em todo o texto que não é só do Lobo Antunes, mas de todos os Antónios, Franciscos e Marias que passam pelo mesmo!
abril 18, 2007

Foto: Revelando
Escrevo à noite quando a cidade está calada,
e na noite decoro a cidade com as palavras,
que fazem a nossa história...
abril 17, 2007
Um Sonho...
Esta noite sonhei com algo estranho, muito, mas mesmo muito estranho...
Não...não vou contar, não vos quero perturbados !
Não...não vou contar, não vos quero perturbados !
Frase do Dia
De cara lavada...
E tudo se deve à Amiga Mushu, que se deu ao trabalho de lavar a cara deste Misnistério, mas diga-se, para muito melhor !
Mas digam lá se esta cor cócó não é tal e qual a minha cara ?
Obrigado Mushu
(depois pago-te em...géneros, mas isso é uma conversa só nossa)
Mas digam lá se esta cor cócó não é tal e qual a minha cara ?
Obrigado Mushu
(depois pago-te em...géneros, mas isso é uma conversa só nossa)
abril 16, 2007
Olha quem ele é !!!
Bem vindo ó...Palhaço
(imagem da última vez que foi visto em público)
Bem vindo ó...Palhaço
abril 14, 2007
Resposta à sexta-feira 13, de Marx:
E se quando acabar de coçar o nariz e ele lhe cair? Ganda sorte. Nunca mais vai ter que cheirar a cagadela do gato preto que se dirige para outro lado para disfarçar. À mesa, quando a dona descobre que só tem 12 costoletas, procura logo o bichano, que entretanto deu à soleta porque a dita cuja estava tão salgada, tão salgada que lhe deu a volta à tripa. Eles apertam as mãos por cima da mesa porque não podem apertar o pescoço à dona da casa. Aldra! Antes tivessem ido comer à sogra! O sal que o moçoilo que saiu (o 13º) deitou para trás das costas, foi para não o atirar aos olhos da p...da cozinheira! Nunca mais havia de cozinhar, caraças, tal o ardor nos olhos! Quem lhe mandou ser parvo e ter aceite o convite para jantar?
Reconhecer o número 13 é sinal que ainda há lá no fundo a lembrança da professora que por acaso é a cozinheira que salgou as costoletas, a tal que também era a dona do gato...
Encontrar um trevo de quatro folhas é uma tentativa de tentar purgar-se do mal estar daquele malfadado jantar, dass!!! Foi o marido, o desgraçado, que saiu pelo lado contrário da cama. Olha se ele sai pelo lado dela e a acorda? Ela ainda o obrigava a comer as 11 costoletas que sobraram e aquilo nem para croquetes serve (como se ela soubesse fazer croquetes!!) Bendito vinhaço! Antes a ressaca a lembrar o dito jantar da véspera.
Trazer a pata de coelho no bolso é sinal que no vizinho se comeu um ensopado daqueles! Porque não foram convidados para jantar lá? E eles que tanto insistiram!
Quando três homens acendem os cigarros com o mesmo fósforo estão a ser solidários. A seguir vão pensar na melhor estratégia para matar o raio da velha que tinha um gato que deu de frosques, que se cagou todo por causa duma maldita costoleta tão salgada!
Se, durante o fim de semana, virem uma senhora na padaria a falar com a amiga dizendo que fez um jantar maravilhoso mas que, não sabe porquê, ninguém comeu, e ela que até estava aflita porque eram treze à mesa e o estafermo do gato tirou-lhe uma costoleta e que se ela o apanha ainda o esgana, não acreditem.
Se acreditarem, azar vosso! Seria muito pior do que hoje ser sexta feira 13. Mas, se virem o gato, por favor, digam-lhes que a dona está na padaria.
Que por tudo não se lembre de passar por lá!...
Por: Cris
E se quando acabar de coçar o nariz e ele lhe cair? Ganda sorte. Nunca mais vai ter que cheirar a cagadela do gato preto que se dirige para outro lado para disfarçar. À mesa, quando a dona descobre que só tem 12 costoletas, procura logo o bichano, que entretanto deu à soleta porque a dita cuja estava tão salgada, tão salgada que lhe deu a volta à tripa. Eles apertam as mãos por cima da mesa porque não podem apertar o pescoço à dona da casa. Aldra! Antes tivessem ido comer à sogra! O sal que o moçoilo que saiu (o 13º) deitou para trás das costas, foi para não o atirar aos olhos da p...da cozinheira! Nunca mais havia de cozinhar, caraças, tal o ardor nos olhos! Quem lhe mandou ser parvo e ter aceite o convite para jantar?
Reconhecer o número 13 é sinal que ainda há lá no fundo a lembrança da professora que por acaso é a cozinheira que salgou as costoletas, a tal que também era a dona do gato...
Encontrar um trevo de quatro folhas é uma tentativa de tentar purgar-se do mal estar daquele malfadado jantar, dass!!! Foi o marido, o desgraçado, que saiu pelo lado contrário da cama. Olha se ele sai pelo lado dela e a acorda? Ela ainda o obrigava a comer as 11 costoletas que sobraram e aquilo nem para croquetes serve (como se ela soubesse fazer croquetes!!) Bendito vinhaço! Antes a ressaca a lembrar o dito jantar da véspera.
Trazer a pata de coelho no bolso é sinal que no vizinho se comeu um ensopado daqueles! Porque não foram convidados para jantar lá? E eles que tanto insistiram!
Quando três homens acendem os cigarros com o mesmo fósforo estão a ser solidários. A seguir vão pensar na melhor estratégia para matar o raio da velha que tinha um gato que deu de frosques, que se cagou todo por causa duma maldita costoleta tão salgada!
Se, durante o fim de semana, virem uma senhora na padaria a falar com a amiga dizendo que fez um jantar maravilhoso mas que, não sabe porquê, ninguém comeu, e ela que até estava aflita porque eram treze à mesa e o estafermo do gato tirou-lhe uma costoleta e que se ela o apanha ainda o esgana, não acreditem.
Se acreditarem, azar vosso! Seria muito pior do que hoje ser sexta feira 13. Mas, se virem o gato, por favor, digam-lhes que a dona está na padaria.
Que por tudo não se lembre de passar por lá!...
Por: Cris
abril 13, 2007
Sexta-Feira 13 Segundo Marx
-Quando uma pessoa tem comichão no nariz, é sinal de que é preciso coça-lo.
-Um gato preto que cruze o seu caminho significa que o animal se dirige para algum lado.
-À mesa, 13 é sinal de má sorte quando a dona de casa dispõe apenas de 12 costeletas.
-Apertar as mãos por cima da mesa significa que as 2 pessoas são preguiçosas.
-Cantar antes do pequeno - almoço é prenúncio de uma discussão com um vizinho - se este pretendia dormir até tarde.
-Atirar sal para trás das costas pode dar a impressão de que quem o faz tem caspa.
-Reconhecer o número 13 é indício de que se frequentou a escola.
-Encontrar um trevo de 4 folhas é sinal de que se andou de gatas.
-Sair da cama pelo lado contrario significa, provavelmente, que se bebeu demasiado na véspera.
-Trazer uma pata de coelho é sinal de que se é bom atirador - ou se tem um amigo que o é.
-Quando 3 homens acendem os cigarros no mesmo fósforo, tal facto indica que têm apenas um fósforo ou que são escoceses.
A Sexta-feira ainda não terminou, se não vos acontecer nada entretanto, possivelmente acontecerá durante o fim de semana...eu sei do que falo, garanto-vos !
Por isso, o melhor é ficarem em casa até 2ª feira...
abril 12, 2007
Comparar o mesmo subúrbio
Depois da crónica “Elogio do subúrbio” do António Lobo Antunes, que eu aqui postei ! Deixo-vos agora com o "mesmo subúrbio” (em tom de carta ao António), por: (RAP) Ricardo Araújo Pereira. Um subúrbio de hoje, que segundo o Ricardo, na época do António era bem mais bonito, e tinha gajas mesmo mesmo boas !
Boa leitura
Quando eu era pequeno também vivia em Benfica, António, mas já não vi nada do que tu contas. Nem quintinhas, nem casas baixas, nem o cheiro dos cabedais do sapateiro (a gente já nem ia ao sapateiro: quando os sapatos se estragavam, iam para o lixo - e o lixo, parecendo que não, tem muito menos graça que a loja do sapateiro, além de que cheira pior) nem senhoras beatas que transportam a Sagrada Família numa caixa, de casa em casa (aliás, no meu tempo, nenhum desconhecido nos visitava a casa, excepto três senhores encapuzados que, uma noite, passaram por lá. Mas também deviam ser gente religiosa porque, apesar de não trazerem a Sagrada Família, levaram um terço de prata da minha mãe) nem acácias, nem cegonhas, nem pavões,
Eu tinha a mercearia do senhor Fernando (a primeira vez que vi um rato foi na mercearia do senhor Fernando, uma ratazana grande e bonita, com um rabo muito comprido e ar feliz. Os produtos do senhor Fernando eram mesmo bons) um maluco que tinha sofrido um desgosto de amor no tempo em que não era maluco (maluco era o que nós lhe chamávamos. Tu, que és médico, provavelmente designá-lo-ias com um termo clínico qualquer, tipo « chalupa », ou assim) seja como for agora era maluco e dedicava-se a recolher papelão e ficava doido ( admitindo que os malucos podem ficar doidos ) sempre que alguém no bairro comprava um electrodoméstico, não saía da porta do prédio, à espera que deitassem fora a caixa de cartão
- Tem caixotes?
estava sempre a perguntar a quem encontrasse na rua
- Tem caixotes?
repara, António, que não te estou a imitar, não repeti a frase para obter qualquer efeito estilístico, o que se passa é que o maluco, coitado, era mesmo muito repetitivo
- Tem caixotes?
olha, lá está ele outra vez
(uma vez, o irmão do maluco, que não era maluco, descobriu que a mulher o enganava e deu-lhe um tiro. E o maluco contou a história e disse, com a sua voz arrastada de maluco:
- O meu irmão é maluco) e além do maluco havia também um bêbado, que dizem que era médico em S. José (uma vez parti a cabeça, fui de urgência para S.José e estive sempre à coca de ver se me aparecia o bêbado, não fosse ele amputar-me uma perna em vez de me coser a cabeça) e havia ainda a senhora da padaria, que acumulava as funções de padeira com porteira do meu prédio e chefe do centro de inteligência da rua. Reunia informações junto de todas as aus congéneres porteiras e relatava uma súmula aos clientes que levassem pão num valor superior a 50 escudos. Uma vez, o marido da porteira, que era da GNR, afixou na entrada do prédio um papel azul de 60 linhas com selos fiscais e tudo, e escreveu à mão a frase «As órdes da porteira são para serem cumpridas». Depois desse dia nunca mais andei de elevador com a porta aberta
E foi essa padeira que, um dia, quando fazia comigo o rescaldo de um erro de um certo Dínamo de Kiev-Benfica, disputado na véspera (além de conhecer profundamente a vida dos meus pais e de toda a vizinhança, a padeira também sabia muito de futebol) me respondeu, na altura em que eu manifestei preocupação pelo facto de o Rui Águas ter partido um pé:
- Ai partiu? É que eu julgava que fosse fractura.
Foi nesse momento que eu decidi que ia escrever textos humorísticos, e que um dia haveria de inventar alguma coisa tão engraçada como «Ai partiu? É que eu julguei que fosse fractura». Ainda espero por esse dia. E é capaz de ser por isto, António, por tu teres vivido num subúrbio muito melhor que o meu, que hoje és um grande escritor e eu sou só um palerma. Assim não vale, pá.
Ricardo Araújo Pereira
Depois da crónica “Elogio do subúrbio” do António Lobo Antunes, que eu aqui postei ! Deixo-vos agora com o "mesmo subúrbio” (em tom de carta ao António), por: (RAP) Ricardo Araújo Pereira. Um subúrbio de hoje, que segundo o Ricardo, na época do António era bem mais bonito, e tinha gajas mesmo mesmo boas !
Boa leitura
Quando eu era pequeno também vivia em Benfica, António, mas já não vi nada do que tu contas. Nem quintinhas, nem casas baixas, nem o cheiro dos cabedais do sapateiro (a gente já nem ia ao sapateiro: quando os sapatos se estragavam, iam para o lixo - e o lixo, parecendo que não, tem muito menos graça que a loja do sapateiro, além de que cheira pior) nem senhoras beatas que transportam a Sagrada Família numa caixa, de casa em casa (aliás, no meu tempo, nenhum desconhecido nos visitava a casa, excepto três senhores encapuzados que, uma noite, passaram por lá. Mas também deviam ser gente religiosa porque, apesar de não trazerem a Sagrada Família, levaram um terço de prata da minha mãe) nem acácias, nem cegonhas, nem pavões,
Eu tinha a mercearia do senhor Fernando (a primeira vez que vi um rato foi na mercearia do senhor Fernando, uma ratazana grande e bonita, com um rabo muito comprido e ar feliz. Os produtos do senhor Fernando eram mesmo bons) um maluco que tinha sofrido um desgosto de amor no tempo em que não era maluco (maluco era o que nós lhe chamávamos. Tu, que és médico, provavelmente designá-lo-ias com um termo clínico qualquer, tipo « chalupa », ou assim) seja como for agora era maluco e dedicava-se a recolher papelão e ficava doido ( admitindo que os malucos podem ficar doidos ) sempre que alguém no bairro comprava um electrodoméstico, não saía da porta do prédio, à espera que deitassem fora a caixa de cartão
- Tem caixotes?
estava sempre a perguntar a quem encontrasse na rua
- Tem caixotes?
repara, António, que não te estou a imitar, não repeti a frase para obter qualquer efeito estilístico, o que se passa é que o maluco, coitado, era mesmo muito repetitivo
- Tem caixotes?
olha, lá está ele outra vez
(uma vez, o irmão do maluco, que não era maluco, descobriu que a mulher o enganava e deu-lhe um tiro. E o maluco contou a história e disse, com a sua voz arrastada de maluco:
- O meu irmão é maluco) e além do maluco havia também um bêbado, que dizem que era médico em S. José (uma vez parti a cabeça, fui de urgência para S.José e estive sempre à coca de ver se me aparecia o bêbado, não fosse ele amputar-me uma perna em vez de me coser a cabeça) e havia ainda a senhora da padaria, que acumulava as funções de padeira com porteira do meu prédio e chefe do centro de inteligência da rua. Reunia informações junto de todas as aus congéneres porteiras e relatava uma súmula aos clientes que levassem pão num valor superior a 50 escudos. Uma vez, o marido da porteira, que era da GNR, afixou na entrada do prédio um papel azul de 60 linhas com selos fiscais e tudo, e escreveu à mão a frase «As órdes da porteira são para serem cumpridas». Depois desse dia nunca mais andei de elevador com a porta aberta
E foi essa padeira que, um dia, quando fazia comigo o rescaldo de um erro de um certo Dínamo de Kiev-Benfica, disputado na véspera (além de conhecer profundamente a vida dos meus pais e de toda a vizinhança, a padeira também sabia muito de futebol) me respondeu, na altura em que eu manifestei preocupação pelo facto de o Rui Águas ter partido um pé:
- Ai partiu? É que eu julgava que fosse fractura.
Foi nesse momento que eu decidi que ia escrever textos humorísticos, e que um dia haveria de inventar alguma coisa tão engraçada como «Ai partiu? É que eu julguei que fosse fractura». Ainda espero por esse dia. E é capaz de ser por isto, António, por tu teres vivido num subúrbio muito melhor que o meu, que hoje és um grande escritor e eu sou só um palerma. Assim não vale, pá.
Ricardo Araújo Pereira
abril 11, 2007
Atenção: Fazer Dieta engorda !
“Dois terços das pessoas que fazem dieta ganham mais peso do que aquele que perderam em cinco anos” (estudo publicado na American Psy Journal)
"Come para viver, pois não vives para comer"
Meus Amigos(as), podem já largar as Dietas, os ginásios e as caminhadas, porque a vossa Gordura não tem cura. Julgam que estão no séc. XVI, onde a Gordura era Formosura !?
A fórmula “gordura é formosura” já passou à história !
Cuidem-se...não comam !
Ou sejam Felizes como as minhas Amigas !
“Dois terços das pessoas que fazem dieta ganham mais peso do que aquele que perderam em cinco anos” (estudo publicado na American Psy Journal)
"Come para viver, pois não vives para comer"
Meus Amigos(as), podem já largar as Dietas, os ginásios e as caminhadas, porque a vossa Gordura não tem cura. Julgam que estão no séc. XVI, onde a Gordura era Formosura !?
A fórmula “gordura é formosura” já passou à história !
Cuidem-se...não comam !
Ou sejam Felizes como as minhas Amigas !
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