"Somos todos farrapos de uma textura tão uniforme e diversa que cada peça, a cada momento, esvoaça como muito bem lhe apraz. E existem tantas diferenças entre nós e nós próprios como entre nós e os outros." (Michel de Montaigne, Essais, Segundo Volume I)
"Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos. Por isso aquele que despreza o ambiente não é o mesmo que dele se alegra ou padece. Na vasta colónia do nosso ser há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente."
(Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)
maio 18, 2008
Treze coisas que eu nunca fui capaz de fazer mas gostava

1. Ser autora dum grande bluff
2. Correr uma maratona
3. Ler a bíblia inteira
4. Levantar cedo sem ser obrigada
5. Fazer uma dieta sem esforço
6. Participar numa sessão espírita
7. Ver um show de strip masculino sem ficar enjoada
8. Comer caracóis
9. Fumar sem ficar a tossir durante meia hora
10. Estudar álgebra e perceber tudo à primeira
11. Perceber o que é um fora de jogo
12. Tocar num réptil
13. Cantar a ária da rainha da noite da Flauta Mágica sem desafinar nem ficar sem fôlego
Desafio aceite por Didas
O que foi visto junto a um muro
Assisti a um episódio esquisito. Estava um homem desarmado frente a quinze homens encostados a um muro. Todos eles armados. Estes quinze homens haviam sido amarrados e assim não conseguiam usar as armas. Estavam armados, mas amarrados. Por isso mesmo tinham medo que o homem desarmado lhes roubasse uma das armas e os fuzilasse, uma a um. A verdade é que o homem desarmado não fez nada disso. Em frente a eles pôs-se, afinal, a dançar. Apenas isto. A dançar. (Gonçalo M. Tavares)
Abismo

Os pensamentos entravam sem cerimónia e procriavam sem parar. Cada pista de raciocínio era severamente analisada como se fosse a chave para compreender a vertigem e o porquê da vertigem e da incapacidade de sentir a vida para além dela. E a vida o que é afinal? Olhou-se mais uma vez ao espelho para se certificar que era um rosto e um corpo e não um novelo emaranhado dentro de si próprio. Um novelo que não tem princípio nem fim...
Tirou o quadro da parede e pô-lo no chão. Vou acabar com a loucura. Subiu para cima da cama e atirou-se para o abismo.
Tirou o quadro da parede e pô-lo no chão. Vou acabar com a loucura. Subiu para cima da cama e atirou-se para o abismo.
Desafio aceite por Vague
maio 16, 2008
Pensamento do Dia
"Cacau, pasta, pastel, massa, arame, couve, taco, cobre, carcanhol, guita, pilim, milho, ferro, narta, graveto, papel, bago, guito, pataco, aço, guilho, cumbu, euro-milhões, etc..."
maio 09, 2008
Até quando falhamos podemos ser melhores
"Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor."
"Primeiro o corpo. Não. Primeiro o lugar. Não. Primeiro ambos. Ora um deles. Ora o outro. Até fartar de um deles e tentar o outro. Até fartar também deste e fartar outra vez de um deles. Assim em diante. Dalgum modo em diante. Até fartar de ambos. Vomitar e partir. Para onde nem um nem outro. Até fartar desse lugar. Vomitar e voltar. Outra vez o corpo. Onde nenhum. Outra vez o lugar. Onde nenhum. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Melhor outra vez. Ou melhor poir. Falhar pior outra vez. Ainda pior outra vez. Até fartar de vez. Vomitar de vez. Partir de vez. Onde nem um nem outro de vez. De vez e tudo."
"Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor."
In: Últimos trabalhos de Samuel Beckett
"Primeiro o corpo. Não. Primeiro o lugar. Não. Primeiro ambos. Ora um deles. Ora o outro. Até fartar de um deles e tentar o outro. Até fartar também deste e fartar outra vez de um deles. Assim em diante. Dalgum modo em diante. Até fartar de ambos. Vomitar e partir. Para onde nem um nem outro. Até fartar desse lugar. Vomitar e voltar. Outra vez o corpo. Onde nenhum. Outra vez o lugar. Onde nenhum. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Melhor outra vez. Ou melhor poir. Falhar pior outra vez. Ainda pior outra vez. Até fartar de vez. Vomitar de vez. Partir de vez. Onde nem um nem outro de vez. De vez e tudo."
"Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor."
In: Últimos trabalhos de Samuel Beckett
maio 08, 2008
O meu primeiro Livro
“Aventuras de Dona Redonda”
(A notícia da passagem no pinhal daquela coisa extraordinária, espalhou-se com incrível rapidez.)
(A notícia da passagem no pinhal daquela coisa extraordinária, espalhou-se com incrível rapidez.)
- Onde está? Para onde vai?
- O que é?
- Dizem que é um automóvel puxado por cavalos com asas.

- Não são asas, são orelhas.
- Não são cavalos, são burros pretos.
- Levam atrás uma teia de aranha de ferro.
- Que disparate! O que levam são duas bicicletas amarradas uma à outra.
- E presas a um tronco.
- E em cima do tronco vai um homem de cara esquisita.
- Quem é o homem?
- É um urso.
- Tu nunca viste um urso.
- Vi, sim senhora.
- Toda a gente viu os ursos que passaram para a feira.
- Mas se é um urso, deve ir preso.
- Porquê?
- Porque os ursos que aqui passam vão presos pelo nariz.
- Olha! Olha! Lá vai a tal coisa.
- Onde? Onde?
- Não ouves o barulho?
- Vamos ver! Vamos ver!
maio 07, 2008
maio 05, 2008
das nossas casas, que por alguma razão se aproximou de nós, alguma coisa ou alguém que não aceita, ou não percebe que morreu. Só não admitimos essas presenças por medo. Não importa onde morreram. Nem sequer onde viveram, é muito mais simples que isso. Limitam-se a ficar perto das coisas que amaram. É o que os conserva cá. Sempre que apagarem as luzes, fiquem atentos aos sons, aos sinais que possam surgir, é natural que vos faça tremer ao passar. Habituem-se ao escuro, é uma outra claridade. Com muita sorte, talvez consigam assistir à vossa própria morte. Friendship
Tem uma perna de pedra. O resto do corpo é normal. Os raciocínios não são afectados. Pensa e fala como os outros. O problema é a movimentação. Para arrastar a perna de pedra não basta a outra perna normal fazer força. São necessários pelo menos dois amigos. Um de cada lado. Alguns dizem que ele tem intencionalmente uma perna de pedra para estar sempre acompanhado por dois amigos. Não sei se é verdade. Se é verdade é bem raro – um sacrifício tão grande por amizade. (Gonçalo M. Tavares)
maio 04, 2008
Everyday democracy index
Frase & Opinião
“Os portugueses vêem como Sócrates se irrita especialmente comigo” Pedro Santana Lopes (SOL)
Ouve lá Santana não leves a mal pá, mas os portugueses só de olharem para ti e para o Sócrates ficam logo irritados muito antes de vocês abrirem a boca !
Ouve lá Santana não leves a mal pá, mas os portugueses só de olharem para ti e para o Sócrates ficam logo irritados muito antes de vocês abrirem a boca !
A pergunta:
Quando as verdades são evidentes e absolutamente contraditórias, o que tens a fazer é mudar de linguagem ?
maio 01, 2008
Nem tudo acaba mal.
A solidão é sempre menos sentida quando a luz do anúncio de néon do prédio em frente se acende e entra através da persiana semi-aberta, da cortina fina quase transparente, acomodando-se na sala, no tecto, no chão. Os objectos, os quadros, as cartas fora da gaveta, os livros, ganham um novo sentido. Dá-nos um novo olhar sobre as coisas quando pelas
paredes escorre a luz espaçada do néon a caminho do chão. Lembro-me que foi numa noite não muito diferente desta, que tudo aconteceu. Os dois deitados no sofá, a luz apagada, a televisão acesa com o som no mínimo, as nossas palavras, os nossos risos. Dizes, vou lá fora comprar cigarros. Eu espero. As horas passam. E tu não voltas, e eu à tua espera. A luz de néon entra na sala. Pensei, não se parte sem dizer que não se volta, parece mal e não é bonito. Mas foi isso mesmo que aconteceu. Nunca mais voltaste. Pensava que a desculpa dos cigarros era só coisa dos homens. Enganei-me. A partir de então, sempre que levava um cigarro aos lábios lembrava-me de ti. Acabei por deixar de fumar. E nunca mais precisei de voltar a usar as bombas de Ventilan.
Obrigado Sara.
paredes escorre a luz espaçada do néon a caminho do chão. Lembro-me que foi numa noite não muito diferente desta, que tudo aconteceu. Os dois deitados no sofá, a luz apagada, a televisão acesa com o som no mínimo, as nossas palavras, os nossos risos. Dizes, vou lá fora comprar cigarros. Eu espero. As horas passam. E tu não voltas, e eu à tua espera. A luz de néon entra na sala. Pensei, não se parte sem dizer que não se volta, parece mal e não é bonito. Mas foi isso mesmo que aconteceu. Nunca mais voltaste. Pensava que a desculpa dos cigarros era só coisa dos homens. Enganei-me. A partir de então, sempre que levava um cigarro aos lábios lembrava-me de ti. Acabei por deixar de fumar. E nunca mais precisei de voltar a usar as bombas de Ventilan.Obrigado Sara.
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