dezembro 30, 2007

No prelo

“Factos podem sempre ser alterados ao contar-se uma história. Mas desta vez preciso de ter cuidado, porque não é uma história ficcionada o que vos vou contar. Relatarei os acontecimentos exactamente como os recordo; afinal de contas preciso que acreditem neles, o que já será suficientemente difícil.”

Brevemente nas livrarias!

dezembro 29, 2007

Leituras

"as mulheres só são belas porque têm parecenças com os homens, como os homens são a imagem de deus. não é heresia, pensa bem, se se parecessem mais com cabras do que com homens nem natureza para nós teriam. precisam de nos parecer sem alcançar igualdade, que para isso estamos cá nós. e depois, beleza assim até aumentada, o que lhes tirou deus em préstimo de espírito deu-lhes em curvas e cor, servem perfeitamente para nos multiplicar e muito agradar. mas isso da inteligência é como te disse, cuidado com o que sabem porque acham mais do que sabem. pois a mim bastar-me-ia mulher burra, até calada, pouco fazedora ou aviada, que servisse só para noites de companhia e algum conforto de olhares quando queremos tanto ter cúmplices delicadas em nossa felicidades e tristezas, respondeu o dagoberto."

"estás apaixonada por ele, ermesinda. não, baltazar, só te amo a ti, disse rápida, sem espera. e porque sofres tanto, perguntei. porque me deixou de conversas dom afonso, para que me mantenhas o corpo. mais que me estragues nem viver poderei, e assim tão medonha me tenho que nem reconheço minha antiga vantagem. a minha ermesinda já tinha pé torto virado para dentro, braço que não baixava com mão apontada para céu, outro braço flácido e sem mão a partir de pulso, mais olho esquerdo nenhum, só direito. era como estava..."

valter hugo mãe, o remorso de baltazar serapião, pág: 121, 134
(Um soberbo livro onde o autor numa escrita inovadora, retrata o passado medieval numa linguagem rude do povo, chamando a atenção para a violência doméstica contra as mulheres.)

dezembro 28, 2007

Leituras

"Um homem pode, se tiver a verdadeira sabedoria, gozar o espectáculo inteiro do mundo numa cadeira, sem saber ler, sem falar com alguém, só com o uso dos sentidos e a alma não saber ser triste."

Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego, pág 170

dezembro 27, 2007

Leituras

"A tragédia principal da minha vida é, como todas as tragédias, uma ironia do destino. repugno a vida real como uma condenação; repugno o sonho como uma libertação ignóbil. mas vivo o mais sórdido e o mais quotidiano da vida real; e vivo o mais intenso e o mais constante do sonho. Sou como um escravo que se embebeda à sesta - duas misérias em um corpo só."

Fernando Pessoa, o Livro do Desassossego, pág 180.

dezembro 26, 2007

Dia 2 de Janeiro de 2008

Votos de uma excelente semana de trabalho...

Eu vou ali...e já volto ! (ou talvez não)

dezembro 25, 2007

a quem pertenço ?
a quem me assemelho ?

oco da fala:
por isso escrevo,
especulo,
vazio, seco,
abro janelas e peito...

na folha frágeis sentidos,
descritos,
em vão...

definitivamente,
não acelero,
não paro...

vou passo a passo,
e ultrapasso os percalços,
apontando o futuro,
aceitando o destino...
aceitando-me !
na praça,
a céu aberto,
recolho o alheio,
viajo, mas não transmigro...
Nenhuma liçao a tirar desta viagem,
e de outras...
e de outras...

(sem legenda)

dezembro 23, 2007

Feliz Natal !?

O que vocês querem sei eu !

dezembro 18, 2007

Conselho do Dia

"Se queres manter um vinho com todas as qualidades, nunca o mistures com a realidade."

Via e-mail

Às vezes quando estás zangado com alguém, ajuda sentar e pensar sobre o problema. Geralmente resolve !

dezembro 16, 2007

A Prenda de Natal


Foi no Natal de 1888 que Van Gogh cortou a sua própria orelha e ofereceu-a, à sua melhor prostituta, diga-se, um bonito e original gesto. O importante em época natalícia é dar, pouco importa o que seja !

Movimentos limitados


(Um caranguejo tenta mover-se entre a mancha de crude que foi derramada por um petroleiro.)

dezembro 15, 2007

A Pergunta :

O descuido na forma de vestir, não é mais do que o reflexo de algum descuido em relação ao exterior, ou mesmo ao, interior ?

Desafio ( texto XIII)

As minhas mãos
Estão velhas e enrugadas...

Minhas mãos são minhas armas
Desde o dia em que nasci.
Ergui-as, trémulas e frágeis
Mas gritei: Estou aqui!!!
Com elas desbravei florestas,
Com elas derrubei gigantes,
Estrangulei fantasmas,
Derrubei barreiras,
Conquistei instantes.
Com elas agarrei os sonhos
Que a vida me deu p'ra sonhar.
Com elas afaguei e amei meus filhos
Como só uma mãe sabe amar!
Com elas colhi as rosas
Sem ter medo dos abrolhos.
Com elas sequei as lágrimas
Que me escorreram dos olhos!

Nas minhas mãos enrugadas
Que parecem não ter valor,

Tenho um tesouro guardado:
O meu infinito AMOR!

Por: Leonor Costa

Desafio (texto XII)

Olha na minha mão
As recordações de outro tempo.
Olha a minha mão envelhecida
Calejada pelo tempo

Que pega na foto
Como no dia a dia
Olha a foto
Da saudade
A eternidade
De uma coisa vivida

Olha para eles e para mim
Olha para a cara de felicidade
De um dia vivido
Cheio de cumplicidade

Por: Psique

dezembro 13, 2007

Última hora

Tratado da Treta

"Almoço oferecido pelo Presidente da República aos chefes de Estado, governo e ministros, deixa de fora o Ministério da Soltura e seus respectivos ministros, por falta de empenho nas funções delegadas"

dezembro 11, 2007

Leituras


"Os homens engendram guerras por uma questão de lucro e de dinheiro, mas combatem nelas por questões de terras e de mulheres. Mais cedo ou mais tarde, as outras causas e motivações diluem-se no sangue derramado e deixam de ter significado. Mais cedo ou mais tarde, a morte e a sobrevivência sufocam os sentidos, Mais cedo ou mais tarde, sobreviver é a única lógica, e morrer é a única voz e a única visão. Então quando os melhores amigos morrem, gritando, e os homens bons enlouquecidos com dor e fúria perdem a cabeça na cova sangrenta, quando toda a integridade e justiça e beleza do mundo são destruídas por braços, pernas e cabeças de irmãos, filhos e pais, então, o que faz os homens continuar a lutar e a morrer, ano após ano, é a vontade de proteger a terra e as mulheres.
Para sabermos que tudo isto é verdade, basta escutá-los nas horas que precedem uma batalha. Falam sobre as suas casas e sobre as mulheres que amam. E sabemos que é verdade quando os vemos morrer. Quando um homem agonizante está próximo da terra, ou deitado na terra, nos últimos instantes procura sempre alcança-la, agarrando um punhado na sua mão, Se puder, erguerá a cabeça para olhar para a montanha, para o vale ou planície. Se estiver longe de casa pensará nela e falará sobre ela. Falará sobre a sua aldeia, ou cidade natal, ou sobre a cidade onde cresceu. No final , a terra assume importância. E, no último momento murmurará ou gritará o nome de uma irmã ou de uma filha ou de uma amante ou da mãe, até mesmo quando disser o nome do seu Deus. O fim reflecte o princípio. No fim, o que existe é uma mulher e uma cidade."

In: "Shantaram" de Gregory David Roberts, pág: 703

dezembro 10, 2007

Desafio (texto XI)


À minha avó
No espaço dessa mão estão as minhas rotas silenciosas; está esta crença que tenho em mim de que repetirei os teus passos de forma nova, mas ainda assim com os mesmos caminhos. Está a evidência genética do que sou, esta coisa em que me transformo enquanto as minhas rugas, ainda tão diferentes das tuas rugas, se vão construindo em desenhos semelhantes.

E está em ti hoje toda a minha noção de eternidade, avó: uma eternidade que cabe na palma da tua mão enrugada; que está nessa essência que sou sendo parte de ti, parte da mãe que pariste e que me pariu a mim; nas pernas que herdei orgulhosa; no formato do corpo, no tom de voz, na falta de mariquices…

Chegasse eu a ter essa mão feita pano enrugado, cinzelada a linhas de história e de crescimento, sei que seria muito parecida com o que és hoje: pequenina, frágil, com medo da morte que é cada vez mais como a vizinha que te pisca o olho todos os dias. Chegasse eu a essa idade, ia querer ter essas mãos sulcadas pelo destino. Chegasse eu à tua idade, queria ter uma palma da mão onde coubesse ainda a família, num retrato desbotado pelo tempo, quando o tempo ainda era medido em mais do que instantes.

É que sei que herdei nos genes isto que me faz tão parecida contigo, mesmo sendo tão diferente. É que sei que a eternidade se mede não num qualquer paraíso que tantos julgam intuir como verdade, mas sim na memória que os outros não querem perder de nós. E uma mão assim sulcada é uma mão eterna: já acariciou e foi acariciada por tanta gente que, ao ser tão amada, será eterna enquanto permanece indelével na memória daqueles que seguraste nas tuas mãos, contra o teu peito, no teu carinho.

Por: Hipatia

dezembro 08, 2007

Tenho a sensação de andar a falar pró...

envelhecer /em velho ser...

"Vês aquela ali à esquerda? Sou eu quando o invólucro que me envolvia a alma ainda não tinha crescido." Por: Mushu

"Creep"

dezembro 07, 2007

Livros e Livros

Na Praça exterior à estação da Trindade, está a decorrer uma feira do livro. Uma iniciativa integrada nas comemorações dos cinco anos da inauguração do Metro do PortoEu já lá fui, e trouxe a muito bom preço, os personagens que habitam O Bairro criado pelo Gonçalo M.Tavares !

Passem por lá...

Desafio (texto X)

Com as minhas mãos abraço a minha vida e todas as vidas que lhe estão ligadas.
Com as minhas mãos travo batalhas, rasgo oceanos,
Com as minhas mãos transformo o meu amor em carinhos,
E se agora elas estão marcadas só me sinto agradecida,
De ter tido tempo de amar quem amo, de ficar marcada,
Pois à medida que elas envelheciam o meu coração renascia!

Por: Chloé