junho 29, 2007

O Tejo é mais belo...


Poema - Alberto Caeiro
Voz - Toze

junho 28, 2007

Desafio (texto II)

"No 52...já ninguém mora !"
Participem e divulguem
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No 52…já ninguém mora?

Desde que me conheço que passo por aquela rua.
Por isso, aquela casa faz parte do meu quotidiano. O 52, do Tio João do Barro.
Chamavam-lhe assim, porque das suas mãos, gretadas, mas hábeis, saíam, para a luz do dia, bonecos moldados em argila, que mais ninguém conseguia fazer.
Habituei-me a ver aquelas duas portadas, onde duas pequenas janelinhas, decoradas com umas ingénuas grades brancas, de voltas e reviravoltas, pareciam sorrir para quem por ali passava.
As portas estavam invariavelmente abertas, porque o Tio João do Barro fazia questão de as pessoas entrarem à vontade, para verem os seus bonecos.
Apenas para os verem, pois acho que nunca vendeu nenhum,
E ficava particularmente feliz quando havia crianças a admirarem as obras, exaltadas e animadas, perante a bizarria da maior parte delas.
-Olha aquela mulher tem bigode!
Ó Ti João, Há mulheres com bigode?
- Vê, aquele pássaro que tem dentes dentro do bico.
Ó Ti João, não pode ser!
E o velho João do Barro, ria, contente, e lá explicava à miudagem, que “aquilo eram coisas que lhe passavam pela cabeça”.
Mas um dia, ao passar por ali, vi, em frente daquela porta fechada, um ajuntamento de pessoas, que murmuravam, baixinho.
-Coitado do Tio João do Barro, tão boa pessoa.
-Foi de repente. Ficou-se como um passarinho, durante a noite.
A partir daí, nunca mais a porta se abriu.
Pouco a pouco, a casa foi-se degradando. Hoje caiu uma telha, amanhã um bocado de caliça.
A porta, foi mesmo apodrecendo, de tal modo que alguém, sei lá quem, para evitar que o interior começasse a ser devassado pelo pessoal do costume, pregou-lhe dois bocados de madeira, muito toscas, que deram à moradia, um ar ainda mais triste e abandonado.
Agora, já nem olho para aquela porta, pois sei que, no 52, já ninguém mora.
É o que dizem.
Mas, afinal, isso não é verdade.
Só eu sei que, à noite, espreitando pelas frestas da velha e estragada porta, é possível ver estranhas sombras bailando, ao mesmo tempo que se ouvem risos cristalinos e canções numa língua que ninguém compreende.
Só eu sei que os bonecos que o Tio João do Barro fez durante a vida inteira, tal como os bonecos de madeira do velho Gepeto, ali se reúnem, para relembrarem o autor dos seus dias.
Afinal, no 52, ainda moram o sonho e a saudade…

Texto enviado por: Peciscas

junho 27, 2007

Desafio as Palavras

"No 52...já ninguém mora !"
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Trabalhava na cidade, mas consegui arranjar uma casinha numa aldeia perto. Quando passei por aquela porta, apaixonei-me pela casa. A tia Maria alugou-ma. Adaptei-me bem à vida da Terra. À noite depois do jantar ia ao café, onde se encontravam todos. Foi assim que os fui conhecendo. Aos fins-de-semana, apareciam os que viviam na cidade e lá tinham casa. Já lá vivia há dois anos, quando o conheci. Não me lembro de quem mais estava na mesa. Sei que o vi chegar, mas desliguei de seguida. Era bastante mais novo. Dei por mim a falar com a Margarida e a dar atenção ao tom encantatório daquela voz; mais um pouco e o que dizia começou a interessar-me. Conversámos. Nunca mais deixámos de conversar.
Quando a conheci no café achei-a uma senhora interessante. Mais velha do que eu pr’aí uns dez anos; mal reparou em mim. Mas a meio da conversa despertei-lhe o interesse, não percebi porquê. Começámos a conversar. Nunca mais o deixámos de fazer. Era encantadora. Por ser mais velha tinha uma maneira de estar na vida, diferente de outras. Percebi que se tinha encantado comigo. Gostei de o sentir. Também eu estava encantado com ela. Mas era tão mais velha. A seu lado sentia-me um miúdo.
Durante a semana, telefonava-me todos os dias. Aquela voz encantatória, que me arrepiava, que me fazia sentir parte daquele céu estrelado….Um dia, em que tinha mais pressa e como a conversa ia a meio, acompanhou-me a casa. Percebi que valia a pena deixar-me ir, desde que me não esquecesse que a diferença de idades, provavelmente, não deixaria que durasse muito. Ficariam memórias, para sempre inesquecíveis. Um dia não telefonou. No dia seguinte, também não. Deixei-lhe uma mensagem a perguntar se estava bem, se alguma coisa tinha acontecido. O aperto no coração nunca mais passava, nunca mais me deixava. Pensava eu que me tinha preparado bem para este momento.Tudo se me tornou odioso.
Sem saber bem como, talvez por me sentir tão bem com ela, comecei uma relação que sabia me não levaria a lado nenhum. Quando estava com ela, era feliz, tinha paz. Mas não havia futuro. Um dia deixei de lhe telefonar. Deixou-me uma mensagem. Nada mais do que uma mensagem. Afinal, ela também percebia. Seis meses depois, sem a conseguir esquecer, decidi que tinha de a rever. Precisava dela. Precisava daquela paz. Quando cheguei vi a porta pregada. Alguém que passava disse: Aí, no 52....já ninguém mora!
texto enviado por: Marta

junho 24, 2007

Lembras-te ?

Sessão falhada...


Hoje fui ver uma sessão de cinema. Lá fui contrariado ver o Pirata das Caraíbas, porque àquela hora não havia mais nada. Escusado será dizer que saí a meio. Já não tenho paciência para estas palhaçadas ! (a não ser as palhaçadas da minha vizinha, mas isso é outra história)












Vou para casa rever o fabuloso "Dogville" isso sim, uma bela sessão !

O Labirinto de Fauno

Um dos melhores filmes que vi ultimamente

junho 23, 2007

Noite de S. João

Espero hoje conseguir dar uma martelada na minha vizinha...

Conversas com Agustina Bessa Luís


Eu: Como se faz um escritor ?
Agustina: Não se faz, nasce-se.
Eu: E para que servem os Workshops de escrita ?
Agustina: Servem apenas para os escritores.
Eu: Obrigado Agustina, estava à espera dessas respostas.
Sorriu e deu-me um Abraço...

junho 22, 2007

Última hora / Meteorologia das Pescas

“Se amanhã chover durante todo o dia, vai haver Sardinhas com fartura” (logo, mais barata a festa)

Boas festas...

Inquérito da DECO

Viseu, Castelo Branco, Aveiro, Bragança, Viana do Castelo e Braga são as melhores cidades para viver, enquanto Setúbal, Lisboa e Porto são as piores.

Castelo Branco não pode ser...aquilo é do piorio !!!

Divagando

Todas as conversas que na vida real nunca poderei levar a cabo, vão-se depositando no diário...

junho 21, 2007

Na véspera do dia dos meus anos

Texto - Encandescente
Voz -
Toze

Nietzsche

"Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia."

Ninguém



Estava um dia de chuva, com o sol à espreita, como quem não quer aparecer. A brisa de tão leve que era nem parecia vento, nem se ouvia . Na rua vazia o som da água a poisar no caminho. Entrei no café, procurei uma mesa ao canto, onde pudesse ver tudo à minha volta, sem que reparassem em mim. Cheguei mais cedo do que o combinado, talvez uma meia hora mais cedo. Ela chegou passada uma hora. Entrou calmamente, aproximou-se, pousou as chaves em cima da mesa, e sem me olhar desde que entrara, disse: "Estou cansada de ti". Respondi: "mais tarde ou mais cedo toda a gente se acaba por cansar dos outros" Não me olhou, disse Adeus e saiu, calmamente, tal como entrara. Acabei de tomar o café já frio, gelado, (como o Adeus) e saí, sem pressas. Entrei no carro, liguei o rádio, a ignição, arranquei em direcção a casa pelo caminho mais longo. Pelo caminho que nunca fizera. Pelo caminho que nunca esperaria fazer. Não tinha pressa. Hoje, também não tenho pressa . Quando chegar a casa, sei que não vou ter ninguém à minha espera !

junho 20, 2007

Já não há respeito !

Às tantas a minha ajudante diz:

"Enquanto eu sou gorda e feliz, você é magro e trengo"

(como não sou magro, não percebi !!!)

junho 19, 2007



Já tentei mais do que uma vez mas não sai. Não vale a pena forçar, porque não sai mesmo. Por vezes acontece tentarmos uma , duas, três e mais vezes, e Nada ! (Não, não estou a falar de Obstipação) . Tem-se a ideia daquilo que se quer, mas uma e outra ideia, surgem ao mesmo tempo, e aí, o atropelo, a confusão total ! Não é bem uma branca daquelas momentâneas, que logo logo passam, mas sim uma paleta recheada de palavras brancas, que duram à bastante tempo, e perduram numa espécie de labirinto. Talvez mais tarde consiga unir cores na paleta de palavras brancas, e construir tudo o resto. Talvez mais tarde, muito mais tarde...

junho 18, 2007