Ruzante - (Aborrecido) Mah! Os amos deviam ser todos enforcados.
Menato - (Depois de uma pausa) Ó compadre! Vossemecê tem um capote mais comprido do que esta minha casaca de couro.
Ruzante - Já era assim quando o palmei a um vilão dos de lá, porque tinha frio, eu. Porra! São mesmo uns ursos ruins, os vilãos: por um quartilho são capazes de deixar um gajo a estrebuchar.
Menato - Ó compadre! Lá porque é soldado, não pense que já é da cidade.
Ruzante - Não, compadre. O que eu digo - quer-se dizer - o que eu quero dizer é que os daquelas bandas não são hospitaleiros como a gente da nossa terra. Vilão é quem faz vilanias, não quem mora nas vilas.
Menato - (Cheirando à sua volta) Merda, compadre! É impressão minha ou anda para aqui um cheiro esquisito?
Ruzante - Cheira a quê? Não é mau cheiro. É um cheirinho a feno. Há quatro meses que durmo num palheiro. Só lhe sei dizer que as camas não me...
Menato - (Interrompendo) Quieto, compadre. (Agarra qualquer coisa debaixo do capote com dois dedos) Acho que temos aqui um pintassulgo sem asas.
Ruzante - Não me venha com piolhos! Na tropa, as migalhas de pão, quando caem em cima, botam logo patas e bico e tornam-se piolhos. O vinho, quando o bebemos... (porque a gente quer sempre fazer mal, mas não se pode fazer todo o mal que se quer), faz nascer manchas e sangue ruim e sarna e crostas e tinha e pústulas por todo o corpo.
Menato - Estou a ver compadre, que vossemecê vem cheio. O que não pôde foi encher os bolsos como era a sua ideia: na pilhagem, não é verdade?
Ruzante - Mah! Eu? Não pilhei nem arrebanhei nada. Tive até que comer as minhas armas.
Menato - Chiça!? vossemecê ficou assim tão feroz que é capaz de comer ferro?
Ruzante - Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei, até vossemecê aprendia a comer ferro, botas e tudo (Batido na vida). Vendi-as pelas tabernas para comer, porque não tinha dinheiro.
Menato - Então não ganhava nenhum, quando fazia um prisioneiro inimigo?
continua...
novembro 22, 2007
Vamos ao Teatro (II)
Cena 2
Menato - (Surgindo) Compadre! Mas é mesmo vosemecê? Quem o havia de reconhecer? Está tão enfezado que parece um carapau seco. Nunca o teria reconhecido. Mas seja bem-vindo.
Ruzante - (Descendo) Enfezado, eu, compadre? Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei, não falava assim.
Menato - Vem agora mesmo da guerra? Ou esteve doente? Ou saiu da prisão? Tem muito mau aspecto, compadre. Parece um desses salteadores de estrada. Desculpe lá, compadre, não digo que tenha má cara como homem, percebe? Mas é que está pálido, podre, defumado. Puta de sorte, deve ter levado vida de cão.
Ruzante - (Grave) Compadre, é a ferragem que nos põem em cima que dá este mau aspecto. Tira-nos da carne aquilo que pesa. (Tira o capacete e coloca-o no chão) E depois, é beber-lhe mal e comer-lhe pior. Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei (suspira).
Menato - Porra, está a falar difícil, compadre. Mudou de língua: fala como os doutores.
Ruzante - (Batido na vida) Eh, compadre, quem corre mundo é como vê. E depois, onde eu estava os oficiais falavam assim. E sabe que mais? Se eu começasse a falar como os inimigos, então é que vossemecê não apanhava uma. Com o cagaço, aprendi a falar com eles num só dia. Poça, a arrogância com que dizem: "Filan, cavron, casalho, por sang thiu, foute darr cab carra".
Menato - (Impressionado) C'um escarepe os coma a todos. "Voute dar cabo da cara", entendo eu, compadre. Agora das outras palavras não percebi patavina. Explique lá isso melhor, ó compadre.
Ruzante - Com todo o gosto. "Filan" quer dizer vilão. Campónio, percebe? "Cavron" quer dizer cabrão. Cornudo. Um cabrão de campónio. "Casalho" uma casa de palha, porque vivemos em casas de palha. E "porr sang thiu" por amor de Deus, isto é, vivemos em casas de palha por amor de Deus.
Menato - Mentem com quantos dentes têm na boca. Custam-nos bem caras estas casas
continua...
Menato - (Surgindo) Compadre! Mas é mesmo vosemecê? Quem o havia de reconhecer? Está tão enfezado que parece um carapau seco. Nunca o teria reconhecido. Mas seja bem-vindo.
Ruzante - (Descendo) Enfezado, eu, compadre? Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei, não falava assim.
Menato - Vem agora mesmo da guerra? Ou esteve doente? Ou saiu da prisão? Tem muito mau aspecto, compadre. Parece um desses salteadores de estrada. Desculpe lá, compadre, não digo que tenha má cara como homem, percebe? Mas é que está pálido, podre, defumado. Puta de sorte, deve ter levado vida de cão.
Ruzante - (Grave) Compadre, é a ferragem que nos põem em cima que dá este mau aspecto. Tira-nos da carne aquilo que pesa. (Tira o capacete e coloca-o no chão) E depois, é beber-lhe mal e comer-lhe pior. Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei (suspira).
Menato - Porra, está a falar difícil, compadre. Mudou de língua: fala como os doutores.
Ruzante - (Batido na vida) Eh, compadre, quem corre mundo é como vê. E depois, onde eu estava os oficiais falavam assim. E sabe que mais? Se eu começasse a falar como os inimigos, então é que vossemecê não apanhava uma. Com o cagaço, aprendi a falar com eles num só dia. Poça, a arrogância com que dizem: "Filan, cavron, casalho, por sang thiu, foute darr cab carra".
Menato - (Impressionado) C'um escarepe os coma a todos. "Voute dar cabo da cara", entendo eu, compadre. Agora das outras palavras não percebi patavina. Explique lá isso melhor, ó compadre.
Ruzante - Com todo o gosto. "Filan" quer dizer vilão. Campónio, percebe? "Cavron" quer dizer cabrão. Cornudo. Um cabrão de campónio. "Casalho" uma casa de palha, porque vivemos em casas de palha. E "porr sang thiu" por amor de Deus, isto é, vivemos em casas de palha por amor de Deus.
Menato - Mentem com quantos dentes têm na boca. Custam-nos bem caras estas casas
continua...
novembro 21, 2007
Vamos ao teatro
"Falatório do Ruzante de Volta da Guerra"
Enquadramento histórico
O exército da República de Veneza fora desbaratado em 1509 na desastrosa batalha da Ghiara d’Adda, e serão os camponeses que, em 1515, recrutados em massa, irão salvar Pádua do cerco dos exércitos imperiais. As consequências são, porém, terríveis, resultando em fome, prostituição e outras calamidades.
Sinopse
Ruzante chega da guerra e desenvolve um monólogo, em que a condenação da guerra ressalta claramente. Depois surge o compadre, Menato, um camponês que adquira bens e posses. Trata-se de um diálogo em que Ruzante, perante o olhar de troça de Menato, vai fazendo descrições dos seus "feitos" e "heroicidades" na guerra. E perguntando ansiosamente pela antiga mulher, Nhua, que, com toda a evidência, é agora uma das prostitutas surgidas do êxodo camponês para a cidade. Nhua passa na rua e rejeita claramente Ruzante que nada tem para lhe dar, como anteriormente também não tinha grande coisa. Depois...
Sobe o pano, a peça vai começar !
Cena 1
Ruzante - (Sai ofegante do fundo e avança até quase ao proscénio. Vem lazarento e sujo, coberto de pó. Olha à sua volta, enxugando o suor que lhe escorre debaixo do elmo.) Ah! Até que enfim cá estou! Tinha mais vontade de aqui chegar, do que uma mula tísica e cheia de catarro tinha de trincar erva tenra. Vou pôr-me como novo. E vou-me fartar de gozar com a minha Nhua que veio p'ra cá fazer pela vida.
Raios partam as batalhas, a guerra, os soldados e os soldados e a guerra!
A mim é que eles não me apanham mais lá na frente! Nunca mais hei-de ouvir a barulheira dos tambores, nem das cornetas, nem os gritos de alerta...
Assim nunca mais vou ter medo, pois não?
Quando ouvia berrar "às armas" ficava como uma perdiz que tivesse apanhado uma chumbada no papo.E as espingardas e as artilharias...
Agora estou fora de alcance... só se me acertarem na peida! E cavar das balas?
Vou mas é dormir o que não dormi e comer até rebentar.
Porra, que quase não caguei em paz.
Ai, Senhora do Pópulo, cá estou eu são e salvo. Gaita, que vim depressa! Acho que papei mais de vinte léguas por dia. Pus-me em três dias de Tremona até aqui. Ah! Mas não é tão longe como isso! Dizem que de Tremona a Brecha são treze léguas. É um pulito! Nem chegam a seis. E de Brecha a Pixaria seriam para aí umas dez. dez? Nem pó! Aí cinco, se tanto. E quantas são de Pixaria aqui? Eu levei um dia. É versão de Pixaria aqui? Eu levei um dia. É verdade que andei a noite toda. Ah pois!Nenhum pato bravo voou tanto como eu andei. Virgem Santíssima, que bem me doem as pernas. Mas nem sequer estou cansado. (Deita-se) Chiça! Era o medo que me zurzia, foi o desejo que me trouxe. As botas é que pagaram. Vamos lá vê-las. (Observa as solas das botas uma de cada vez) Eu não te dizia? Que o cancro me coma! Estão a ver como fiquei sem uma sola? Foi isto que ganhei na guerra! Pois, pois que o cancro me coma. Mesmo com o inimigo no cu, não devia ter corrido tanto. Ganhei muito com isto. (Olha à sua volta) Bom, talvez por estas bandas consiga deitar as mãos a um par de botas, como fiz com estas que roubei a um vilão no campo de batalha. É verdade, quanto ao saque, não era mau ser soldado, o pior eram os cagaços que nos pregavam. Que se lixe o saque. Estou aqui são e salvo e mal acredito que seja eu. E se estivesse a sonhar? Era mesmo uma merda! Sei muito bem que não estou a sonhar.
Então não embarquei em Buzina? Pois se até fui à Senhora da Saúde pagar a minha promessa. E se eu já não fosse eu? E se eu tivesse sido morto na guerra e fosse só a minha alma penada? Havia de ser bonito! (Tira rapidamente da sacola um naco de pão e dá-lhe uma dentada) Não, c'os diabos, as almas penadas não comem. (Com a boca cheia) Sou eu e bem vivo. Assim soubesse onde encontrar a minha Nhua e o meu compadre, que também cá está! Agora, até a minha mulher vai ter medo de mim, carago. Tenho que lhes mostrar que me tornei um valentão. Seja como for, sou mesmo um valentão, que remédio tinha eu. O meu compadre vai fazer-me perguntas da guerra. C'um raio! Vou-lhe contar das boas. (Pausa; olha para o fundo) Mas parece-me aquele. É mesmo ele. Compadre! Ó compadre! Sou eu, Ruzante, o seu compadre!
Continua...
Enquadramento histórico
O exército da República de Veneza fora desbaratado em 1509 na desastrosa batalha da Ghiara d’Adda, e serão os camponeses que, em 1515, recrutados em massa, irão salvar Pádua do cerco dos exércitos imperiais. As consequências são, porém, terríveis, resultando em fome, prostituição e outras calamidades.
Sinopse
Ruzante chega da guerra e desenvolve um monólogo, em que a condenação da guerra ressalta claramente. Depois surge o compadre, Menato, um camponês que adquira bens e posses. Trata-se de um diálogo em que Ruzante, perante o olhar de troça de Menato, vai fazendo descrições dos seus "feitos" e "heroicidades" na guerra. E perguntando ansiosamente pela antiga mulher, Nhua, que, com toda a evidência, é agora uma das prostitutas surgidas do êxodo camponês para a cidade. Nhua passa na rua e rejeita claramente Ruzante que nada tem para lhe dar, como anteriormente também não tinha grande coisa. Depois...
Sobe o pano, a peça vai começar !
Cena 1
Ruzante - (Sai ofegante do fundo e avança até quase ao proscénio. Vem lazarento e sujo, coberto de pó. Olha à sua volta, enxugando o suor que lhe escorre debaixo do elmo.) Ah! Até que enfim cá estou! Tinha mais vontade de aqui chegar, do que uma mula tísica e cheia de catarro tinha de trincar erva tenra. Vou pôr-me como novo. E vou-me fartar de gozar com a minha Nhua que veio p'ra cá fazer pela vida.
Raios partam as batalhas, a guerra, os soldados e os soldados e a guerra!
A mim é que eles não me apanham mais lá na frente! Nunca mais hei-de ouvir a barulheira dos tambores, nem das cornetas, nem os gritos de alerta...
Assim nunca mais vou ter medo, pois não?
Quando ouvia berrar "às armas" ficava como uma perdiz que tivesse apanhado uma chumbada no papo.E as espingardas e as artilharias...
Agora estou fora de alcance... só se me acertarem na peida! E cavar das balas?
Vou mas é dormir o que não dormi e comer até rebentar.
Porra, que quase não caguei em paz.
Ai, Senhora do Pópulo, cá estou eu são e salvo. Gaita, que vim depressa! Acho que papei mais de vinte léguas por dia. Pus-me em três dias de Tremona até aqui. Ah! Mas não é tão longe como isso! Dizem que de Tremona a Brecha são treze léguas. É um pulito! Nem chegam a seis. E de Brecha a Pixaria seriam para aí umas dez. dez? Nem pó! Aí cinco, se tanto. E quantas são de Pixaria aqui? Eu levei um dia. É versão de Pixaria aqui? Eu levei um dia. É verdade que andei a noite toda. Ah pois!Nenhum pato bravo voou tanto como eu andei. Virgem Santíssima, que bem me doem as pernas. Mas nem sequer estou cansado. (Deita-se) Chiça! Era o medo que me zurzia, foi o desejo que me trouxe. As botas é que pagaram. Vamos lá vê-las. (Observa as solas das botas uma de cada vez) Eu não te dizia? Que o cancro me coma! Estão a ver como fiquei sem uma sola? Foi isto que ganhei na guerra! Pois, pois que o cancro me coma. Mesmo com o inimigo no cu, não devia ter corrido tanto. Ganhei muito com isto. (Olha à sua volta) Bom, talvez por estas bandas consiga deitar as mãos a um par de botas, como fiz com estas que roubei a um vilão no campo de batalha. É verdade, quanto ao saque, não era mau ser soldado, o pior eram os cagaços que nos pregavam. Que se lixe o saque. Estou aqui são e salvo e mal acredito que seja eu. E se estivesse a sonhar? Era mesmo uma merda! Sei muito bem que não estou a sonhar.
Então não embarquei em Buzina? Pois se até fui à Senhora da Saúde pagar a minha promessa. E se eu já não fosse eu? E se eu tivesse sido morto na guerra e fosse só a minha alma penada? Havia de ser bonito! (Tira rapidamente da sacola um naco de pão e dá-lhe uma dentada) Não, c'os diabos, as almas penadas não comem. (Com a boca cheia) Sou eu e bem vivo. Assim soubesse onde encontrar a minha Nhua e o meu compadre, que também cá está! Agora, até a minha mulher vai ter medo de mim, carago. Tenho que lhes mostrar que me tornei um valentão. Seja como for, sou mesmo um valentão, que remédio tinha eu. O meu compadre vai fazer-me perguntas da guerra. C'um raio! Vou-lhe contar das boas. (Pausa; olha para o fundo) Mas parece-me aquele. É mesmo ele. Compadre! Ó compadre! Sou eu, Ruzante, o seu compadre!
Continua...
novembro 18, 2007
Divulgação
Aos interessados
O trabalho da coordenação de segurança :
http://coordseg.blogspot.com/
O trabalho do técnico de higiene e segurança no trabalho :
http://seghig.blogspot.com/
O trabalho da coordenação de segurança :
http://coordseg.blogspot.com/
O trabalho do técnico de higiene e segurança no trabalho :
http://seghig.blogspot.com/
novembro 06, 2007
novembro 05, 2007
Licença sabática
"E como não vos posso levar a todos para a cama, fica o meu muito obrigada pelos últimos três anos em que por palavras e actos me acariciaram ." In: Chez Maria
Obrigado Maria
Obrigado Maria
novembro 04, 2007
A mulher quase toda bonita
"Era uma mulher bonita na generalidade. Porém, havia no seu corpo uma excepção. O olho esquerdo era feio. O direito não, mas o esquerdo era feio. Para não verem o seu olho esquerdo feio, a mulher mantinha-o fechado. Queria mostrar apenas as partes bonitas do seu corpo. Queria que tudo o que vissem do seu corpo fosse bonito. Por isso tapava a sua parte feia. Lógico. No seu bairro era conhecida como a mulher que seria bonita não fosse ter o olho esquerdo tapado."Gonçalo M. Tavares
Soneto
A maneira como me vejo aos 54 anos é practicamente a mesma com que me via aos 19. Aos 19 anos escrevi um soneto que me definia. É isto que eu sou :
"Eu sou metade de mim e um quarto do meu jogo. Sou um quinto do meu sim e um décimo do meu fogo. Não sei o que sou, ou talvez saiba o que quero e não queira. Sou pastor, sou cão ou rês, de um rebanho sem bandeira. Benditos os que sabem o que são, ou julgam ficar neles, a razão que dá vida à morte da verdade. Para mim, será sempre o mesmo trilho, serei um incansável andarilho, em busca de um amor, de uma ansiedade."
Vergílio Castelo, (parte da entrevista) in: Pública
"Eu sou metade de mim e um quarto do meu jogo. Sou um quinto do meu sim e um décimo do meu fogo. Não sei o que sou, ou talvez saiba o que quero e não queira. Sou pastor, sou cão ou rês, de um rebanho sem bandeira. Benditos os que sabem o que são, ou julgam ficar neles, a razão que dá vida à morte da verdade. Para mim, será sempre o mesmo trilho, serei um incansável andarilho, em busca de um amor, de uma ansiedade."
Vergílio Castelo, (parte da entrevista) in: Pública
Amor (maldito)
"Amava todas as coisas, mas como amava todas as coisas não conseguia dar atenção a nenhuma individualmente. Morreu odiado."
Gonçalo M. Tavares
Gonçalo M. Tavares
novembro 02, 2007
O fim de Solomon Grundy
"Nasceu numa segunda
Batizou-se numa terça
Casou-se numa quarta
Adoeceu numa quinta
Piorou numa sexta
Morreu num sábado
Enterrou-se no domingo"
Batizou-se numa terça
Casou-se numa quarta
Adoeceu numa quinta
Piorou numa sexta
Morreu num sábado
Enterrou-se no domingo"
Homero, na sua Ilíada:
"Eia, meu amigo, morre tu também!
Por que lamentas a sorte?
Também morreu Pátroclos, que valia
muito mais que tu!"
Por que lamentas a sorte?
Também morreu Pátroclos, que valia
muito mais que tu!"
outubro 29, 2007
outubro 28, 2007
Domingo (encravado)
" Como um filme que não avança, a fita terá encravado, mas não se sabe bem de que forma nem de que fita se tratava. Que tecnologia seria aquela ? O certo é que há meses que ninguém conseguia sair daquele Domingo. "
Gonçalo M. Tavares
Gonçalo M. Tavares
Hoje é Dia Mundial da Terceira Idade

Eles dão conta do que gostariam de ver acontecer nas suas vidas :
"O meu maior sonho era ter uma casinha com um quintal para plantar salsa e coentros"
Joaquim Dias Diogo, 72 anos
"A primeira coisa que fazia era aumentar as pensões. E depois dava muito carinho, muito amor... Porque os idosos são como as crianças: precisam que olhem para eles com amor"
José Barros, 84 anos
"A única coisa de que preciso é de tempo: queria que o dia tivesse 48 horas para fazer tudo o que me pedem. Para já continuo a trabalhar, a dar conferências e a viajar. Só não consigo ver muito bem o número das portas do Terminal 2 do Aeroporto da Portela, porque os puseram em contraluz. Mas isso não é da idade: ninguém consegue"
Daniel Serrão, 80 anos
"Um 25 de Abril para o povo. E ter médico quando preciso"
Francisco Palminha Franco, 80 anos
"Vou morrer com o desgosto de não ter ido para a escola. Mas o que eu gostava mesmo era de ter um emprego. Continuo a trabalhar muito, mas já ninguém me dá emprego"
Alzira Gonçalves Ferreira, 79 anos
"Há muitos velhos que estão abandonados. Devia haver quem os visitasse em casa uma ou duas vezes por semana, quem os levasse a passear ou a beber um chazinho no café"
Maria do Rosário Fernandes, 79 anos
"Tenho em preparação um livro que resume todos os meus desejos e que se chama O Meu Único Infinito É a Curiosidade. O meu único desejo é continuar curioso. Quando me perguntam a idade, eu respondo, e respondo sempre com verdade, que depende da hora do dia"
Miguel Veiga, 71 anos
"Ser feliz"
Elvira Josefa Mendonça, 73 anos
"Ter divertimentos, para sairmos de manhã e só voltarmos para casa à tardinha. Não temos distracção nenhuma"
Maria Alice Firmino, 84 anos
"Uma pessoa que me fizesse companhia, porque eu sou sozinha dia e noite"
Idalina Miranda, 86 anos
"Ter menos idade. Só queria ter uns 70..."
Emília Cardoso, 87 anos
"Gostava que me arranjassem a rua, que está indecente. Até aqueles que andam bem têm medo de cair, quanto mais eu"
Dinah Baptista, 92 anos
"Alguém que fizesse as compras ou pudesse ajudar os mais velhos a fazer as compras. Gratuitamente ou mesmo pagando. Isso era fantástico, porque os sacos são uma coisa muito pesada"
Maria da Conceição Moita, 70 anos
"Não queria morrer sem ir à Madeira"
Maria Adelaide Carvalho, 72 anos
"À Madeira já fui. Agora era aos Açores..."
Maria Beatriz Tavares, 80 anos
"Que cuidassem mais das pessoas de idade. A atravessar a rua, numas escadas, a entrar num transporte - ninguém ajuda, ninguém dá uma mãozinha"
Leonor Serafim, 79 anos
"Devia haver uma preocupação de todas as pessoas em ajudar os mais velhos a ter uma vida mais digna"
Lucinda Carvalho, 86 anos
"Uma pessoa que me desse apoio em casa. Sou viúvo há 17 anos. Já viu o que é não ter ninguém que diga assim: deixa lá ver se esta alma está morta... ou se precisa de uma camisa lavada ?"
Abílio Augusto Moiço, 86 anos
"Nada"
Finurias (Pai) , 70 anos
"O meu maior sonho era ter uma casinha com um quintal para plantar salsa e coentros"
Joaquim Dias Diogo, 72 anos
"A primeira coisa que fazia era aumentar as pensões. E depois dava muito carinho, muito amor... Porque os idosos são como as crianças: precisam que olhem para eles com amor"
José Barros, 84 anos
"A única coisa de que preciso é de tempo: queria que o dia tivesse 48 horas para fazer tudo o que me pedem. Para já continuo a trabalhar, a dar conferências e a viajar. Só não consigo ver muito bem o número das portas do Terminal 2 do Aeroporto da Portela, porque os puseram em contraluz. Mas isso não é da idade: ninguém consegue"
Daniel Serrão, 80 anos
"Um 25 de Abril para o povo. E ter médico quando preciso"
Francisco Palminha Franco, 80 anos
"Vou morrer com o desgosto de não ter ido para a escola. Mas o que eu gostava mesmo era de ter um emprego. Continuo a trabalhar muito, mas já ninguém me dá emprego"
Alzira Gonçalves Ferreira, 79 anos
"Há muitos velhos que estão abandonados. Devia haver quem os visitasse em casa uma ou duas vezes por semana, quem os levasse a passear ou a beber um chazinho no café"
Maria do Rosário Fernandes, 79 anos
"Tenho em preparação um livro que resume todos os meus desejos e que se chama O Meu Único Infinito É a Curiosidade. O meu único desejo é continuar curioso. Quando me perguntam a idade, eu respondo, e respondo sempre com verdade, que depende da hora do dia"
Miguel Veiga, 71 anos
"Ser feliz"
Elvira Josefa Mendonça, 73 anos
"Ter divertimentos, para sairmos de manhã e só voltarmos para casa à tardinha. Não temos distracção nenhuma"
Maria Alice Firmino, 84 anos
"Uma pessoa que me fizesse companhia, porque eu sou sozinha dia e noite"
Idalina Miranda, 86 anos
"Ter menos idade. Só queria ter uns 70..."
Emília Cardoso, 87 anos
"Gostava que me arranjassem a rua, que está indecente. Até aqueles que andam bem têm medo de cair, quanto mais eu"
Dinah Baptista, 92 anos
"Alguém que fizesse as compras ou pudesse ajudar os mais velhos a fazer as compras. Gratuitamente ou mesmo pagando. Isso era fantástico, porque os sacos são uma coisa muito pesada"
Maria da Conceição Moita, 70 anos
"Não queria morrer sem ir à Madeira"
Maria Adelaide Carvalho, 72 anos
"À Madeira já fui. Agora era aos Açores..."
Maria Beatriz Tavares, 80 anos
"Que cuidassem mais das pessoas de idade. A atravessar a rua, numas escadas, a entrar num transporte - ninguém ajuda, ninguém dá uma mãozinha"
Leonor Serafim, 79 anos
"Devia haver uma preocupação de todas as pessoas em ajudar os mais velhos a ter uma vida mais digna"
Lucinda Carvalho, 86 anos
"Uma pessoa que me desse apoio em casa. Sou viúvo há 17 anos. Já viu o que é não ter ninguém que diga assim: deixa lá ver se esta alma está morta... ou se precisa de uma camisa lavada ?"
Abílio Augusto Moiço, 86 anos
"Nada"
Finurias (Pai) , 70 anos
outubro 27, 2007
Há uma gente...
outubro 26, 2007
outubro 25, 2007
Leituras
"- Acredito na tua sinceridade mas acho estranho, meu filho, que tenhas permanecido em Avintes. Depois da sinistra tarefa, seria natural que tivesses partido.- Roubaram-me o carro, padre.
- Porra, meu filho, és um azarento do caraças. Roubaram-te o carro e vens confessar-te a mim que não sou padre.
- Não me diga !
- Digo, digo !
- Que estúpido! Bolas, como sou estúpido.
- É verdade. Não deixei de apreciar o teu arrependoimento, mas diz-me: que posso eu fazer ?
- Vai matar-me, calculo .
- Não sei. A minha ideia é dar-te com uma broa de Avintes nos cornos e seja o que Deus quiser.
- Acho justo, padre.
- Vai chamar padre à tua tia."
Excerto "O Código D'Avintes" pág. 215/216
Lição

Caralho designava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas, também conhecida como gávea. Era do Caralho que se avistavam novas terras. O Caralho era também um lugar de castigo para os marinheiros que violavam as normas a bordo, eram então obrigados a ficar horas ou dias no Caralho. Quando desciam, a má disposição era tal que ficavam mansos que nem cordeiros ! Daí a expressão: "Vai pró Caralho"
outubro 23, 2007
Estudo (comentários)
"As mulheres falam mais porque são mais poéticas e por isso expõem as ideias com mais palavras." by: maria_árvore
"Nós, homens, até falamos mais que as mulheres, só que é mais pela calada..." by: Lino Centelha
"Nós, homens, até falamos mais que as mulheres, só que é mais pela calada..." by: Lino Centelha
outubro 21, 2007
Estudo
Os dados indicaram que, ao longo de um período médio de 17 horas de vigília, as mulheres falam 16.215 palavras, em média, contra 15.669 dos homens. No mesmo estudo o menos falador (500 palavras ao dia) o mais falador (45.000).
(Afinal é verdade que elas falam mais...ou demais)
Mas aturar alguém capaz de falar 45.000 palavras, é preciso ter estofo, livra !!!
Hoje seguramente falei muito abaixo das 500 palavras !
Mas geralmente não passarei das 5.000, o que já acho um exagero !
(Afinal é verdade que elas falam mais...ou demais)
Mas aturar alguém capaz de falar 45.000 palavras, é preciso ter estofo, livra !!!
Hoje seguramente falei muito abaixo das 500 palavras !
Mas geralmente não passarei das 5.000, o que já acho um exagero !
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