julho 19, 2007

De que é que vou falar !!

Uma folha de texto em branco à minha frente no monitor. 50 minutos passados, e continuo aqui sentado à espera que me venham as palavras. Devem estar lá ao fundo, escondidas...
Estar comigo, ficar...

Desafio (Texto XX)

No 52...já ninguém mora !

Já te disse!
No 52...já ninguém mora!
Desde que te foste
ficou vazia a casa
só cheiínha de ecos;
agora a porta
já não faz aquele ranger
De dobradiças sequiosas
como corações partidos
à espera dos "gatos" da loiça...
mas sei que pela calada da noite
alguém, vem chamar por ti
e chora...
talvez seja o vento
a passar pelas friestas
que foram alargando
como chinelos velhos
ou pelas vidraças partidas
que parecem bocas
na muda de primeira dentição...
ou talvez seja a saudade
daquele tempo fugaz
em que tu e eu
infantilmente, juramos
nunca deixar de andar
de mãos dadas!
Nunca mais lá morou ninguém
depois da tua partida
apenas o vento!
E, se ligaste por isso
creio que já dissemos tudo...
no 52...já ninguém mora
só o passado!...

Texto enviado por:
Maria Mamede

julho 17, 2007

Escritos de ontem...

"A democracia é um mecanismo que garante que nunca seremos governados melhor do que aquilo que merecemos"
(George Bernard Shaw)

Não merecemos, pois não ?

Nasceu bêbado !!!


Um bebé do sexo masculino nasceu "bêbado" na Polónia. A mãe deu entrada no hospital com uma ramada ( bebedeira) descomunal, o que levou os médicos a fazerem o teste ao recém-nascido. Com apenas 12 horas de vida, o bebé tinha no sangue uma taxa de álcool seis vezes superior à permitida por lei: 0,2 g (na Polónia). Um dos clínicos declarou que o bebé já estava bêbado mesmo antes de nascer. A taxa de álcool no sangue do recém-nascido, 1,2 gramas, corresponde a uma garrafa de vinho e dois litros de cerveja num adulto.
Agora o puto rejeita todo o tipo de leite que não seja o da Mãe, e já não se deve rir tanto...digo eu !

julho 16, 2007

A minha primeira experiência de pintura

Acrílico sobre tela

A minha música...

Bala-mensagem

"não pode ficar sentada no meio da passadeira, só se tiver mesmo morrido, está a atrapalhar o trânsito todo, olhe que há pessoas que querem ir para casa."

Desafio (Texto XIX)



No 52...já ninguém mora !

Quando por lá passo afasto os passos, como se me fosse ainda penoso espreitar os dias. Piores as noites, não as primeiras porque dessas ficaram raios de sol e búzios a murmurar segredos ao ouvido. Segredos bons, segredos do prazer aprendido a dois, rendição ao amor descoberto nos gestos novos, nos arrepios da pele sob os lábios inflamados, no gemer contido ainda pela estranheza do sentir.
Quando por lá passo preferia não passar. Não fosse este apelo dos passos a conduzir-me direita ao lugar de todas as coisas e eu fugia, escapava-me por entre a maré de memórias misturadas em azul e negro, os olhos baços perante as luzes intermitentes e ele a pedir-me perdão; e a ter de ir, de mãos presas e olhar assustado. Nada fazia sentido. Nada faz ainda sentido a não ser a impossibilidade da casa ser lar. Agora passo ao largo como se espreitasse não os búzios mas as pedras, as dores do frio das pedras a entranhar-se na memória. Passo de passos largos, a fugir de um aroma que se fez passado, a lembrar o dia em que o levaram dos meus braços; e as lágrimas em silêncio num pedido de desculpa surdo e côncavo.
No 52 já ninguém mora. Lá dentro, aprisionado pela tranca, ficou o amor. Não sei se resistirá ao mofo e ao silêncio.

Texto enviado por: Elipse

julho 15, 2007

Memórias...


Nunca sonhaste em ter uma casa no cimo de uma árvore ?
Em França, há uma empresa que realiza esse sonho. Depois do cliente imaginar o tipo de casa pretendida, um engenheiro agrónomo faz um diagnóstico da árvore escolhida para verificar a sua condição física. Em seguida estudam-se as condições climatéricas do local e só depois se procede à construção da cabana.

Vistas...



Resende 2007

O Tejo e a Ponte...



Lisboa 2007

Jardim Ary dos Santos


Foto tirada em: Santa Iria de Azóia 2007
Auto-Retrato
Poeta é certo mas de cetineta
fulgurante de mais para alguns olhos
bom artesão na arte da proveta
marciso de lombardas e repolhos.
Cozido à portuguesa mais as carnes
suculentas da auto-importância
com toicinho e talento ambas partes
do meu caldo entornado na infância.
Nos olhos uma folha de hortelã
que é verde como a esperança que amanhã
amanheça de vez a desventura.
Poeta de combate disparate
palavrão de machão no escaparate
porém morrendo aos poucos de ternura.
In: Ary dos Santos - Fotosgrafias 1970.

julho 14, 2007

Já fui...

mas não quiseram nada comigo !!!

Vou dormir...

Bom...

Tenho de ir...

Fiquem bem

julho 13, 2007

A coisa mais bonita...

A coisa mais bonita que vi até hoje, não foi uma cidade, nem uma mulher, nem duas, nem uma peça de teatro , uma pintura, um concerto, um monumento, nem a minha prima a sair do banho a cheirar a alfazema, nuazinha a sorrir-me. A coisa mais bonita que vi até hoje foram vinte milhões de euros nas minhas mãos ! Sim , vinte milhões. Depois acordei...e deixou de ser a coisa mais bonita que um dia eu vi !

julho 12, 2007

Leituras...

(...) Durante vinte e cinco anos um homem lê e escreve sobre arte sem perceber nada de arte. Durante vinte e cinco anos remói ideias alheias sobre o realismo, o naturalismo e todas essas tolices; durante vinte e cinco anos lê e escreve sobre coisas que as pessoas inteligentes já sabem há muito tempo e de que os tolos não querem saber - quer dizer, vinte e cinco anos a despejar do oco para o vazio. E ao mesmo tempo que presunção! Que pretensões! Reformou-se e ninguém o conhece, é um perfeito desconhecido; quer dizer que durante vinte e cinco anos ocupou um lugar que não era dele. Mas olha: caminha como um semideus! (...)

julho 11, 2007

Últimas aquisições literárias e...

Desafio (Texto XVIII)

Que estou a sangrar, diz ela...

Que estou a sangrar, diz ela, e pega-me na mão esquerda como se fosse uma criança com uma borboleta na palma da mão. Que não há problema, respondo, e é a primeira vez que o cheiro a maçã dos seus cabelos penetra no meu suor. Sou uma borboleta na mão dela, sim, com as asas cansadas e o pensamento esvoaçante numa voz acariciante. Apetece-me pousar nela, brandamente, até que o ar fresco da manhã seguinte me reabilite o corpo. Que estou a sangrar, diz ela, e ampara-me o corpo até uma pizzaria próxima. Avisa o empregado que vamos os dois entrar na casa de banho das mulheres porque eu estou ferido. Ferido, fico a pensar em como essa palavra é tão forte e fraca ao mesmo tempo. Ferido é alguém trepassado por uma bala perdida, alguém atropelado por um carro desgovernado, alguém electrocutado num poste de alta de tensão. Eu não, que apenas raspei os nós dos dedos duma mão enquanto ajudava uma mulher a mudar a roda do automóvel. Ela abre a torneira e mergulha a minha mão na água abundante. Deixo-me estar na condição de ferido, então, que dever ser obrigatória para ser socorrido por uma mulher tão bonita. Que estou a sangrar, diz ela, e tira da carteira alguns pensos que me vai pondo, um a um, nos dedos. Primeiro o indicador, depois o médio, depois o anelar. Que não tenho aliança, diz, e pergunta-me se é por não gostar de anéis. Quer saber a minha vida, e eu opto por lhe abrir a porta deixando-a encostada. Não gosto de portas escaqueiradas. Nunca gostei. Que não é por isso, sopro-lhe ao ouvido, e o cheiro a maçã intensifica-se. A cabeça dela encosta-se ao meu peito, só por um segundo, mas como se fosse um helicóptero desvasta a área provocando um mini-ciclone. Que estou a sangrar, diz ela, e alguém bate à porta da casa de banho. É o empregado e diz que temos que sair. Saímos mesmo, serpenteando as mesas da pizzaria enquanto os clientes nos atingem com o canto do olho. Que me leva a casa, diz ela, e pergunta-me onde vivo. No cinquenta e dois, respondo enquanto me sento no lugar do morto. Pergunta-me em que rua. Tanto faz, que não podemos entrar apesar de eu não usar aliança. Estou no lugar do morto e já percebo porquê. Sinto-me mesmo morto, de repente, e é tão abrupta a forma como a morte substitui a vida. Que estou a sangrar, diz ela, e se sangro não estou tão morto assim. Talvez esteja mesmo ferido, afinal. Ferido por tantos anos sem me aventurar num olhar, num abraço, num cheiro. Está ali uma porta número cinquenta e dois, diz ela, e conclui que com aquele ar abandonado ninguém deve estar à minha espera. Depois abraça-me. Que sim, pode ser naquele cinquenta e dois. Ali já ninguém mora.

Texto enviado por: Bagaço amarelo

desafio (Texto XVII)

Na manhã seguinte, mal se levantou, correu até ao baldio para rever o seu zíngaro; mas o acampamento estava desfeito. Apenas o velho 52, onde já ninguém mora, lhe provava que tudo não fora apenas um sonho.




Texto e imagem enviado por: (Re)nascido

julho 10, 2007

O Lado Bom do Nada

O que tem de bom não se entender Nada, é poder entender-se esse Nada como quiser !

Ainda sobre o Douro...

A C.M enviou duas fotos do Douro, diz que : "para abrir o apetite..."

Obrigado :)