novembro 30, 2007
Desafio (texto V)
Meus queridos Filhos
Quando lerem esta carta, é porque, finalmente, vos deixei, é porque morri!
Já velha, mas a cabeça ainda a pensar bem, apesar de sempre cochicharem pensando que já não vos ouço ou não vos percebo, porque bem sei que esses ares paternalistas, querem dizer que pensam que estou surda ou ainda pior que estou senil.
Ah! Os médicos de hoje não usam a palavra senil, os parvos! Preferem a palavra demente.
Mas quem se atreverá a dizer que estou louca? Qual de vocês cheio de ganância absoluta, se atreverá a dizer que estou louca? Quando virem o testamento? Ou já o rasgaram? Chamo-lhe testamento porque são as minhas últimas vontades, mas não foi feito em notário. Já não tinha forças para tanto.
No fundo do cofre encontrarão algumas cartas que guardei como prova de que houve tempos diferentes, em que me amaram. Espero que as deitem fora, porque já nada têm a ver convosco.
Não as leiam, já nem sequer vale a pena, porque onde estão hoje em dia, já não há volta a dar.
Mas no fundo de tudo, por baixo de todos os papéis, deixo-vos a fotografia da minha mão já velha, tão velha, já tão cheia de rugas e de amargura, segurando uma fotografia tirada nos anos da Joana. Deixo-vos essa fotografia, no dia que tu Joana, fizeste 8 anos, em que tu Emílio tinhas 6, em que tu Carlos estavas quase com 4 e que tu Ana já tinhas feito os dois anos.
Deixo-vos essa fotografia, talvez para me justificar, talvez para vos relembrar que fui vossa mãe, que vos amei, que fui eu que de vós cuidei.
O exemplo que dais aos vossos filhos conta mais que qualquer palavra, que qualquer lição, que qualquer ensinamento. Olhem para trás das vossas costas, reparem nos olhares predadores dos vossos filhos, e não vos esqueçais do ditado antigo, tão antigo, mais velho que eu:
Filhos e Filhas sois,
Pais e Mães sereis
Assim como fizerdes
Assim achareis!
Por: Marta
Desafio (texto IV)
Quantos anos se passaram
quanto tempo
da foto feliz quantas emoções
imagens e vidas
desenrolaram
em finais imprevisíveis.
Guardaste a foto, avó,
para eu recordara tua presença
sempre em mim
para saber das tuas mãos
a voz da sensibilidade.
Quanto tempo?
Quantos anos?
Mil emoções...
Por: Paula Raposo
quanto tempo
da foto feliz quantas emoções
imagens e vidas
desenrolaram
em finais imprevisíveis.
Guardaste a foto, avó,
para eu recordara tua presença
sempre em mim
para saber das tuas mãos
a voz da sensibilidade.
Quanto tempo?
Quantos anos?
Mil emoções...
Por: Paula Raposo
Desafio (texto III)
"Abro mão do meu Mundo"
Nesta mão tenho o meu Mundo, para sempre meu.
Guardo-os e protejo-os.
Com esta mão segurei-os e deixei-os ir.
Tristeza?! Há quem diga...
Reparem! Olhem como são belos! Mas o que mais importa???
Fecho a mão, a mão que encosto ao coração.
Com esta mão benzo-me e despeço-me
Como é belo o meu Mundo, até para uma pobre de uma só mão!
Por: Maryline " a fadista"
Nesta mão tenho o meu Mundo, para sempre meu.
Guardo-os e protejo-os.
Com esta mão segurei-os e deixei-os ir.
Tristeza?! Há quem diga...
Reparem! Olhem como são belos! Mas o que mais importa???
Fecho a mão, a mão que encosto ao coração.
Com esta mão benzo-me e despeço-me
Como é belo o meu Mundo, até para uma pobre de uma só mão!
Por: Maryline " a fadista"
novembro 29, 2007
Desafio (texto II)
A cor de um momento
A memória já não é o que era. Até para pensar esta banalidade sentiu que o esforço feito era do tamanho dos anos sem-fim que cobriam o corpo em forma de quarto minguante.
O grão da imagem trazia até si lembranças de outras épocas. Os nomes surgiram-lhe como que saídos de um nada que transportou durante tanto tempo dentro de si. Era a mais velha, mas sobreviveu ao tempo, aos amigos e ao acumular de dias e noites que a transpuseram.
Agora sim lembrava aquela tarde de Verão com uma nitidez que a surpreendeu. Como o poderia esquecer?!? Foi a sua primeira festa de anos (seis ou sete, já não tinha a certeza) e reviu-se orgulhosa no seu vestido novo, de um rosa sem mácula e com um cone colorido a sorrir-lhe na cabecita. Tinha apagado do seu peito as lágrimas que se lhe ofereciam, envoltas num transparente papel de tristeza, em todos os aniversários anteriores. Hoje, apenas contava o bolo cremoso, as prendas cheias de fitas e laçarotes e os poucos amigos que lhe cantavam os parabéns. Juntos viviam felizes a primeira festa que partilhavam e prometeram que seriam sempre uma parte de todos os outros. A um canto os pais agradeciam comovidos à madrinha que da cidade grande levou os sonhos em formas de presentes para aquela menina que mal conhecia. A festa acabou, mas a ilusão de que a felicidade era possível permaneceu para sempre, mesmo quando os olhos não conseguiam admirar os raios de sol de tão cabisbaixos que andavam na terra que era preciso cultivar. Cresceu entre os montes imutáveis, as cores da natureza e com os amigos de sempre. Mas, a vida levou-os para caminhos diferentes e traçou-lhes destinos opostos…encontros fugazes, palavras mal traçadas acompanharam os anos que passaram uns após outros. A separação transformou-os em pessoas diferentes, cobriu de eras as lembranças de outros tempos, até que a Teresa lhe ligou a dizer que a Maria estava em coma no hospital.
Sentiu o rosto quente, humedecido por duas lágrimas que traçaram caminho até à camisola de algodão. Todos os dias prometia, a si mesma, que lhe ia ligar. Sabia que de todos ela era a mais carente mas nunca chegou a marcar o número…havia sempre algo mais importante para acabar e, afinal, "ela estaria lá amanhã"!
Atirou o casaco, com uma raiva contida, para o banco traseiro do seu carro e voou, apática, até ao hospital. Eles já lá estavam com o ar culpado de quem achava que o amanhã é sempre futuro.
A Maria era a mais nova e o seu sorriso permanente acompanhou-os durante a fase inicial das suas vidas. Souberam o como e o porquê, mas o vazio que se instalou entre todos eles permaneceu. Era preciso voltar ao passado, lembrar a promessa feita para acompanhar a doença da Maria. Não chegou a abandonar a cama do hospital, mas abriu os olhos para juntar as suas mãos e, com o seu sorriso, uni-los mais uma vez.
A vida passou por todos, sem o peso da solidão de outrora. A tempestade cessou, o vento soprava cálido como uma carícia em fim de tarde de Verão a abraçá-los um a um.
Dividiram os seus dias numa soma de afectos que impediu o crescer de um abandono que ameaça inundar as suas vidas.
Havia um sorriso calmo e sereno em todos os rostos de que se despediu. Ela foi ficando com sulcos vincados como uma rota traçada no mapa que era a sua pele, com névoas de Inverno a enganarem os olhos cansados e o esquecimento a esculpir o vazio que paulatinamente a invadia.
Olhava as mãos cheias de negritude, cobertas com a cor de um momento antigo, em forma de uma foto perdida no baú das lembranças. A fuga tinha sido lenta, mas dolorosa, os que receberam o seu nome e em quem corria o seu sangue esqueceram-na, como ela se foi esquecendo dos nomes, dos rostos, das situações…de si mesma.
A doença apanhou-a desprevenida e cobriu-a com as suas garras.
Por vezes, tentava dar uma história a cada ruga que lhe moldava a mão, mas era um esforço tão grande e tão inglório que rapidamente esquecia o seu propósito. Foi mais fácil saborear a felicidade que esta imagem de quatro crianças de olhares arregalados, corroída pelo tempo, lhe proporcionou. Levou-a até ao peito e fechou os olhos muito devagar… afinal há fragmentos de felicidade que ninguém consegue apagar!
Por: Carla Marques
A memória já não é o que era. Até para pensar esta banalidade sentiu que o esforço feito era do tamanho dos anos sem-fim que cobriam o corpo em forma de quarto minguante.
O grão da imagem trazia até si lembranças de outras épocas. Os nomes surgiram-lhe como que saídos de um nada que transportou durante tanto tempo dentro de si. Era a mais velha, mas sobreviveu ao tempo, aos amigos e ao acumular de dias e noites que a transpuseram.
Agora sim lembrava aquela tarde de Verão com uma nitidez que a surpreendeu. Como o poderia esquecer?!? Foi a sua primeira festa de anos (seis ou sete, já não tinha a certeza) e reviu-se orgulhosa no seu vestido novo, de um rosa sem mácula e com um cone colorido a sorrir-lhe na cabecita. Tinha apagado do seu peito as lágrimas que se lhe ofereciam, envoltas num transparente papel de tristeza, em todos os aniversários anteriores. Hoje, apenas contava o bolo cremoso, as prendas cheias de fitas e laçarotes e os poucos amigos que lhe cantavam os parabéns. Juntos viviam felizes a primeira festa que partilhavam e prometeram que seriam sempre uma parte de todos os outros. A um canto os pais agradeciam comovidos à madrinha que da cidade grande levou os sonhos em formas de presentes para aquela menina que mal conhecia. A festa acabou, mas a ilusão de que a felicidade era possível permaneceu para sempre, mesmo quando os olhos não conseguiam admirar os raios de sol de tão cabisbaixos que andavam na terra que era preciso cultivar. Cresceu entre os montes imutáveis, as cores da natureza e com os amigos de sempre. Mas, a vida levou-os para caminhos diferentes e traçou-lhes destinos opostos…encontros fugazes, palavras mal traçadas acompanharam os anos que passaram uns após outros. A separação transformou-os em pessoas diferentes, cobriu de eras as lembranças de outros tempos, até que a Teresa lhe ligou a dizer que a Maria estava em coma no hospital.
Sentiu o rosto quente, humedecido por duas lágrimas que traçaram caminho até à camisola de algodão. Todos os dias prometia, a si mesma, que lhe ia ligar. Sabia que de todos ela era a mais carente mas nunca chegou a marcar o número…havia sempre algo mais importante para acabar e, afinal, "ela estaria lá amanhã"!
Atirou o casaco, com uma raiva contida, para o banco traseiro do seu carro e voou, apática, até ao hospital. Eles já lá estavam com o ar culpado de quem achava que o amanhã é sempre futuro.
A Maria era a mais nova e o seu sorriso permanente acompanhou-os durante a fase inicial das suas vidas. Souberam o como e o porquê, mas o vazio que se instalou entre todos eles permaneceu. Era preciso voltar ao passado, lembrar a promessa feita para acompanhar a doença da Maria. Não chegou a abandonar a cama do hospital, mas abriu os olhos para juntar as suas mãos e, com o seu sorriso, uni-los mais uma vez.
A vida passou por todos, sem o peso da solidão de outrora. A tempestade cessou, o vento soprava cálido como uma carícia em fim de tarde de Verão a abraçá-los um a um.
Dividiram os seus dias numa soma de afectos que impediu o crescer de um abandono que ameaça inundar as suas vidas.
Havia um sorriso calmo e sereno em todos os rostos de que se despediu. Ela foi ficando com sulcos vincados como uma rota traçada no mapa que era a sua pele, com névoas de Inverno a enganarem os olhos cansados e o esquecimento a esculpir o vazio que paulatinamente a invadia.
Olhava as mãos cheias de negritude, cobertas com a cor de um momento antigo, em forma de uma foto perdida no baú das lembranças. A fuga tinha sido lenta, mas dolorosa, os que receberam o seu nome e em quem corria o seu sangue esqueceram-na, como ela se foi esquecendo dos nomes, dos rostos, das situações…de si mesma.
A doença apanhou-a desprevenida e cobriu-a com as suas garras.
Por vezes, tentava dar uma história a cada ruga que lhe moldava a mão, mas era um esforço tão grande e tão inglório que rapidamente esquecia o seu propósito. Foi mais fácil saborear a felicidade que esta imagem de quatro crianças de olhares arregalados, corroída pelo tempo, lhe proporcionou. Levou-a até ao peito e fechou os olhos muito devagar… afinal há fragmentos de felicidade que ninguém consegue apagar!
Por: Carla Marques
Desafio (texto I)
Bó as tuas mãos têm tantas linhas e a minha não, porquê Bó?
Porque já estão velhinhas!
Bó quem são?
É a tua mãe, a tia e os primos.
A minha mamã?
Sim linda, porquê?
Oh Bó tu tens que mudar de óculos, essa sou eu! Pera mas eu não tenho esse vestido.
Pois não, mas a tua mãe tinha.
Ai Bó mas era tão piroso, eu gosto mais de calças.
Piroso? Foi a avó que o fez!
Bó, desculpa o vestido é lindo, mas não me faças nenhum, sim?
A mana gosta mais de vestidos, podes fazer um para ela, mas...Mas o quê?
Eu gosto mais do bolo e sabes porquê Bó?
Claro que sei é por seres um bocadinho gulosa!
Não Bó é por ser tão docinho como é a tua mão!
Gosto tanto de ti!
Por: Fatyly
Porque já estão velhinhas!
Bó quem são?
É a tua mãe, a tia e os primos.
A minha mamã?
Sim linda, porquê?
Oh Bó tu tens que mudar de óculos, essa sou eu! Pera mas eu não tenho esse vestido.
Pois não, mas a tua mãe tinha.
Ai Bó mas era tão piroso, eu gosto mais de calças.
Piroso? Foi a avó que o fez!
Bó, desculpa o vestido é lindo, mas não me faças nenhum, sim?
A mana gosta mais de vestidos, podes fazer um para ela, mas...Mas o quê?
Eu gosto mais do bolo e sabes porquê Bó?
Claro que sei é por seres um bocadinho gulosa!
Não Bó é por ser tão docinho como é a tua mão!
Gosto tanto de ti!
Por: Fatyly
novembro 26, 2007
DESAFIO
Uma Imagem... Mil Emoções
Desafio a quem por aqui passa , a interpretar esta imagem !
Agradecia que enviassem os vossos textos para
novembro 25, 2007
Chapéu Vs Loucura
" Um homem que usava chapéu recusava tirá-lo porque lhe haviam dito que um louco nunca usava chapéu. Como queria mostrar que não era louco, usava chapéu. Simples. Um certo dia esse homem foi contratado para trabalhar no manicómio. nesse mesmo dia decidiu comprar um chapéu ainda mais alto, para que não existisse qualquer hipótese de ser confundido com um dos loucos. Os loucos não usavam chapéu. Assim, a cada ano que passava, para se destinguir mais dos loucos, aquele homem comprava um chapéu ainda mais alto. Anos mais tarde, por um qualquer motivo, foi despedido. No entanto, não esteve muito tempo fora do manicómio. É que mais tarde decidiram interná-lo: só um louco usaria na cabeça um chapéu tão alto. "
Gonçalo M. Tavares
Gonçalo M. Tavares
Coisas dos signos
(Não sou dado a estas coisas dos signos, mas não sei porque razão acabo sempre por lhe passar os olhos. Nunca esteve tão absolutamente certo como hoje !!!)
" Tente não se preocupar em demasia. Não espere apoios; até terá de dar mais do que é habitual. As questões laborais terão de ser tratadas com delicadeza e atenção. Não delegue competências, a responsabilidade de erros recairá sobre si. Problemas em conciliar horas de sono."
" Tente não se preocupar em demasia. Não espere apoios; até terá de dar mais do que é habitual. As questões laborais terão de ser tratadas com delicadeza e atenção. Não delegue competências, a responsabilidade de erros recairá sobre si. Problemas em conciliar horas de sono."
novembro 24, 2007
Atenção:
Por falta de espectadores a peça de Teatro " Falatório do Ruzante vindo da Guerra " que tinha vindo a decorrer neste espaço, foi anulada.
A Direcção
A Direcção
novembro 22, 2007
Vamos ao Teatro (III)
Ruzante - (Aborrecido) Mah! Os amos deviam ser todos enforcados.
Menato - (Depois de uma pausa) Ó compadre! Vossemecê tem um capote mais comprido do que esta minha casaca de couro.
Ruzante - Já era assim quando o palmei a um vilão dos de lá, porque tinha frio, eu. Porra! São mesmo uns ursos ruins, os vilãos: por um quartilho são capazes de deixar um gajo a estrebuchar.
Menato - Ó compadre! Lá porque é soldado, não pense que já é da cidade.
Ruzante - Não, compadre. O que eu digo - quer-se dizer - o que eu quero dizer é que os daquelas bandas não são hospitaleiros como a gente da nossa terra. Vilão é quem faz vilanias, não quem mora nas vilas.
Menato - (Cheirando à sua volta) Merda, compadre! É impressão minha ou anda para aqui um cheiro esquisito?
Ruzante - Cheira a quê? Não é mau cheiro. É um cheirinho a feno. Há quatro meses que durmo num palheiro. Só lhe sei dizer que as camas não me...
Menato - (Interrompendo) Quieto, compadre. (Agarra qualquer coisa debaixo do capote com dois dedos) Acho que temos aqui um pintassulgo sem asas.
Ruzante - Não me venha com piolhos! Na tropa, as migalhas de pão, quando caem em cima, botam logo patas e bico e tornam-se piolhos. O vinho, quando o bebemos... (porque a gente quer sempre fazer mal, mas não se pode fazer todo o mal que se quer), faz nascer manchas e sangue ruim e sarna e crostas e tinha e pústulas por todo o corpo.
Menato - Estou a ver compadre, que vossemecê vem cheio. O que não pôde foi encher os bolsos como era a sua ideia: na pilhagem, não é verdade?
Ruzante - Mah! Eu? Não pilhei nem arrebanhei nada. Tive até que comer as minhas armas.
Menato - Chiça!? vossemecê ficou assim tão feroz que é capaz de comer ferro?
Ruzante - Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei, até vossemecê aprendia a comer ferro, botas e tudo (Batido na vida). Vendi-as pelas tabernas para comer, porque não tinha dinheiro.
Menato - Então não ganhava nenhum, quando fazia um prisioneiro inimigo?
continua...
Menato - (Depois de uma pausa) Ó compadre! Vossemecê tem um capote mais comprido do que esta minha casaca de couro.
Ruzante - Já era assim quando o palmei a um vilão dos de lá, porque tinha frio, eu. Porra! São mesmo uns ursos ruins, os vilãos: por um quartilho são capazes de deixar um gajo a estrebuchar.
Menato - Ó compadre! Lá porque é soldado, não pense que já é da cidade.
Ruzante - Não, compadre. O que eu digo - quer-se dizer - o que eu quero dizer é que os daquelas bandas não são hospitaleiros como a gente da nossa terra. Vilão é quem faz vilanias, não quem mora nas vilas.
Menato - (Cheirando à sua volta) Merda, compadre! É impressão minha ou anda para aqui um cheiro esquisito?
Ruzante - Cheira a quê? Não é mau cheiro. É um cheirinho a feno. Há quatro meses que durmo num palheiro. Só lhe sei dizer que as camas não me...
Menato - (Interrompendo) Quieto, compadre. (Agarra qualquer coisa debaixo do capote com dois dedos) Acho que temos aqui um pintassulgo sem asas.
Ruzante - Não me venha com piolhos! Na tropa, as migalhas de pão, quando caem em cima, botam logo patas e bico e tornam-se piolhos. O vinho, quando o bebemos... (porque a gente quer sempre fazer mal, mas não se pode fazer todo o mal que se quer), faz nascer manchas e sangue ruim e sarna e crostas e tinha e pústulas por todo o corpo.
Menato - Estou a ver compadre, que vossemecê vem cheio. O que não pôde foi encher os bolsos como era a sua ideia: na pilhagem, não é verdade?
Ruzante - Mah! Eu? Não pilhei nem arrebanhei nada. Tive até que comer as minhas armas.
Menato - Chiça!? vossemecê ficou assim tão feroz que é capaz de comer ferro?
Ruzante - Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei, até vossemecê aprendia a comer ferro, botas e tudo (Batido na vida). Vendi-as pelas tabernas para comer, porque não tinha dinheiro.
Menato - Então não ganhava nenhum, quando fazia um prisioneiro inimigo?
continua...
Vamos ao Teatro (II)
Cena 2
Menato - (Surgindo) Compadre! Mas é mesmo vosemecê? Quem o havia de reconhecer? Está tão enfezado que parece um carapau seco. Nunca o teria reconhecido. Mas seja bem-vindo.
Ruzante - (Descendo) Enfezado, eu, compadre? Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei, não falava assim.
Menato - Vem agora mesmo da guerra? Ou esteve doente? Ou saiu da prisão? Tem muito mau aspecto, compadre. Parece um desses salteadores de estrada. Desculpe lá, compadre, não digo que tenha má cara como homem, percebe? Mas é que está pálido, podre, defumado. Puta de sorte, deve ter levado vida de cão.
Ruzante - (Grave) Compadre, é a ferragem que nos põem em cima que dá este mau aspecto. Tira-nos da carne aquilo que pesa. (Tira o capacete e coloca-o no chão) E depois, é beber-lhe mal e comer-lhe pior. Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei (suspira).
Menato - Porra, está a falar difícil, compadre. Mudou de língua: fala como os doutores.
Ruzante - (Batido na vida) Eh, compadre, quem corre mundo é como vê. E depois, onde eu estava os oficiais falavam assim. E sabe que mais? Se eu começasse a falar como os inimigos, então é que vossemecê não apanhava uma. Com o cagaço, aprendi a falar com eles num só dia. Poça, a arrogância com que dizem: "Filan, cavron, casalho, por sang thiu, foute darr cab carra".
Menato - (Impressionado) C'um escarepe os coma a todos. "Voute dar cabo da cara", entendo eu, compadre. Agora das outras palavras não percebi patavina. Explique lá isso melhor, ó compadre.
Ruzante - Com todo o gosto. "Filan" quer dizer vilão. Campónio, percebe? "Cavron" quer dizer cabrão. Cornudo. Um cabrão de campónio. "Casalho" uma casa de palha, porque vivemos em casas de palha. E "porr sang thiu" por amor de Deus, isto é, vivemos em casas de palha por amor de Deus.
Menato - Mentem com quantos dentes têm na boca. Custam-nos bem caras estas casas
continua...
Menato - (Surgindo) Compadre! Mas é mesmo vosemecê? Quem o havia de reconhecer? Está tão enfezado que parece um carapau seco. Nunca o teria reconhecido. Mas seja bem-vindo.
Ruzante - (Descendo) Enfezado, eu, compadre? Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei, não falava assim.
Menato - Vem agora mesmo da guerra? Ou esteve doente? Ou saiu da prisão? Tem muito mau aspecto, compadre. Parece um desses salteadores de estrada. Desculpe lá, compadre, não digo que tenha má cara como homem, percebe? Mas é que está pálido, podre, defumado. Puta de sorte, deve ter levado vida de cão.
Ruzante - (Grave) Compadre, é a ferragem que nos põem em cima que dá este mau aspecto. Tira-nos da carne aquilo que pesa. (Tira o capacete e coloca-o no chão) E depois, é beber-lhe mal e comer-lhe pior. Se vossemecê tivera passado por onde eu próprio passei (suspira).
Menato - Porra, está a falar difícil, compadre. Mudou de língua: fala como os doutores.
Ruzante - (Batido na vida) Eh, compadre, quem corre mundo é como vê. E depois, onde eu estava os oficiais falavam assim. E sabe que mais? Se eu começasse a falar como os inimigos, então é que vossemecê não apanhava uma. Com o cagaço, aprendi a falar com eles num só dia. Poça, a arrogância com que dizem: "Filan, cavron, casalho, por sang thiu, foute darr cab carra".
Menato - (Impressionado) C'um escarepe os coma a todos. "Voute dar cabo da cara", entendo eu, compadre. Agora das outras palavras não percebi patavina. Explique lá isso melhor, ó compadre.
Ruzante - Com todo o gosto. "Filan" quer dizer vilão. Campónio, percebe? "Cavron" quer dizer cabrão. Cornudo. Um cabrão de campónio. "Casalho" uma casa de palha, porque vivemos em casas de palha. E "porr sang thiu" por amor de Deus, isto é, vivemos em casas de palha por amor de Deus.
Menato - Mentem com quantos dentes têm na boca. Custam-nos bem caras estas casas
continua...
novembro 21, 2007
Vamos ao teatro
"Falatório do Ruzante de Volta da Guerra"
Enquadramento histórico
O exército da República de Veneza fora desbaratado em 1509 na desastrosa batalha da Ghiara d’Adda, e serão os camponeses que, em 1515, recrutados em massa, irão salvar Pádua do cerco dos exércitos imperiais. As consequências são, porém, terríveis, resultando em fome, prostituição e outras calamidades.
Sinopse
Ruzante chega da guerra e desenvolve um monólogo, em que a condenação da guerra ressalta claramente. Depois surge o compadre, Menato, um camponês que adquira bens e posses. Trata-se de um diálogo em que Ruzante, perante o olhar de troça de Menato, vai fazendo descrições dos seus "feitos" e "heroicidades" na guerra. E perguntando ansiosamente pela antiga mulher, Nhua, que, com toda a evidência, é agora uma das prostitutas surgidas do êxodo camponês para a cidade. Nhua passa na rua e rejeita claramente Ruzante que nada tem para lhe dar, como anteriormente também não tinha grande coisa. Depois...
Sobe o pano, a peça vai começar !
Cena 1
Ruzante - (Sai ofegante do fundo e avança até quase ao proscénio. Vem lazarento e sujo, coberto de pó. Olha à sua volta, enxugando o suor que lhe escorre debaixo do elmo.) Ah! Até que enfim cá estou! Tinha mais vontade de aqui chegar, do que uma mula tísica e cheia de catarro tinha de trincar erva tenra. Vou pôr-me como novo. E vou-me fartar de gozar com a minha Nhua que veio p'ra cá fazer pela vida.
Raios partam as batalhas, a guerra, os soldados e os soldados e a guerra!
A mim é que eles não me apanham mais lá na frente! Nunca mais hei-de ouvir a barulheira dos tambores, nem das cornetas, nem os gritos de alerta...
Assim nunca mais vou ter medo, pois não?
Quando ouvia berrar "às armas" ficava como uma perdiz que tivesse apanhado uma chumbada no papo.E as espingardas e as artilharias...
Agora estou fora de alcance... só se me acertarem na peida! E cavar das balas?
Vou mas é dormir o que não dormi e comer até rebentar.
Porra, que quase não caguei em paz.
Ai, Senhora do Pópulo, cá estou eu são e salvo. Gaita, que vim depressa! Acho que papei mais de vinte léguas por dia. Pus-me em três dias de Tremona até aqui. Ah! Mas não é tão longe como isso! Dizem que de Tremona a Brecha são treze léguas. É um pulito! Nem chegam a seis. E de Brecha a Pixaria seriam para aí umas dez. dez? Nem pó! Aí cinco, se tanto. E quantas são de Pixaria aqui? Eu levei um dia. É versão de Pixaria aqui? Eu levei um dia. É verdade que andei a noite toda. Ah pois!Nenhum pato bravo voou tanto como eu andei. Virgem Santíssima, que bem me doem as pernas. Mas nem sequer estou cansado. (Deita-se) Chiça! Era o medo que me zurzia, foi o desejo que me trouxe. As botas é que pagaram. Vamos lá vê-las. (Observa as solas das botas uma de cada vez) Eu não te dizia? Que o cancro me coma! Estão a ver como fiquei sem uma sola? Foi isto que ganhei na guerra! Pois, pois que o cancro me coma. Mesmo com o inimigo no cu, não devia ter corrido tanto. Ganhei muito com isto. (Olha à sua volta) Bom, talvez por estas bandas consiga deitar as mãos a um par de botas, como fiz com estas que roubei a um vilão no campo de batalha. É verdade, quanto ao saque, não era mau ser soldado, o pior eram os cagaços que nos pregavam. Que se lixe o saque. Estou aqui são e salvo e mal acredito que seja eu. E se estivesse a sonhar? Era mesmo uma merda! Sei muito bem que não estou a sonhar.
Então não embarquei em Buzina? Pois se até fui à Senhora da Saúde pagar a minha promessa. E se eu já não fosse eu? E se eu tivesse sido morto na guerra e fosse só a minha alma penada? Havia de ser bonito! (Tira rapidamente da sacola um naco de pão e dá-lhe uma dentada) Não, c'os diabos, as almas penadas não comem. (Com a boca cheia) Sou eu e bem vivo. Assim soubesse onde encontrar a minha Nhua e o meu compadre, que também cá está! Agora, até a minha mulher vai ter medo de mim, carago. Tenho que lhes mostrar que me tornei um valentão. Seja como for, sou mesmo um valentão, que remédio tinha eu. O meu compadre vai fazer-me perguntas da guerra. C'um raio! Vou-lhe contar das boas. (Pausa; olha para o fundo) Mas parece-me aquele. É mesmo ele. Compadre! Ó compadre! Sou eu, Ruzante, o seu compadre!
Continua...
Enquadramento histórico
O exército da República de Veneza fora desbaratado em 1509 na desastrosa batalha da Ghiara d’Adda, e serão os camponeses que, em 1515, recrutados em massa, irão salvar Pádua do cerco dos exércitos imperiais. As consequências são, porém, terríveis, resultando em fome, prostituição e outras calamidades.
Sinopse
Ruzante chega da guerra e desenvolve um monólogo, em que a condenação da guerra ressalta claramente. Depois surge o compadre, Menato, um camponês que adquira bens e posses. Trata-se de um diálogo em que Ruzante, perante o olhar de troça de Menato, vai fazendo descrições dos seus "feitos" e "heroicidades" na guerra. E perguntando ansiosamente pela antiga mulher, Nhua, que, com toda a evidência, é agora uma das prostitutas surgidas do êxodo camponês para a cidade. Nhua passa na rua e rejeita claramente Ruzante que nada tem para lhe dar, como anteriormente também não tinha grande coisa. Depois...
Sobe o pano, a peça vai começar !
Cena 1
Ruzante - (Sai ofegante do fundo e avança até quase ao proscénio. Vem lazarento e sujo, coberto de pó. Olha à sua volta, enxugando o suor que lhe escorre debaixo do elmo.) Ah! Até que enfim cá estou! Tinha mais vontade de aqui chegar, do que uma mula tísica e cheia de catarro tinha de trincar erva tenra. Vou pôr-me como novo. E vou-me fartar de gozar com a minha Nhua que veio p'ra cá fazer pela vida.
Raios partam as batalhas, a guerra, os soldados e os soldados e a guerra!
A mim é que eles não me apanham mais lá na frente! Nunca mais hei-de ouvir a barulheira dos tambores, nem das cornetas, nem os gritos de alerta...
Assim nunca mais vou ter medo, pois não?
Quando ouvia berrar "às armas" ficava como uma perdiz que tivesse apanhado uma chumbada no papo.E as espingardas e as artilharias...
Agora estou fora de alcance... só se me acertarem na peida! E cavar das balas?
Vou mas é dormir o que não dormi e comer até rebentar.
Porra, que quase não caguei em paz.
Ai, Senhora do Pópulo, cá estou eu são e salvo. Gaita, que vim depressa! Acho que papei mais de vinte léguas por dia. Pus-me em três dias de Tremona até aqui. Ah! Mas não é tão longe como isso! Dizem que de Tremona a Brecha são treze léguas. É um pulito! Nem chegam a seis. E de Brecha a Pixaria seriam para aí umas dez. dez? Nem pó! Aí cinco, se tanto. E quantas são de Pixaria aqui? Eu levei um dia. É versão de Pixaria aqui? Eu levei um dia. É verdade que andei a noite toda. Ah pois!Nenhum pato bravo voou tanto como eu andei. Virgem Santíssima, que bem me doem as pernas. Mas nem sequer estou cansado. (Deita-se) Chiça! Era o medo que me zurzia, foi o desejo que me trouxe. As botas é que pagaram. Vamos lá vê-las. (Observa as solas das botas uma de cada vez) Eu não te dizia? Que o cancro me coma! Estão a ver como fiquei sem uma sola? Foi isto que ganhei na guerra! Pois, pois que o cancro me coma. Mesmo com o inimigo no cu, não devia ter corrido tanto. Ganhei muito com isto. (Olha à sua volta) Bom, talvez por estas bandas consiga deitar as mãos a um par de botas, como fiz com estas que roubei a um vilão no campo de batalha. É verdade, quanto ao saque, não era mau ser soldado, o pior eram os cagaços que nos pregavam. Que se lixe o saque. Estou aqui são e salvo e mal acredito que seja eu. E se estivesse a sonhar? Era mesmo uma merda! Sei muito bem que não estou a sonhar.
Então não embarquei em Buzina? Pois se até fui à Senhora da Saúde pagar a minha promessa. E se eu já não fosse eu? E se eu tivesse sido morto na guerra e fosse só a minha alma penada? Havia de ser bonito! (Tira rapidamente da sacola um naco de pão e dá-lhe uma dentada) Não, c'os diabos, as almas penadas não comem. (Com a boca cheia) Sou eu e bem vivo. Assim soubesse onde encontrar a minha Nhua e o meu compadre, que também cá está! Agora, até a minha mulher vai ter medo de mim, carago. Tenho que lhes mostrar que me tornei um valentão. Seja como for, sou mesmo um valentão, que remédio tinha eu. O meu compadre vai fazer-me perguntas da guerra. C'um raio! Vou-lhe contar das boas. (Pausa; olha para o fundo) Mas parece-me aquele. É mesmo ele. Compadre! Ó compadre! Sou eu, Ruzante, o seu compadre!
Continua...
novembro 18, 2007
Divulgação
Aos interessados
O trabalho da coordenação de segurança :
http://coordseg.blogspot.com/
O trabalho do técnico de higiene e segurança no trabalho :
http://seghig.blogspot.com/
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novembro 06, 2007
novembro 05, 2007
Licença sabática
"E como não vos posso levar a todos para a cama, fica o meu muito obrigada pelos últimos três anos em que por palavras e actos me acariciaram ." In: Chez Maria
Obrigado Maria
Obrigado Maria
novembro 04, 2007
A mulher quase toda bonita
"Era uma mulher bonita na generalidade. Porém, havia no seu corpo uma excepção. O olho esquerdo era feio. O direito não, mas o esquerdo era feio. Para não verem o seu olho esquerdo feio, a mulher mantinha-o fechado. Queria mostrar apenas as partes bonitas do seu corpo. Queria que tudo o que vissem do seu corpo fosse bonito. Por isso tapava a sua parte feia. Lógico. No seu bairro era conhecida como a mulher que seria bonita não fosse ter o olho esquerdo tapado."Gonçalo M. Tavares
Soneto
A maneira como me vejo aos 54 anos é practicamente a mesma com que me via aos 19. Aos 19 anos escrevi um soneto que me definia. É isto que eu sou :
"Eu sou metade de mim e um quarto do meu jogo. Sou um quinto do meu sim e um décimo do meu fogo. Não sei o que sou, ou talvez saiba o que quero e não queira. Sou pastor, sou cão ou rês, de um rebanho sem bandeira. Benditos os que sabem o que são, ou julgam ficar neles, a razão que dá vida à morte da verdade. Para mim, será sempre o mesmo trilho, serei um incansável andarilho, em busca de um amor, de uma ansiedade."
Vergílio Castelo, (parte da entrevista) in: Pública
"Eu sou metade de mim e um quarto do meu jogo. Sou um quinto do meu sim e um décimo do meu fogo. Não sei o que sou, ou talvez saiba o que quero e não queira. Sou pastor, sou cão ou rês, de um rebanho sem bandeira. Benditos os que sabem o que são, ou julgam ficar neles, a razão que dá vida à morte da verdade. Para mim, será sempre o mesmo trilho, serei um incansável andarilho, em busca de um amor, de uma ansiedade."
Vergílio Castelo, (parte da entrevista) in: Pública
Amor (maldito)
"Amava todas as coisas, mas como amava todas as coisas não conseguia dar atenção a nenhuma individualmente. Morreu odiado."
Gonçalo M. Tavares
Gonçalo M. Tavares
novembro 02, 2007
O fim de Solomon Grundy
"Nasceu numa segunda
Batizou-se numa terça
Casou-se numa quarta
Adoeceu numa quinta
Piorou numa sexta
Morreu num sábado
Enterrou-se no domingo"
Batizou-se numa terça
Casou-se numa quarta
Adoeceu numa quinta
Piorou numa sexta
Morreu num sábado
Enterrou-se no domingo"
Homero, na sua Ilíada:
"Eia, meu amigo, morre tu também!
Por que lamentas a sorte?
Também morreu Pátroclos, que valia
muito mais que tu!"
Por que lamentas a sorte?
Também morreu Pátroclos, que valia
muito mais que tu!"
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