julho 02, 2007

Ser x estar

Desafio (Texto IX)

"No 52...já ninguém mora !"
Participem e divulguem
Enviem os vossos textos para:
O gato parou de repente e o rato aproveitou para fugir,
Fizeram o que faz toda a gente
Evitaram passar em frente,
Que daquele local, daquela soleira,
Nada de bom nunca viera ou houvera de vir.
No bairro de São Nicolau toda a gente conhece a Azinhaga do Mijo,
E a casa amaldiçoada fica no centro
Da antiga e outrora afamada Azinhaga,
Amedrontando quer homens quer bichos.
Mil e uma histórias se contam de boca em boca
Sobre o que aconteceu,
A quem àquela porta parou
E de como ficou
Quem àquela porta bateu.
Leonor costureira e Zé do Pêxe
Foram os últimos que lá moraram,
E foi a lascívia dela e os ciúmes do Zé
Que as pragas e maldições provocaram.
Um dia chegado da faina o Zé do Pêxe foi um banho tomar,
A mulher fazia um cortinado comprido
Com tanto e tanto tecido
Que dela só os braços e a cabeça
Dava para vislumbrar.
Do banho o Zé gritava:
- Oh mêlherrr aonde tá a porra da toalha?
Mas Leonor envolta no cortinado
Entretida e absorta
Não ouvia nada de nada.
Aparece na sala o Zé com o peixe de fora
Escorrendo água, zangado:
- Nã tenho toalha nem prra secarrr o pêxe.
Seco-me mesmo à merrda do corrtinado.
Leonor deu um grito mais que aflito:
- AI ZÉ! O CORRTINADO NÃO!
Mas já ele o puxara e ficara varado
Boquiaberto, o cu descoberto
Sentado
Caído no chão.
Debaixo dos panos de pernas abertas
Leonor estava nuinha em pêlo,
E entre as pernas escondia-se o rosto
Daquele ou daquela que a devorava
E de quem só se via o cabelo.
- Ah cabrra que m'apanhas no marr
E metes logo outrro gajo cá dentrroo.
E o Zé num repente pega no facalhão
E espeta-o nas costas da costureira
Que gostava de misturar
Que gostava de juntar
Trabalho com brincadeira.
Eis que de entre as pernas da já defunta
Um vulto gritando se ergueu,
Era a Cecília, beata convicta,
Mulher muito séria,
Mãe de cinco filhos,
Casada com o Matateu.
Cecília chorando e gritando arranca das costas do seu amor,
O facalhão que o maldito
Espetara tão fundo e tão mortalmente,
Como era agora a sua dor.
Tresloucada empurra o Zé num repente
Fazendo-o ficar caído no chão,
Agarra-lhe o peixe pelas guelras
Corta-o bem rente,
E agita no ar o facalhão.
E roga a praga que dita a sorte da casa
E lança para os ares a maldição:
- Todos os homês qu'aqui entrrarrem
Capados e êmpetentes, oh Zé do Pêxe
Como tu ficarrão.
E deitando-se junto à amada
Espeta no peito o facalhão.
Na Azinhaga do Mijo ecoa ainda a maldição,
E ao passar em frente à porta
Não há macho valente
Seja bicho ou seja gente,
Que não corra com medo de ficar impotente.
E quando quem do drama não sabe
Comenta olhando a soleira tão suja:
- Há gente muito porrca e com falta de cuidado.
Já virram a merrda, o lixo acumulado,
Ninguém alimpa aquela porra?
Há sempre alguém que baixinho, a medo,
Responde tremendo como que em segredo:
- Pssiuu…Nã fales tã alto. Nã m'alembres disso agorra.
O númarro 52 tá fechado,
Há muita tempo ninguém lá mórra.
Texto enviado por: Encandescente

Desafio (Texto VIII)

No 52… Já ninguém mora !

Quando fui morar para aquela rua antipatizei de imediato com aquela figura. Um homem, já idoso, que passava tardes inteiras à janela. Cataloguei-o de imediato como o "alcoviteiro" do bairro, aquele a quem não escapa o menor acontecimento. Claro que a mulher que tinha acabado de se mudar sozinha para o prédio perto do seu lhe aguçava a curiosidade mas, de início ignorei-o. Com o passar do tempo acabei por me habituar à sua presença constante na janela. Começou por me cumprimentar com um aceno de cabeça de cada vez que eu regressava a casa ao final de um dia de trabalho e, lentamente deixei-me conquistar pelo Sr. João – era este o seu nome. Aparentemente o Sr. João tinha o dom de adivinhar os dias em que eu chegava "menos bem", pois era precisamente para esses dias que reservava o elogio mais rasgado, o cumprimento mais efusivo. Aos poucos acabei por ficar a saber a história da sua vida, o passado de boémio e "bon vivant" ainda tão presente nos olhos marotos, a vida como ferroviário, o casamento, os filhos e os netos. Em resumo, o Sr. João tornou-se uma parte da minha rotina diária. Um dia, ao chegar a casa mais tarde do que era habitual, estranhei a janela fechada, as persianas corridas. Atribui o facto ao adiantado da hora e, porque tinha amigos à espera para um fim de semana prolongado, parti sem demoras e confesso, sem pensar mais no Sr. João. Quando regressei, 4 dias mais tarde, soube o porquê da janela fechada e da persiana corrida. O Sr. João tinha sofrido um AVC fatal, tendo falecido na mesma tarde em que lhe estranhei a ausência. Agora os meus finais de dia não têm a mesma cor, regresso a casa por um caminho diferente e mais longo. Porém, esse caminho evita que passe pela janela do Sr. João... Porque afinal, no 52... já ninguém mora!!!

Texto enviado por: Atlantys

Desafio (texto VII)

Passei naquela rua vezes sem conta, e sempre que passava no número 52, o aroma a café, o som do piano, faziam-me ficar sentada em frente, na soleira, a deliciar-me com a imaginação...
Imaginava que naquela casa vivia alguém tão belo como a música que entoava sempre que por lá passava, imaginava que ele tocava para a sua amada e que no fim ela lhe retribuía a gentileza com um beijo e um abraço. A minha família mudou-se e deixei de passar pelo número 52. Anos mais tarde conheci quem vivia no nrº 52 da rua de Santiago, a rua dos meus encantos. Era um casal já idoso mas cujo olhar transmitia paz, serenidade e uma bondade extrema. Hoje passei por lá e vi um letreiro “vende-se”... e chorei chorei... pois a música já não entoa, o aroma já não acorda os meus sentidos e no 52 já ninguém mora.

Texto enviado por: Psique

Divagações...

Falta-me tempo. Mas nem eu prório sei para que raio queria o tempo. Não sei o que faria com o tempo, se o tivesse !!

julho 01, 2007

Desafio (Texto VI)

Portas à vida

Fecharam-se os postigos da casa assolarada fruto de um amor ancestral, branca e azul anil pincelada a cal . A janela do quarto traseiro, nunca mais se abriu, nem se viu mais a luz trémula da candeia que sempre acompanhou as noites da nossa vida. As paredes gritaram em silêncio, não se escuta o som firme das horas a bater no relógio de parede colocado ao canto, o único som é um sopro leve de uma brisa gelada que afaga as cortinas de chita, cosidas por ti e ressequidas pelo sol que nos acompanhou os dias e os passos. Sobre a mesa esvoaçam os poemas e os livros que leste horas a fio. Fecharam-se as portas da vida para a rua.. No 52 já ninguém mora!

Texto enviado por: Ailéh

Reflexão...


Não incomodar...

Desafio (Texto V)

Ele há cada uma...

então é assim: o Tozé , sem o saber, descende de uma linhagem de grandes senhores feudais da zona ora abrangida por todo o território entre Póvoa e Braga. Ora como isto de senhores feudais já se perdeu nas brumas, por certo as mesmas ou similares, onde se perdeu o nosso El-Rei D. Sebastião, não tinha ele a mínima ideia, nem seus pais, ou os pais de seus pais, nem sequer os pais destes últimos e por aí fora. Se tal se deveu ao esquecimento dos ramos e laços familiares entre si, ou a fortes desavenças nunca mais comentadas, como é norma entre pessoas de bem, é coisa que agora será apurada, por natural curiosidade. Aconteceu que lhe apareceu, nada mais, nada menos do que um notário à porta, acompanhado de seu escrivão como noutros tempos se fazia, a entregar-lhes documentos lacrados, herança de terras, casa e baldios, testamentados da actualidade e acreditados, confirmados, com cartas reais, com reais lacres seladas , do reinado de D. Afonso VII. Ora o nosso amigo Toze, que é republicano, dono de seu nariz, opiniões e pouco mais que com o muito trabalho se alcança neste nosso país, desconhecia por completo este ramo, estes parentes nobres e ricos, que isto de heranças, bem o sabeis vós, era aos primogénitos que todo o património cabia e sempre cuidavam de que assim continuasse..Coisas de primogénitos e profundas cisões familiares frequentes na História que ora haverão de ser desvendadas. Não acreditou ele no que via e ouvia, para mais tendo-lhe batido dois distintos e, porque não dize-lo, algo emproados cavalheiros à porta, a contar-lhe esta fabulosa "história da carochinha". Enquanto os ouvia pos-se, pelo canto do olho, a rabiar, procurando as escondidas camaras da TV, porque, pensou ele sem a mínima sombra de dúvida: "está bem de ver que estou nos "APANHADOS"".Mas não! Não estava! Não está! Ele é que nos vai..."apanhando"....Como quem caça gambuzinos. Lança o isco e nós lá vamos. Contentes, deixando a imaginação correr e correr à desfilada...E esta herança comporta mais casas do que terras...Com as baixas rendas pagas pelos inquilinos,que envelheciam, desinvestiram os últimos dos seus desconhecidos antepassados da recuperação de algumas das casas - eis aqui o exemplo de uma das portas dessas moradias - o nº 52 da Rua do Dó Maior,sita na freguesia Aikdó,no concelho de Desconcerto Total, distrito Dessinfonizado em Todos os Tons.

Parabéns Tozé. Agora estás mais rico. Não fiques com dores de cabeça. O nº 52 está velho, revelho digo eu! A cair! Se te quiseres desfazer dela, casa, aceito-a de bom grado, ou podemos fazer uma venda a baixo custo e ficas com menos um dos 123 problemas que te desabaram em cima. QUE DIZES?

Texto enviado por: Amla

junho 30, 2007

A Dor

Texto - Elipse
Voz - Toze

Desafio (Texto IV)

Eu sentia que havia algo de anormal contigo, apesar de todos que te rodeavam dizer que eram coisas da minha cabeça. Não, não era e pus-me a caminho onde as portas foram abertas. Depois de seis longas horas bem penosas, rodeada por oito médicos, ironicamente 52 vezes picada teria que aguardar pelo veredicto: se o que tinha sido descoberto fosse através do sangue, não haveria nada a fazer, se fosse através das urinas teríamos mulher. Eras tão pequenina, tão indefesa e na saída sentei-me no último degrau de uma escadaria sem fim. Chorei e as minhas lágrimas molharam o teu rosto acalmando o teu gemer já que os teus bracinhos e calcanhares ficaram numa lástima! Apesar de não ter dormido durante quatro dias e quatro noites e agarrada à esperança de que tudo iria dar certo, esperava o alô dos vários contactos que dei. Trabalhei o dobro porque é no trabalho que carrego baterias. Ainda hoje é tão nítido o teu olhar meu amigo: Fatyly telefone...é para ti mulher e ainda hoje sinto o teu abraço por trás enquanto ouvia a frase mais bela que ouvi: venha amanhã de manhã, porque vamos ter MULHER! Desliguei, rodei e foi no teu peito que dei vazão a tanta dor sufocada e em peso a secção, advogados e directores envolveram-me numa bola humana! A família emudeceu porque viram que eu tinha tido razão. Os meus pais foram os únicos que estiveram sempre presentes. Para os exames e vistorias estava no hospital às 6 da manhã e o meu pai era quem ia buscar a neta ao Rossio e a trazia para o infantário. Da boca do pai nunca ouvi uma palavra amiga ou de força, nunca me acompanhou ao hospital, talvez tenha sido a forma que encontrou para o seu sofrimento interior. Nunca soube! Mas para ela ainda hoje o avô é recordado como o pai presente mas ausente que teve. Nunca faltei, mas se entrasse depois das onze, perdia o direito ao subsídio de almoço. Ao meu chefe (já falecido) devo os 15 ou 20 minutos que chegava atrasada. Foram doze anos bem penosos onde a maioria dos exames eram feitos bem perto do hospital, ironicamente no nº. 52. Tudo foi ultrapassado porque eu venci, tu venceste, eles venceram. Hoje, apesar de "baixinha" és linda e a segunda flor mais bela do meu jardim! És o amor do teu amor que é tão alto como alto é o teu sentido de simplicidade ao enfratares a vida.Voltei à rua que tantas vezes foi molhada por lágrimas e parei naquela porta que tão bem conhecia e com a mão pousada na mesma não me contive e chorei de olhos postos sei lá onde. Senti uma mão no meu ombro...desculpe minha senhora...no 52... já ninguém mora!

Texto enviado por: Fatyly

desafio (texto III)

No 52 já ninguém mora.
Pensa-se que alguém morou no 52.
Morou?
Viveu?
Uma família feliz até um dado momento.
Um momento, uma casa, alguém.
Agora já não.
Ninguém mora no 52.
Aliás, cheguei a pensar que não deveriam existir números como o 52.
Onde já ninguém mora.
Uma rua distante, de uma cidade amargurada e perdida em solidões de moradas inexistentes.
No 52 já ninguém mora.
Nunca morou.
Texto enviado por: Paula Raposo

junho 29, 2007

Doença da Literatura...

“A literatura permitiu-me sempre compreender a vida. Mas precisamente por isso deixa-me à margem dela”.

In: "Mal de Montano" de Enrique Vila-Matas

Diálogo...

Olívio – Que tipo de trabalho é que o teu pai faz ?
Berto – Trabalha numa fábrica.
Olívio – A sério, e a fábrica é como ?
Berto – De tijolo.
Olívio – Daquelas antigas com chaminé ?
Berto – Não, sem chaminé.
Olívio - Sem chaminé, portanto.
Berto – Ele vai lá todas as manhãs.
Olívio – E que horas chega a casa ?
Berto – À hora de ponta, claro.
Olívio – Cansado ?
Berto – Estafado !
Olívio – Coberto de pó ?
Berto - Podes crer.
Olívio - Então está bem. Assim é que é um pai a sério !


In: Fábrica do Nada de Judith Herzberg

O Tejo é mais belo...


Poema - Alberto Caeiro
Voz - Toze

junho 28, 2007

Desafio (texto II)

"No 52...já ninguém mora !"
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No 52…já ninguém mora?

Desde que me conheço que passo por aquela rua.
Por isso, aquela casa faz parte do meu quotidiano. O 52, do Tio João do Barro.
Chamavam-lhe assim, porque das suas mãos, gretadas, mas hábeis, saíam, para a luz do dia, bonecos moldados em argila, que mais ninguém conseguia fazer.
Habituei-me a ver aquelas duas portadas, onde duas pequenas janelinhas, decoradas com umas ingénuas grades brancas, de voltas e reviravoltas, pareciam sorrir para quem por ali passava.
As portas estavam invariavelmente abertas, porque o Tio João do Barro fazia questão de as pessoas entrarem à vontade, para verem os seus bonecos.
Apenas para os verem, pois acho que nunca vendeu nenhum,
E ficava particularmente feliz quando havia crianças a admirarem as obras, exaltadas e animadas, perante a bizarria da maior parte delas.
-Olha aquela mulher tem bigode!
Ó Ti João, Há mulheres com bigode?
- Vê, aquele pássaro que tem dentes dentro do bico.
Ó Ti João, não pode ser!
E o velho João do Barro, ria, contente, e lá explicava à miudagem, que “aquilo eram coisas que lhe passavam pela cabeça”.
Mas um dia, ao passar por ali, vi, em frente daquela porta fechada, um ajuntamento de pessoas, que murmuravam, baixinho.
-Coitado do Tio João do Barro, tão boa pessoa.
-Foi de repente. Ficou-se como um passarinho, durante a noite.
A partir daí, nunca mais a porta se abriu.
Pouco a pouco, a casa foi-se degradando. Hoje caiu uma telha, amanhã um bocado de caliça.
A porta, foi mesmo apodrecendo, de tal modo que alguém, sei lá quem, para evitar que o interior começasse a ser devassado pelo pessoal do costume, pregou-lhe dois bocados de madeira, muito toscas, que deram à moradia, um ar ainda mais triste e abandonado.
Agora, já nem olho para aquela porta, pois sei que, no 52, já ninguém mora.
É o que dizem.
Mas, afinal, isso não é verdade.
Só eu sei que, à noite, espreitando pelas frestas da velha e estragada porta, é possível ver estranhas sombras bailando, ao mesmo tempo que se ouvem risos cristalinos e canções numa língua que ninguém compreende.
Só eu sei que os bonecos que o Tio João do Barro fez durante a vida inteira, tal como os bonecos de madeira do velho Gepeto, ali se reúnem, para relembrarem o autor dos seus dias.
Afinal, no 52, ainda moram o sonho e a saudade…

Texto enviado por: Peciscas

junho 27, 2007

Desafio as Palavras

"No 52...já ninguém mora !"
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Trabalhava na cidade, mas consegui arranjar uma casinha numa aldeia perto. Quando passei por aquela porta, apaixonei-me pela casa. A tia Maria alugou-ma. Adaptei-me bem à vida da Terra. À noite depois do jantar ia ao café, onde se encontravam todos. Foi assim que os fui conhecendo. Aos fins-de-semana, apareciam os que viviam na cidade e lá tinham casa. Já lá vivia há dois anos, quando o conheci. Não me lembro de quem mais estava na mesa. Sei que o vi chegar, mas desliguei de seguida. Era bastante mais novo. Dei por mim a falar com a Margarida e a dar atenção ao tom encantatório daquela voz; mais um pouco e o que dizia começou a interessar-me. Conversámos. Nunca mais deixámos de conversar.
Quando a conheci no café achei-a uma senhora interessante. Mais velha do que eu pr’aí uns dez anos; mal reparou em mim. Mas a meio da conversa despertei-lhe o interesse, não percebi porquê. Começámos a conversar. Nunca mais o deixámos de fazer. Era encantadora. Por ser mais velha tinha uma maneira de estar na vida, diferente de outras. Percebi que se tinha encantado comigo. Gostei de o sentir. Também eu estava encantado com ela. Mas era tão mais velha. A seu lado sentia-me um miúdo.
Durante a semana, telefonava-me todos os dias. Aquela voz encantatória, que me arrepiava, que me fazia sentir parte daquele céu estrelado….Um dia, em que tinha mais pressa e como a conversa ia a meio, acompanhou-me a casa. Percebi que valia a pena deixar-me ir, desde que me não esquecesse que a diferença de idades, provavelmente, não deixaria que durasse muito. Ficariam memórias, para sempre inesquecíveis. Um dia não telefonou. No dia seguinte, também não. Deixei-lhe uma mensagem a perguntar se estava bem, se alguma coisa tinha acontecido. O aperto no coração nunca mais passava, nunca mais me deixava. Pensava eu que me tinha preparado bem para este momento.Tudo se me tornou odioso.
Sem saber bem como, talvez por me sentir tão bem com ela, comecei uma relação que sabia me não levaria a lado nenhum. Quando estava com ela, era feliz, tinha paz. Mas não havia futuro. Um dia deixei de lhe telefonar. Deixou-me uma mensagem. Nada mais do que uma mensagem. Afinal, ela também percebia. Seis meses depois, sem a conseguir esquecer, decidi que tinha de a rever. Precisava dela. Precisava daquela paz. Quando cheguei vi a porta pregada. Alguém que passava disse: Aí, no 52....já ninguém mora!
texto enviado por: Marta

junho 24, 2007

Lembras-te ?

Sessão falhada...


Hoje fui ver uma sessão de cinema. Lá fui contrariado ver o Pirata das Caraíbas, porque àquela hora não havia mais nada. Escusado será dizer que saí a meio. Já não tenho paciência para estas palhaçadas ! (a não ser as palhaçadas da minha vizinha, mas isso é outra história)












Vou para casa rever o fabuloso "Dogville" isso sim, uma bela sessão !