janeiro 13, 2008

Leituras (não lidas)



Não, este não li, mas achei o título muito engraçado e a capa muito bem conseguida, mesmo sendo eu Benfiquista...e crescido :)

janeiro 12, 2008

«Não estou aqui a fazer poses»



Aos interessados :

A última entrevista que o Luiz deu antes de morrer, a 5 de Janeiro, é hoje publicada na Revista Tabu, suplemento do Jornal Sol (mas não comprem) . Comprei , li-a, e fiquei surpreso, algo não batia certo, o Luiz estava muito soft, resolvi ir ao site do Jornal, e reparei que a entrevista tinha sido completamente cortada do original !!! Agora sim, o Luiz como só ele, sem papas na língua, a voz incómoda, o verdadeiro. Podem ler AQUI a versão original !

Reflexão para o fim de semana

Comentário do Dia

(Em resposta à pergunta do post anterior)

"Já soube mas agora não me lembro. Acho que me esqueci. Embora me lembre que já soube, sinceramente não me lembro quando é que se me varreu. Tenho uma vaga ideia que sabia e recordo-me ter lembrado disso um dia em que estava a recordar as memórias que entretanto tinha perdido. E lembro-me que nessa altura ainda me lembrava. Mas são memórias bastante antigas que já devo ter esquecido. Pode ser uma amnésia passageira mas não me lembro de outra vez em que tenha esquecido. Além disso sempre tive dificuldade em decorar números. Se entretanto me lembrar volto cá. Admitindo que não me esqueço."

Por: ikivuku

janeiro 10, 2008

A pergunta:


Qual a distância entre a Memória e o Esquecimento ?

Leituras

"Estava a brincar com o pensamento. Era com o que mais brincava. Não tinha mais ninguém com quem brincar. Brincava a pensar em catástrofes, acidentes, doenças, mortes e outros danos irreparáveis. Então regozijava. Era um consolo que tudo pudesse ser pior, muito pior. Se o apartamento ardesse, por exemplo, na véspera de natal, a árvore podia pegar fogo e tombar por cima dos presentes e eu era o único sobrevivente e era encontrado nos escombros carbonizados da mãe e de Fred e de Boletta e tinha de ficar deitado ligado a uma máquina para respirar durante pelo menos três meses, enquanto dezoito médicos lutavam pela minha vida e pelo que restava de mim, então, a música seria outra. Seria, seria. Então, a maioria das pessoas que tinham feito pouco de mim iam ficar com tantos remorsos que viriam de joelhos pedir perdão, e os jornais iriam estar cheios de artigos sobre a minha sina, livros seriam escritos sobre mim, realizados filmes, quadros pintados e óperas compostas e, na verdade, essa era a única coisa que sonhava: que tudo ia ficar diferente, diferente do que era. Vi-me a andar por aí com a cara queimada enrolada em gaze, só e grandioso. Assim sonhava."

"Meio-Irmão" de Lars Christensen, pág 242

janeiro 09, 2008

Pensamento do Dia

" O que importa é que a mente vá funcionando em todos os segundos da nossa vida. Ao contrário dos telemóveis, que apenas vão funcionando, quando lhes dá na...rede! "

By: Fisolofo Finú

janeiro 08, 2008

Texto VI

Analfabeta-me

Tirem-me o A de todos os Amores vividos e por viver, o B dos beijos, a ver se me importo;

Tirem-me o C da Cama que levam também o C dos Cornos;

Tirem-me o D dos dias felizes ou o E dos Encontros que encontrarei outras formas de enfrentar a vida.

Tirem-me o G de todos os Gostos e eu arranjarei desgostos abençoados;

Tirem-me o H da História que às vezes me enfastia de tanto a saber de cor, o I das Ilusões efémeras, o J de todos os Jogos com falsas terminações e o L da Libido dos sábados à noite e eu terei todos os outros dias da semana.

Tirem-me o M das Melhores sensações que levam também o M dos piores Males.

Tirem-me o N das Noites mais suadas ou o O dos Ódios que nunca guardei para depois e eu suarei durante os dias mais gelados.

Tirem-me o P dos Prazeres benditos e eu converterei os malditos em satisfação.

Tirem-me o Q de todas as Questões impertinentes; o R dos Restos, o S da Sarna que em certos dias arranjo para me coçar.

Tirem-me o T de Todas as Tentações e eu tentarei tornar-me Tentadora.

Tirem-me o U do Último dia que preciso Urgentemente de adiar e o V das Vitórias mal digeridas.

Tirem-me também o X dos Xaropes que não curam e o Z das Zangas que nunca melhoraram.

Porém… deixem-me o F.

Depois de me tirarem todas as letras não poderei mais ser eu. Só me resta pois um grito: Fooooooda-se!!!!!!!!!!

Por: Fausta Paixão

Texto V

Este Galo canta há mais de um século, dizem. Se isto é verdade temos que o silenciar, porque começar a tentar sobrepor-se às nossas tradições e às melhores coisas que conseguimos levar da vida, é um poucochinho exagerado, não? Um prato de bacalhau com batatas regado com azeite galo não se assemelha a uma boa queca, nem por sombras.

A luz arroxeada com pálidas colorações argênteas da cidade, naquela alvorada, levaram-me a sair pelas ruas com o meu pai, num passeio inesquecível, com um amigo que eu sabia que andaria sempre a meu lado. A mão dele no meu ombro, áspera e acolhedora, leva-me a sentir à distância, a espuma das ondas que quebram violentas contra a suavidade das rochas cravadas ao longo das praias portuguesas, onde o sol de inverno, em tonalidades inesquecíveis, me inunda de memórias que não se comparam com nada deste mundo. A poesia sonora da guitarra portuguesa ouve-se ao longe, num gemido esculpido por gigantes abraçando as ruas de Lisboa. Se me sabia bem agora uma alheira ou uma posta de bacalhau? Até que sabia, mas porra!!! Vamos medir bem as nossas prioridades.

Por: Paulo Vinhal

janeiro 06, 2008

Texto IV

Tirem! Tirem! Tirem!

Tirem-me Setembro.
Tirem-me o Salazar e o estado novo e este novíssimo também.
Tirem-me a ditadura e a censura e a emigração para a América.
Tirem-me as alpergatas e as ceroulas e os campeonatos do Benfica.
Tirem-me a guerra de África e a do Iraque e a do Afeganistão.

Tirem-me Outubro.
Tirem-me a cauda da Europa e o corno de África.
Tirem-me as vitórias no atletismo de fundo.
Tirem-me a Amália, o Eusébio e o Pedro Abrunhosa.
Tirem-me a república, a monarquia e a independência.

Tirem-me Novembro.
Tirem-me a revolução e o muro de Berlim.
Tirem-me o folclore, as 770 novas Amálias e o Roberto Leal.
Tirem-me as castanhas e a água pé e a ginginha.
Tirem-me o verão de S. Martinho e o café descafeinado.

Tirem-me Dezembro.
Tirem-me o vinho, tirem-me a carta, tirem-me as próteses.
Tirem-me as couves galegas e o bolo rei com fava e brinde.
Tirem-me as mensagens do Cardeal, o ano novo do Presidente e o Last Christmas dos Wham.
Tirem-me a maior árvore de Natal do mundo e do universo.

Tirem-me Janeiro.
Tirem-me o Escudo invisível.
Tirem-me as tias, Cascais e o IC19.
Tirem-me a casa, o carro e as jóias da família.
Tirem-me o peso, a gordura, o cigarro e a saúde.

Tirem-me Fevereiro.
Tirem-me a máscara e os dias a menos.
Tirem-me a quarentena, o jejum e a indigestão.
Tirem-me a fé, a esperança e a criatividade.
Tirem-me o sono, o sexo, a cama e a mesa.

Tirem-me Março.
Tirem-me o pai, a mãe e a restante família.
Tirem-me uma fotografia para renovar o bilhete de identidade simplex.
Tirem-me o colete salva-vidas e o colete de forças e o colete encarnado.
Tirem-me o pão, a sopa e os convites da autarquia para ir ao teatro.

Tirem-me Abril.
Tirem-me a democracia, o parlamento, a vida e a liberdade.
Tirem-me Fátima, o Fado e o Futebol.
Tirem-me a minha marquise, a minha unhaca do mindinho e a SporTV.
Tirem-me o meu lugar cativo no estádio e o concerto dos três tenores.

Tirem-me Maio.
Tirem-me o emprego, os biscatos ou mesmo o meu posto de técnico de arrumação automóvel.
Tirem-me os sonhos e a gasolina barata e o passe social.
Tirem-me o subsídio de almoço, a bica e os pastéis de nata.
Tirem-me as espigas e as raparigas e o avô cantigas.

Tirem-me Junho.
Tirem-me o Camões e o Fernando Pessoa e os eléctricos de Lisboa.
Tirem-me a Expo, o casino e o parvalhão do futuro.
Tirem-me o Santo António, o S. Pedro, o S. João e a lúcida Lúcia.
Tirem-me as "trivelas", a "sustentabilidade" e o "então é assim".

Tirem-me Julho.
Tirem-me o subsídio de férias e a devolução do IRS.
Tirem-me a tenda vitalícia na Costa da Caparica.
Tirem-me a vocação para a matemática e ciências naturais dos meus filhos.
Tirem-me o passado e o presente deixado no chão pelo cão do vizinho.

Tirem-me tudo, tudo isto, mas não me tirem Agosto.
Que nessa altura estou de férias na pacatez das praias do Algarve, bem untado com protector solar factor 15, óculos de sol e vigilante, "derivado às gaijas boas e aos tsunamis que hádem acontecer".

Por: Lino Centelha

janeiro 03, 2008

Texto III

Tempera-me

Como no anúncio do Azeite Gallo ele dá-me um sabor saudável à vida. Estamos em Portugal e os seus quarenta e muitos encafuaram-no no rol de desempregados. Não vamos ao cinema nem assinamos o Funtastic. Não assistimos a concertos e desde que nos gamaram o auto-rádio que nem uma musiquinha nos anima as voltas de carro. Não compramos lençóis de seda e ainda não trocámos os sofás já coçados pelo tempo e pelas acrobacias dos nossos corpos quando a programação televisiva por mais que se zapping ou tem legendas ou não vale a ponta de um chavelho e optamos por produzir o nosso próprio filme.

Mas quando ele encosta o seu nariz ao meu pescoço e eu faço o mesmo ao dele fico feita azeitona pronta a ser triturada no seu alambique. Aquele cheiro conhecido projecta-me memórias de momentos agradáveis e os efeitos sonoros que a sua língua consegue ao revolver os meus lóbulos das orelhas levam-me as mãos gaiatas a ir directas ao brinquedo com o deslumbramento infantil de quem molda plasticina.

Não acredito no romantismo do amor e uma cabana mas estamos em Portugal e não me elogiando ele as formas por ser cego não é um macho imbecil. Enquanto em vez de me ouvir facilmente me escutar e me contemplar os anseios e manias só lhe digo faz de mim a tua posta de bacalhau e tempera-me.

Por: maria_arvore

Texto II

Descubro Portugal quando recordo a areia das praias da minha infância, quando as palavras que me digo são em português, quando sei que partilho emoções e histórias particulares deste país. Não preciso de visão, audição, de nenhum sentido exterior...só preciso de me sentir a mim para que exista Portugal!

Por: Chloé

Texto I

SENTIDOS

Tira-me o ar aniquilado
desse rosto
em desatino
tira-me a voz desafinadade palavras
sem sentido
tira-me da mão o tacto
de dedos
putrefactos
tira-me os olhos vítreos
do momento inesperado.
Mas não me tireso gosto burilado
da maresia
do meu mar...

Por: Paula Raposo

janeiro 01, 2008

Desafio-te

Inspira-te neste excelente texto do anúncio ao Azeite Galo.

Tirem-me a vista.

Tirem-me para sempre a luz de Lisboa, tirem-me as encostas do Douro, o Tejo e o Alentejo, tirem-me a calçada dos passeios e os azulejos de parede.

Tirem-me o ouvido.

Tirem-me para sempre o choro da guitarra e o pranto do fadista, tirem-me os pregões das mulheres do bulhão e a pronúncia de norte a sul, tirem-me a fúria de espuma das ondas e o grito do golo.

Tirem-me o tacto.

Tirem-me para sempre o sol de Inverno a bater na cara, tirem-me o barro a ganhar forma entre os dedos, tirem-me o rosto queimado da minha mãe e a mão áspera do meu pai.

Tirem-me tudo isto, mas não me tirem o gosto.

Porque se eu ainda for capaz de saborear a alheira a rebentar de sabor, ou o bacalhau com todos a nadar em azeite, serei capaz de dizer, se não me tirarem a fala, que estou em Portugal.

(Claro que este anúncio muito bem conseguido só faz sentido quando aplicado ao Azeite Gallo, e o vídeo do mesmo, chega rápido ao cérebro, e mais rápido ao coração pelos símbolos que contém. Porque todos, ainda, continuamos a querer ver a luz das cidades, ver os rios o mar e as calçadas portuguesas. Continuar a ouvir a guitarra, as pronúncias, o golo, a fúria das ondas e os pregões deste Portugal. Sentir o sol de Inverno e a chuva de Verão na cara, o barro a nascer entre os dedos, sentir sempre o rosto queimado da mãe e a mão áspera do pai. Continuar a saborear a nossa rica gastronomia. E só com todos os sentidos podemos dizer, se não nos tirarem a fala, que estamos em Portugal.)

Textos a enviar para:

dezembro 30, 2007

No prelo

“Factos podem sempre ser alterados ao contar-se uma história. Mas desta vez preciso de ter cuidado, porque não é uma história ficcionada o que vos vou contar. Relatarei os acontecimentos exactamente como os recordo; afinal de contas preciso que acreditem neles, o que já será suficientemente difícil.”

Brevemente nas livrarias!

dezembro 29, 2007

Leituras

"as mulheres só são belas porque têm parecenças com os homens, como os homens são a imagem de deus. não é heresia, pensa bem, se se parecessem mais com cabras do que com homens nem natureza para nós teriam. precisam de nos parecer sem alcançar igualdade, que para isso estamos cá nós. e depois, beleza assim até aumentada, o que lhes tirou deus em préstimo de espírito deu-lhes em curvas e cor, servem perfeitamente para nos multiplicar e muito agradar. mas isso da inteligência é como te disse, cuidado com o que sabem porque acham mais do que sabem. pois a mim bastar-me-ia mulher burra, até calada, pouco fazedora ou aviada, que servisse só para noites de companhia e algum conforto de olhares quando queremos tanto ter cúmplices delicadas em nossa felicidades e tristezas, respondeu o dagoberto."

"estás apaixonada por ele, ermesinda. não, baltazar, só te amo a ti, disse rápida, sem espera. e porque sofres tanto, perguntei. porque me deixou de conversas dom afonso, para que me mantenhas o corpo. mais que me estragues nem viver poderei, e assim tão medonha me tenho que nem reconheço minha antiga vantagem. a minha ermesinda já tinha pé torto virado para dentro, braço que não baixava com mão apontada para céu, outro braço flácido e sem mão a partir de pulso, mais olho esquerdo nenhum, só direito. era como estava..."

valter hugo mãe, o remorso de baltazar serapião, pág: 121, 134
(Um soberbo livro onde o autor numa escrita inovadora, retrata o passado medieval numa linguagem rude do povo, chamando a atenção para a violência doméstica contra as mulheres.)

dezembro 28, 2007

Leituras

"Um homem pode, se tiver a verdadeira sabedoria, gozar o espectáculo inteiro do mundo numa cadeira, sem saber ler, sem falar com alguém, só com o uso dos sentidos e a alma não saber ser triste."

Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego, pág 170

dezembro 27, 2007

Leituras

"A tragédia principal da minha vida é, como todas as tragédias, uma ironia do destino. repugno a vida real como uma condenação; repugno o sonho como uma libertação ignóbil. mas vivo o mais sórdido e o mais quotidiano da vida real; e vivo o mais intenso e o mais constante do sonho. Sou como um escravo que se embebeda à sesta - duas misérias em um corpo só."

Fernando Pessoa, o Livro do Desassossego, pág 180.

dezembro 26, 2007

Dia 2 de Janeiro de 2008

Votos de uma excelente semana de trabalho...

Eu vou ali...e já volto ! (ou talvez não)

dezembro 25, 2007

a quem pertenço ?
a quem me assemelho ?

oco da fala:
por isso escrevo,
especulo,
vazio, seco,
abro janelas e peito...

na folha frágeis sentidos,
descritos,
em vão...

definitivamente,
não acelero,
não paro...

vou passo a passo,
e ultrapasso os percalços,
apontando o futuro,
aceitando o destino...
aceitando-me !
na praça,
a céu aberto,
recolho o alheio,
viajo, mas não transmigro...
Nenhuma liçao a tirar desta viagem,
e de outras...
e de outras...

(sem legenda)

dezembro 23, 2007

Feliz Natal !?

O que vocês querem sei eu !

dezembro 18, 2007

Conselho do Dia

"Se queres manter um vinho com todas as qualidades, nunca o mistures com a realidade."

Via e-mail

Às vezes quando estás zangado com alguém, ajuda sentar e pensar sobre o problema. Geralmente resolve !