maio 30, 2007
Memórias...

Em tempos atravessei imensas vezes, estas já seladas portas. Depois aguardava sentado nos bancos que já não existem, à espera do comboio que me ia levar até ao Porto. A tendência do olhar, fixava-se no Relógio da Estação. Pois era ele que marcava as chegadas e as partidas. A última partida foi às 12 horas, e a minha também. (Assim reza o Relógio )
In: Revelando (2005)
Porra, que saudades carago !!!
maio 29, 2007
Turistas...

Um inquérito feito a 15 mil responsáveis de hóteis europeus, organizado por uma agência que não interessa referir, revelou que os melhores turistas do Mundo são os Japoneses, os mais educados e simpáticos, seguidos dos Norte-Americanos. Na lista , mais abaixo ficaram os Franceses, Chineses, Russos e Britânicos. Em último lugar da lista, como seria de esperar, ficaram os Portugueses.
Pensamentos...
As pessoas que conheço perderam o sentido de humor.
As pessoas que vou conhecendo não o têm.
As pessoas que vou conhecendo não o têm.
maio 28, 2007
Leituras...

Falo de um homem que possuía livros de poemas. Foi talvez o único real leitor. Ele abria os livros, um livro. Escolhia um poema. Era um ritual misterioso. Porque ele raspava as letras da página, cuidadosamente, como para conservar a integridade do papel. Raspava e reunia os pedaços negros. Aquecia então água com o vagar próprio da vertigem. Uma estranha ciência de vapores. A infusão sucedia: a escura substância do poema misturava-se mais e mais com o fervor da água, até ao ponto em que tudo aquilo era vivo. O homem bebia então o poema e o poema flutuava no sangue, atingindo todos os lugares do corpo, reclamando todos os lugares do corpo. Não era previsível o efeito do poema. Cada poema dissolvido, sorvido, feito homem, trazia consigo uma possibilidade própria. O homem crescia com o poema, crescia mais para si, mais para o poema. O homem que possuía livros de poemas, possuía uma biblioteca em branco. Páginas e páginas de poemas arrancados sem vestígios, um crime perfeito. Era uma biblioteca poética. Uma biblioteca que podia arder.
In: "Omertà" Vasco Gato (2007)
Outro que vendeu a Alma...

Tenho uma história para vos contar, que tem muito de fantástica. Nesta história entra o Diabo, criatura odiada por todos vocês, mortais. Sempre dispostos a acreditar em Deus, e muito raramente no Diabo. Por isso se os senhores quiserem acreditem. Eu cá não tenho crenças nem certezas, nem fé. A crença e a fé, guardem-nas. Deixo que as certezas fiquem com os antropologistas, sociólogos, psicólogos e psicanalistas, etnólogos, políticos e outros tolos...
- Certa manhã estava eu a pensar na minha vida. Um aborrecimento mortal. Um tédio imenso. Diante do espectáculo do mundo, eu não reagia. Sentia-me vazio. A morte não me servia e a vida não me agradava. Queria outra vida, pensei então no Diabo.
- Nisto bateram-me à porta - Abri.
- Quem era ?
- O Diabo.
- Entrou sem cerimónia, deu umas voltas pela sala, sentou-se e perguntou: "Que queres de mim ?"
( Como gosto de vocês, e por não vos querer assustados, não vou prosseguir com esta história, prefiro que mantenham as vossas mentes, sãs e puras...)
Obrigado, até mais logo...
Distinção Dupla
maio 27, 2007
maio 26, 2007
maio 25, 2007
maio 24, 2007
Todas as noites...

- Todas as noites, à mesma hora, na mesma estação. Eu sentado na ponta do banco junto à paragem, e tu na outra ponta. Não nos conhecemos. Não nos falamos. Casualmente trocamos o olhar, um olhar muito breve, apenas para para nos certificarmos de que o outro está ali, sentado, na ponta do banco junto à paragem, à mesma hora de todas as noites. Dirás: “preciso de te saber ali” eu direi: “precisamos de nos saber ali”. Aguardamos o mesmo Metro. Procuras sempre a primeira carruagem, sentas-te na segunda fila do lado esquerdo junto à janela. Já reparaste que procuro sempre a primeira carruagem, e que me sento sempre na segunda fila do lado direito junto à janela ? Acredito que sim. Gosto de pensar que sim. Ambos os bancos sempre livres, como se estivessem reservados para nós, engraçado. Seguimos viagem. Sabias que de tanto te olhar aprendi o teu rosto ? Terás aprendido o meu ?
- A tua estação chega sempre mais cedo, eu prossigo mais 12 paragens até chegar ao meu destino, mas isso tu não sabes ! Sempre que sais deves ficar a pensar qual será a minha estação. Um dia se te deixares ir até ao fim da linha, ficarás a saber.
- Sentado na ponta do banco junto à paragem, à mesma hora de todas as noites, na mesma estação, e tu, há dez noites que não apareces, sim, são dez. Eu a procurar-te na outra ponta do banco, e a não te ver, eu à espera do (nosso) Metro, sozinho, eu a entrar na (nossa) primeira carruagem, a sentar-me no sítio de sempre, a olhar para o teu banco desocupado onde todas as noites aprendi um pouco do teu rosto, eu a olhar a estação em que sais sempre, e tu sem sair porque não estás, e eu a dizer-te sem que ouças (como sempre) “Até amanhã” e eu, mais 12 paragens.
- Amanhã e sempre, procurar-te-ei na ponta do banco junto à paragem, até que o Metro chegue...
maio 23, 2007
maio 22, 2007
O Relógio

-Ainda na sala perdura o relógio de parede com o seu bater cardíaco bem característico, com as badaladas vibrantes a anunciar as horas com mais de um século. Os ponteiros em forma de seta continuam a percorrer os grandes números, sempre, sem parar. Com a chave dupla volto a dar corda ao mecanismo, e aos ponteiros, para que não pare de : tic-tac tic-tac tic-tac (o ponteiro dos minutos marcava 7, antes de se partir) . Não adianta dar corda ao mecanismo dos humanos que já pararam, não funciona. Que tempo marcariam os ponteiros quando o dono se foi ? Gosto de pensar que foi a esta hora, com estes minutos precisos. Foi assim que o encontrei, numa rua, abandonado. Nunca soube se o dono foi também assim abandonado, em vida, ou mesmo depois dela...
Outra viagem...

Estou aqui sentado à espera, que as palavras venham ter comigo, antes que eu chegue à última paragem. Às vezes aparecem de repente ainda estou eu de pé, outra vezes só me visitam no fim da viagem, quando já farto de estar sentado, à espera. Quando assim acontece já é tarde. Tenho apenas uma hora, que é o tempo do trajecto, para alinhar as letras, formar palavras, e dar-lhes sentido como frases. Mas nada vem, ainda ! Começo a ver letras fáceis de dizer, a bailar no tecto da carruagem, como rimas perdidas num sotão qualquer. Continuam naquele bailado desorganizado sem me darem atenção. Sinto que têm alguma coisa para me mostrar, uma palavra, uma frase...mas não hoje. A viagem chega ao fim.
Amanhã tentarei de novo...
maio 21, 2007
Mais uma corrente...
Aqui fica a resposta ao desafio da Amla , para completar as palavras:
Quero: o repetir do teu mostrar
Tenho: de fazer algo de útil...
Acho: que se perde muito tempo a falar
Odeio: Nada ! Não gosto é de muitas merdas !
Sinto: que o tempo é curto...
Cheiro: o da manhã
Imploro: Nada
Procuro: Nada
Arrependo-me: Sim...
Amo: Abraços apertados e demorados.
Sinto dor: sempre que bato com a cabeça
Sinto a falta: de sentir...
Importo-me: que não me importe
Sempre: Não. Às vezes.
Não fico: nem quero !
Acredito: que o Mundo está uma cagada
Danço: mas não tenho jeito
Canto: só comigo
Choro: claro que sim ! (sabe bem )
falho: ainda...
Luto: Nada. Mas gosto da côr preta
Escrevo: mas ninguém percebe !!!
Perco: todas as semanas no Euro Milhões !
Confundo-me: Não. Confundem-me !
Estou: Trengo
Deveria: já disse lá em cima (ter mais tempo)
Sou: Isto...e pouco mais !
Não gosto: Que o Porto tenha sido Cãopiao !
Passo esta corrente aos primeiros cinco leitores que não comentarem !
Quero: o repetir do teu mostrar
Tenho: de fazer algo de útil...
Acho: que se perde muito tempo a falar
Odeio: Nada ! Não gosto é de muitas merdas !
Sinto: que o tempo é curto...
Cheiro: o da manhã
Imploro: Nada
Procuro: Nada
Arrependo-me: Sim...
Amo: Abraços apertados e demorados.
Sinto dor: sempre que bato com a cabeça
Sinto a falta: de sentir...
Importo-me: que não me importe
Sempre: Não. Às vezes.
Não fico: nem quero !
Acredito: que o Mundo está uma cagada
Danço: mas não tenho jeito
Canto: só comigo
Choro: claro que sim ! (sabe bem )
falho: ainda...
Luto: Nada. Mas gosto da côr preta
Escrevo: mas ninguém percebe !!!
Perco: todas as semanas no Euro Milhões !
Confundo-me: Não. Confundem-me !
Estou: Trengo
Deveria: já disse lá em cima (ter mais tempo)
Sou: Isto...e pouco mais !
Não gosto: Que o Porto tenha sido Cãopiao !
Passo esta corrente aos primeiros cinco leitores que não comentarem !
maio 20, 2007
OFERTA

Photo by: Toze
Por vezes,
[Penso],
Imagino-me desabrigado de mim.
Por vezes,
[Repito-me tanto,
Dirás],
Dispo-me de palavras
E venho até aqui.
Soberbo esta espécie de quarto onde estou,
Que tem uma varanda virada para aquela passagem
Que me leva a olhar os silêncios que colecciono.
Soberbo sentir
[pensar-te]
A imaginar coisas tontas
Impossíveis
Ou não,
[que sou louco,
[pensarás,
[e, serei],
Pouco importa.
Importa
Que te sei perto,
[o bastante]
Para te ver
Daqui a nada,
Quando te imaginares desabrigada de ti,
Te despires de palavras
E vieres até aqui,
Para escolher dos meus silêncios,
Um,
Ver-te guardá-lo,
Enquanto imaginas coisas tontas,
Impossíveis,
Ou não
[pensarei,
que és louca,
e, serás]
Pouco te importará.
Importa sim,
Que por vezes,
[pensamos]
Partilharmos silêncios,
Imaginarmos coisas tolas,
Faz de nós loucos,
[e seremos]
Mas,
[temos a certeza]
Que estamos juntos,
Que nos partilhamos,
Que habitamos muitas vezes no mesmo lugar,
Pois que me viste,
Há pouco,
A guardar da colecção dos teus silêncios,
Um,
A guardá-lo,
Enquanto imaginava coisas tolas,
Impossíveis,
Ou não…
Aqui,
Nesta varanda,
Em frente ao mar…
Por vezes,
Deliciamo-nos com tão pouco
Mas que é tanto,
Dás-te conta?
[Penso],
Imagino-me desabrigado de mim.
Por vezes,
[Repito-me tanto,
Dirás],
Dispo-me de palavras
E venho até aqui.
Soberbo esta espécie de quarto onde estou,
Que tem uma varanda virada para aquela passagem
Que me leva a olhar os silêncios que colecciono.
Soberbo sentir
[pensar-te]
A imaginar coisas tontas
Impossíveis
Ou não,
[que sou louco,
[pensarás,
[e, serei],
Pouco importa.
Importa
Que te sei perto,
[o bastante]
Para te ver
Daqui a nada,
Quando te imaginares desabrigada de ti,
Te despires de palavras
E vieres até aqui,
Para escolher dos meus silêncios,
Um,
Ver-te guardá-lo,
Enquanto imaginas coisas tontas,
Impossíveis,
Ou não
[pensarei,
que és louca,
e, serás]
Pouco te importará.
Importa sim,
Que por vezes,
[pensamos]
Partilharmos silêncios,
Imaginarmos coisas tolas,
Faz de nós loucos,
[e seremos]
Mas,
[temos a certeza]
Que estamos juntos,
Que nos partilhamos,
Que habitamos muitas vezes no mesmo lugar,
Pois que me viste,
Há pouco,
A guardar da colecção dos teus silêncios,
Um,
A guardá-lo,
Enquanto imaginava coisas tolas,
Impossíveis,
Ou não…
Aqui,
Nesta varanda,
Em frente ao mar…
Por vezes,
Deliciamo-nos com tão pouco
Mas que é tanto,
Dás-te conta?
Obrigado Cristalina
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