agosto 07, 2007

Almas

Dizem que normal, o natural, é ouvir gente viva. Eu considero que o normal e natural, é ouvir gente viva e Almas mortas. As Almas mortas são mais sossegadas, falam mais devagar. Falam suavemente. Não levantam a voz, não viram as costas quando não são ouvidas e raramente se zangam. Só quando levadas ao extremo, e esse extremo quase não existe, aliás, não existe mesmo! Por isso são Almas maiores. Almas pequenas são as nossas, as dos vivos. Regra geral ninguém liga aos mortos. Mas eles também se sentem sozinhos, também têm sentimentos como todas as pessoas. Mas ninguém repara neles ou lhes presta atenção. E é para chamar a atenção que começam a habitar as casas e a mexer nas coisas durante a noite.
Não é para assustar, mas sim para que lhes prestem atenção, para que os ouçam. Não querem meter medo, apenas querem companhia. Tenho umas quantas Almas mortas a viver cá em casa. Só me irrito quando me escondem as chaves ou o comando da Tv, ou então quando começam com cantorias. Ao princípio atravessavam paredes e assustavam o papagaio, mas como nunca lhes dei grande importância deixaram de fazer isso. Querem, a todo o momento, a minha atenção. Habituei-os mal, julgam que tenho a vida deles. Três deles conheço-os porque fizeram parte da minha vida enquanto vivos, os outros foram chegando sem serem convidados.(Só podem ter sido convidados pelo Zé Pedro, já em vida aparecia lá em casa com gente que eu não conhecia de lado algum, e sem terem sido convidados. Enfim... Sempre que convidava o Zé P. tinha que contar com mais cinco ou seis pessoas) .
Como são boas Almas, não me incomodo, mas também convém não os incomodar, por isso uso apenas o candeeiro com a luz regulada no mínimo, para não tropeçar na sala, as Almas não gostam de muita luz. Sei, que se a Alma passar muito tempo na eternidade, triste, na solidão, constantemente ignorada, quando só o que quer é ser ouvida, ou que lhe resolvam um qualquer assunto inacabado, acaba, mais tarde ou mais cedo, por se tornar mal-humorada, e nessa altura, o melhor é sair-lhe da frente, melhor ainda é sair mesmo de lá para fora!, não vá alguma coisa cair-nos em cima da cabeça. Alguns são pura e simplesmente maus, mas não tanto como os vivos. Ouço gente viva, mas sobretudo Almas mortas...

agosto 06, 2007

Mensagem sem piada

"TMN - O seu saldo é inferior a € 0,50..."

Divagando...

"Há sempre alguém que está pior do que nós, especialmente os mortos mas nem todos!"

Nova Filosofia

"A partir de hoje só vou temer um dia de cada vez !"

Ámen...

“Ou o homem foi criado à imagem de Deus e Deus tem intestinos, ou Deus não tem intestinos e o homem não se parece com ele”

“A responsabilidade pela existência da merda incumbe inteiramente àquele que criou o homem e só a ele."

Milan Kundera, in "A insustentável leveza do ser"

agosto 03, 2007

Descanso em paz

Texto - Encandescente
Música - Rajrupa
Voz - Toze

agosto 02, 2007

Cirque du Soleil estreia em Lisboa

(Tenho todos os Shows em DVD, e finalmente vou ver ao Vivo)







"Delirium" estreará no Pavilhão Atlântico no dia 28 de Novembro na primeira de uma série de cinco apresentações até 02 de Dezembro naquela sala de espectáculos. A lotação será reduzida para sete mil lugares dado o aparato cénico do espectáculo.

Dia 1 de Dezembro estou lá à vossa espera na primeira fila !

agosto 01, 2007

Pára um pouco para pensar



Poema - Policarpo Nóbrega
Voz - Toze

Leituras...

"Começa mais um dia de trabalho em Amritsar. Ramchand está mais uma vez atrasado e corre pelas vielas em direcção a uma loja de saris situada no coração de um dos mais antigos bazares da cidade. É aí que passa os dias, entre o algodão do Bangladesh e as sedas de Benares, enrolando e desenrolando metros e metros de tecidos coloridos para as mulheres e as filhas das famílias endinheiradas. Órfão desde os seis anos, Ramchand tem agora vinte e muitos e é um solitário cuja vida gira à volta do trabalho. Mas a sua rotina sofre uma reviravolta inesperada quando é enviado a casa da família do empresário Kapoor para ajudar a sua filha Rina a escolher saris. Ramchand lida todos os dias com clientes ricos mas nunca tinha estado em casa de um deles, e, ao vislumbrar um mundo tão diferente do seu, descobre todo um novo horizonte de possibilidades. E assim, armado com um dicionário inglês, duas velhas gramáticas, um par de meias novas e uma barra de sabão, tenta recapturar a esperança que a sua infância tinha prometido. Mas o que o move não é a ascensão social ou a ambição; pela primeira vez na sua vida, Ramchand começa a olhar o mundo à sua volta com um olhar crítico em vez de aceitar tudo sem questionar. Mas está longe de imaginar que esse universo cintilante do qual quer fazer parte é um território cheio de luzes e sombras que testará a sua capacidade de sobrevivência."

julho 31, 2007

A cozinha de Roland Topor



"Certas donas de casa demasiado cozidas perdem o sabor e não são cómodas de comer. Vigie a cozedura: ao toque, a dona de casa deve apresentar uma consistência um nadinha mole."

julho 30, 2007

Frases de ontem...

"Portugal acabará por integrar-se na Espanha"
(José Saramago)

"Acredito mais em promessas eleitorais, do que em juras de amor !"
(Finurias)

"...o tal país que Saramago quer ver anexado. Não pode ser à Suécia ?!..."
(Rui Santos)


"Em dias especiais, o meu pai abria "O Inferno" de Dante e metia-me medo. Era uma festa "
(Agustina Bessa Luís)

(Signos) Touro

"A rotina poderá levá-lo a estados depressivos"
(como se eu não soubesse essa merda há mais de vinte anos !!!)

julho 29, 2007

Curiosidades...


" Le Bateau " de Henri Matisse , esteve exposto durante 47 dias no Museu de Arte de Nova Iorque, até que alguém notou que estava de cabeça para baixo. 120 mil pessoas já tinham admirado a tela quando o equívico foi apontado.


Pergunta: Qual é a tela que está de cabeça para baixo ?

julho 27, 2007

Memórias...

Venda de livros solidária


Livros novos e usados à venda a partir de hoje no Mercado do Livro, no NorteShoping. Organizado pelos Médicos do Mundo, com fim a angariar fundos para os projectos de apoio aos sem-abrigo e ao combate à solidão dos idosos. Até 2 de Agosto.

Boas compras

julho 26, 2007

Coisas da Vida...

Tenho pena de não ter conhecido nenhum dos meus Avós, já estava tudo morto quando nasci. Devo ter perdido muita muita coisa. Além de uma "herança", perdi também o não saber, o que é ser Neto, e isso não lhes perdoo. Agora que falo nisto, nem sequer me lembro dos nomes deles, aliás, acho que nunca soube !!!



"Nunca tenham filhos, tenham apenas netos"
(Gore Vidal)

A Frase...

"Nunca pensei ser apanhado, muito menos por Portugueses !"
(El Solitário)

julho 23, 2007

"Crónicas Portuguesas"

(Agrelos, Serra do Barroso 1981)
"Esta fotografia é de uma reportagem sobre as debulhadas. Era Verão fazia muito calor. Uma mulher que estava à janela convidou-nos a beber um copo de vinho. Disse-lhes que as ia fotografar e elas puseram-se nesta posição. São mãe e filha, e esta pôs o cão sobre os joelhos. Vi nele o filho que ela não teria. Foi algo perturbador: há uma evidência de pobreza, mas ao mesmo tempo uma dignidade impressionante." (Georges Dussaud)
Exposição retrospectiva do fotógrafo Georges Dussaud, a decorrer no Centro Português de Fotografia - Porto

Fotografando...








Boa Semana...

julho 21, 2007

Foda-se ou Mal de Montano...

Hoje acordei como Dostoievski nos seus cadernos do subterrâneo !

Renúncia

Se agora escrevesse,
Escreveria náusea
Escreveria vómito,
Escreveria vazio e esquecimento
Escreveria dor e sofrimento,
Escreveria partida
Escreveria silêncio
Escreveria mordaça.
Se agora escrevesse ver-me-ia nua
Veria a verdade dura e crua,
Se agora escrevesse doeria mais.
Por isso recuso à página a palavra
Recuso ao verbo a conjugação
Recuso à frase o enunciado,
E desprezo poesia e escrita
E maldigo infortúnio e fado
E renuncio ao futuro
E renego o presente
E olvido o passado.

Por: Bela Encandescente

Recuso, renego, desprezo, renuncio...e tudo !