junho 01, 2008

Fake Plastic Women

She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love.

Gela-se a alma enquanto lá fora chove ainda e faz frio, nesta Primavera que não desgruda o Inverno que não se vai e nas montras das lojas, mulheres perfeitas e plásticas, anunciam as roupas da estação nova que ninguém pode vestir.
Gelam-se os abraços frios de mulheres perfeitas, plásticas, de braços sempre abertos e disponíveis para o figurino que a moda quer vestir e em números deprimentes onde só mulheres perfeitas, plásticas, teimam em caber, com sorrisos estáticos e mãos sempre abertas, mas que nessas mulheres perfeitas, plásticas, são apenas mãos sem rasto, sem traço de vida.
Gela-se o interesse das vidas que passam pela montra e olham só o preço das roupas penduradas em mulheres perfeitas, plásticas, ou então já nem chegam sequer a olhar para os braços apenas abertos cheios de coisa nenhuma de manequim de montra sem vida, plástico, perfeito, carregando as roupas novas, deprimentemente decotadas e curtas, da estação que não chega para quem passa vivendo, longe das montras carregadas de perfeição a ganhar pó.
Gela-se…
Desafio aceite por Hipatia

Dia das Crianças...

maio 31, 2008

O final que ninguém viu

Já repararam que a vida não passa apenas de um filme, em que uns vivem plenamente , tal como deve ser vivida, e outros limitam-se simplesmente a viver, porque não têm outra alternativa. Mas todos terminam muito antes de assistir aos créditos finais !

Monotonia Vs Cérebro

"Durante a realização de uma tarefa monótona o cérebro começa a economizar e faz menos esforço para a completar. É nessa altura, de menor atenção, que se cometem erros."

Mas pior do que a monotonia das tarefas, é a monotonia dos dias sempre iguais, aí então o erro é uma constante, a todas as horas, minutos, segundos, o cérebro abranda, abranda, abranda...

Libertar-me-ei

É noite, a ante-sala me sufoca. O cheiro nauseante das úmidas paredes mofadas, me engulham. Sou tomado de calafrios. Frio. Preciso de ar. Preciso da cálida luz da lua. Aberta a porta, titubeio. Não sou livre, não sou senhor de mim. Um títere disforme de um ser humano. Obrigo-me ao primeiro passo. A cidade opressiva, senhora cruel dos destinos, me espera. Libertar-me-ei dos grilhões enferrujados, enfim.
Tragam-me outros.
Desafio aceite por Ricardo Rayol

maio 30, 2008

Uma mosca

Uma mosca na réstia do leite que atapeta o fundo do copo. Deve ter estado ali a noite toda, a debater-se com a morte naquele líquido lençol branco, enquanto eu me debatia com a vida entre os lençóis duma velha cama prisional. Primeiro com dificuldade, que nem os lábios jovialmente frescos duma ruiva com menos dez anos do que eu me despertavam o corpo, e a fálica excitação do meu pénis resumia-se a uma pequena frustração noctívaga. Depois ela cansou-se de tentar e adormeceu.
Uma mosca na réstia do leite que atapeta o fundo do copo. Aproveito o sono daquele anjo sem asas para percorrer a solidão do corredor do estabelecimento prisional abandonado onde, por causa dum erro profissional, passei quase toda a minha vida. Trabalhava para uma seguradora como assassino profissional. Era um trabalho fácil e bem pago: só tinha que dar um tiro de vez em quando em alguém que se preparava para gastar uma pipa de massa ao patrão, fosse numa operação num hospital privado, numa reforma milionária ou noutra merda qualquer.
Uma mosca na réstia do leite que atapeta o fundo do copo. Algumas gotas lácteas mancham os lábios do anjo, agora que volto à cela que já foi minha, e é pela Via Láctea que o anjo me vai levar. Adormeceu de barriga para baixo e o rabo dela é uma maçã à espera do pecado. Penetro-lhe o sono sem ter a certeza se lhe penetro os sonhos, em movimentos tão lentos como os seus bocejos. Ela morde o próprio dedo indicador da mão esquerda.
Uma mosca na réstia do leite que atapeta o fundo do copo. Lembro-me de ter a arma apontada à mulher com quem agora me fundo. Eu tinha vinte anos e ela dez. Ia receber um transplante de coração demasiado caro para a Seguradora. Foi a única vez que falhei. A última também. No momento em que ia premir o gatilho ela olhou na minha direcção e eu tremi. Ela lambia um gelado e mordia o próprio dedo indicador. A bala passou-lhe a dez centímetros da testa e alojou-se no papagaio duma loja de animais.
Uma mosca na réstia do leite que atapeta o fundo do copo. Ainda não me vim mas ela muda de posição. Abre as pernas e pede que eu lha faça um minete. Aliás, ordena-me. Eu faço. Costumo fazer tudo o que ela me pede desde que a conheci nesta prisão onde agora sou um sem abrigo. Talvez deva humedecer os lábios com o que resta do leite, para também ela sentir alguma frescura na língua, mas gosto de ver a mosca a bater-se pela vida naquele branco antro de morte.
Uma mosca na réstia do leite que atapeta o fundo do copo. Também eu sou uma mosca a proteger o que ainda significa vida em mim. No fundo ainda sou um prisioneiro, só que agora sem guardas nem trancas na porta. Apenas com um anjo com uns lábios e um rabo excitantes. O ano passado detectaram-me um tumor no cérebro. Agora ando fugido dos assassinos da seguradora, que me colocou na lista dos segurados a abater. Foi assim que ela apareceu aqui, para me matar. Acabámos por fazer amor.
Desafio aceite por Bagaço amarelo

maio 29, 2008

O amargo da derrota é fel

Vi-o. Mas onde? O intenso desejo de me lembrar, impede de me concentrar. Mas porquê querer lembrar-me, se ao mesmo tempo que essa vontade cresce, cresce também em mim uma angústia que não consigo explicar?
O que foi que aconteceu para que prazer e dor se manifestem em simultâneo. O prazer de descobrir onde foi que o vi, junto com a dor de uma recordação que não consigo visualizar, são sentimentos cruéis. Cru é o penar de uma existência cujo sentido não encontro e que me faz sofrer. O mármore com que a entrada é feita distingue-se do cinzento das pedras que a envolve. As torres cilíndricas fazem lembrar troncos de árvores gigantescas, como punais apontados ao céu, um céu também cinzento. A terra que tudo circunda é negra, como à sua volta um luto infinito se manifestasse. E ao luto associa-se a dor. À dor a perda. Se pudesse entrar talvez encontrasse a explicação deste fel que me vem à boca. Mas por mais que caminhe, sinto que estou sempre à mesma distância, no mesmo lugar. Estou cada vez mais exausto. Quero avançar. Quero chegar junto à entrada. Ela permanece lá, como eu que por mais que ande estou sempre no mesmo lugar. Não conseguimos chegar um perto do outro.
Como é amargo o que sinto. A impotência de alcançar o que quero, por mais esforço que faça, deixa-me esgotado, derrotado. O amargo da derrota é fel!
Não consigo subir a encosta, que não é íngreme. É um obstáculo intransponível. E se gritasse? Alguém me iria ouvir? Tenho a boca seca e a garganta a arder, não consigo articular qualquer som. Sinto os olhos a fecharem-se, tenho dificuldade em abri-los. Quero ver, quero falar, mas não consigo. O corpo dói-me, não sinto as pernas e um pequeno formigueiro assalta as outras partes do meu corpo. Não consigo fazer qualquer movimento. Não vou conseguir chegar!
Ah! Agora me lembro. Foi lá que um dia perdi a capacidade de sonhar.
Desafio aceite por Mário C. N. Martins

O fim do caminho

É o fim do caminho, um longo e penoso caminho, e agora estou só, mas nem sempre foi assim, já tive uma vida, uma família, amigos, já fui criança inocente e rebelde, já fui jovem impetuoso e inconsequente, já fui irmão, pai, tio, já fui amigo, inimigo, ladrão de beijos e sentimentos honestos.. e desonestos, já fui marido, amante, já trai e fui traído, ... porque eu vivi!
Agora estou só... não, não é verdade, comigo estão as recordações, as vivências, as pessoas, os anos bons e os maus, as dores, as ilusões, as paixões, os amores, os desamores, os enganos, as verdades inconsequentes, as mentiras duras, a dor.... Sim, a dor... no fim, resta a dor.. a dor de aquilo que apesar de tudo, podíamos ter vivido e não vivemos.
Resta a solidão...... e os fantasmas que fomos acumulando ao longo do caminho...... e a certeza que ante esta solidão.. não serei o fantasma de ninguém!

Desafio aceite por Jorge Soares

maio 28, 2008

Leituras

Tudo começa numa manhã chuvosa. Uma mulher prepara-se para saltar de uma ponte de Berna. Raimund Gregorius, um banal professor de grego e latim de 57 anos, evita o acto desesperado e fica surpreendido com o som de uma palavra. Português, responde ela, ao ser questionada sobre a língua que fala. Antes de desaparecer da história ainda tem tempo de escrever um número de telefone na testa deste míope professor que descobre, por acaso, um livro de um autor português, Amadeu Inácio de Almeida Prado, intitulado Um Ourives das Palavras. Sem conseguir explicar porquê, entra num comboio para Lisboa...

O que mais surpreende nesta obra é a transcrição de extractos completos de um outro livro dentro da mesma obra. Amadeu Inácio de Almeida Prado, "Um Ourives das Palavras" que Gregorius descobre numa livraria e vai traduzindo o livro à medida que vai aprendendo português, não só consiste em reflexões sobre o sentido da vida e da morte, como provoca uma vontade imensa de descobrir quem é este Amadeu de Prado. Inocentemente estava eu convencido que existia um tal Amadeu de Prado, o que me levou de imediato a pesquisar durante algum (muito) tempo na internet procurando esta obra "Um ourives das palavras" ou procurando um tal de "Amadeu de Prado". A verdade é que não existe nem a obra nem o autor Amadeu de Prado que bem poderia ser um heterónimo de Pessoa, tal a riqueza das frases! E quem leu o "Livro do Desassossego", vai me perceber. (ou não, ou não)

Comboio Nocturno para Lisboa

Em beleza continuando...

Era tão bonita, tão fresca, cheia de jardins, tanto interiores como suspensos, a quem todos admiravam. Tinha toda a natureza a rodeá-la, aproveitando-a até ao mais pequeno pormenor, sorvendo-a em golfadas, vivendo-a plenamente.
Mas a idade nunca perdoa e a vida também não.
Foi deixando, crescer de vez enquanto, algumas ervas daninhas, embora inicialmente as arrancasse, sempre iam deixando raízes que se pegavam com as novas que lhe iam semeando pelo caminho, às vezes até eram pássaros dos mais bonitos que se vinham a transformar em vampiros dos mais negros. Mas continuava, nada deixando transparecer, apesar da Natureza ir dando lugar ao cimento pesado que lhe ia cobrindo a luz do Sol, mostrando-lhe as nuvens pesadas, em que a vida é fértil. Mas as cores foram sempre o seu forte e a beleza ainda ali dominava e se havia poucas horas de sol ou de lua, eram aproveitadas como só elas existissem. Mas os anos continuavam e a vida também, arruinando alguma coisa, quase sempre só a fachada, porque até as ervas daninhas tinha conseguido transformar em beleza.
Mas quem olha de fora só vê ruínas, sem quererem saber do que se passa no interior. Ali estão as duas, a dona e a casa, de pé, agarradas a uma vida que as tenta destruir sem o conseguir. Ali estão as duas dominando a paisagem, em beleza continuando. Até um dia

Desafio aceite por Minucha

Nos caminhos da vida...

Rodando vou pelos caminhos da vida como um transeunte comum aos mortais. Não numa estrada plena e recta como esta em que me apresento, mas sim trilhando por sendas mais ou menos direitas. Sendas com luz, vida, esperança e dedicação, desilusão e ponderação. Não obstante, a Vida é Bela…
A ingenuidade não me toca, apesar da minha beleza, pequenez ou pelo ar inofensivo que apresento, mas pela quitina robusta que me cobre. Sou feliz, cantando, assobiando, subindo e descendo ainda que por vezes abrigada nas asas do condor. O sonho assola-me, deambulo pelas linhas da imaginação, do transcendente e mistificação. Mas é lá que vivo, presa por um fio, tal como uma corda bamba. Balança, balança, que nem uma rockinchair.
Enfim… sonhadora.

Desafio aceite por Joana P. Silva

maio 27, 2008

Azul em descoberta

Pararam os dois a olhar para aquela janela fascinados como crianças gulosas numa casa de brinquedos.
Pequena como se de um sonho se tratasse, rústica como se tivesse proibido o tempo de lhe tocar, adormecida à sombra do colmo seco e escondida naquele azul de um oceano profundo e sem mágoas prendeu-lhes a atenção.
Entreolharam-se e sorriram como se adivinhassem os pensamentos um do outro e pé ante pé, como caçadores furtivos de sonhos, espreitaram por entre a margem aberta da renda gasta…
Conheceram os recantos, como se ali já tivessem estado, adivinharam o espaço como se parte deles fosse e sentados no banco que ladeava a pequena janela sentiram que naquele momento descobriam uma vida incompleta que já tinham vivido mas que lhes dava agora uma oportunidade única de mudarem o final.
Até porque importante não é o eco das tempestades que abafa as vozes, mas sim os sons do reencontro na calma que advêm a esses trovões.
E deixaram-se invadir por esse azul que os transportava para um horizonte longínquo entre o céu e o mar desenhado no verde desse campo em que se (re)descobriram.
Desafio aceite por Carla

Nas asas de um sonho

Tinha as mãos perdidas no ar, que se tornava rarefeito à medida que os minutos dançavam no seu dia.
Lá fora a noite era a escuridão da sua vida, os problemas que deixava quando em bicos de pés sonhava com um outro mundo…aquele que era o seu e não o que lhe impunham.
Aqui, neste palco em que os holofotes brilhavam para si, apagava a mentira dos dias, rabiscava emoções profundas, enfeitava os sonhos de quem a via…
E os seus pés eram asas que a faziam voar em torno de um arco-íris que só ela conseguia inventar, o seu corpo debitava música e ondulava vagabundo, o seu pensamento leve como o ar em que se tornava, o seu sorriso transparente como a água que escorria livre nas mãos que a abraçavam…
…custava-lhe apenas ter de pousar (novamente) os pés no chão!

Dsafio aceite por Carla

maio 26, 2008

O Claustro

As meninas eram pequeninas demais para saber ver as horas, mas conheciam as rotinas de cor. O grupinho saía do refeitório numa barulheira alegre e despreocupada que se ia transformando em silêncio e resignação à medida que se aproximava da Sala do Claustro. Depois do almoço, havia a perpétua certeza da Aula de Religião.
A Sala do Claustro era contígua à capela do Convento do Menino Deus. Era imensa, paralisante de frio e de nada, de um vazio nu que tornava todas ainda mais pequeninas. As meninas trepavam para as cadeiras altas e desconfortáveis e ali se quedavam, as pernas num baloiçar distraído a mais de dois palmos do chão.
Depois, chegava a Irmã Adelaide e dava início à função. Falava de coisas desconhecidas, com nomes impronunciáveis, como redenção, sacramento, liturgia, comunhão, expiação e sacrifício. Falava pausada e monocordicamente, ao mesmo tempo que gesticulava com amplitude, como se discorresse numa palestra na Sorbonne. A Irmã Adelaide não admitia, todas sabiam, interrupções – e nenhuma estava remotamente interessada em desobedecê-la.

A menina sentada na cadeira mais à esquerda, por baixo da grande janela de vitral, iniciada havia muito pouco tempo no fabuloso e apaixonante fenómeno das letras que por sua vez se transformavam em palavras, matutava, aborta, na formação da palavra Eucaristia, conquanto ainda só conhecesse as vogais. Pelo cantinho do olho, apercebeu-se que os caracóis loiros da coleguinha do lado pendiam, lenta mas inexoravelmente, na direcção do sul. Deu-lhe uma cotoveladinha discreta, que provocou uma onda repentina de caracóis a saltar como molas e um esbugalhar agradecido de um par de olhitos verdes.

A Irmã Adelaide lá persistia na sua santa demanda evangelizadora, dissertando alheada e autista, para uma plateia que existia mas que não estava lá, para um conjunto de cadeiras num claustro de pedra absolutamente vazio. As meninas nunca entenderam uma única palavra da Irmã Adelaide. Mas não deve ter tido importância, porque ela nunca se apercebeu disso.
Desafio aceite por F Word

Aos interessados

Para participar no "Novo Desafio" basta que deixes na caixa de comentários um :

"Ó Finúrias quero um convite, pá"

maio 25, 2008

Era uma vez...

O tio Finúrias pediu-me para vos contar uma história. Não sei o que escrever, é que não sei mesmo. Podia contar-vos a história do capuchinho vermelho, mas depois ainda me prendiam porque contar histórias de pedofilia. Sim, porque tudo o que o lobo mau fez foi assediar uma menor e, não conseguindo, virou-se para a avózinha. E depois vinha a ASAE dizer que o lobo mau não tinha condições para comer a avózinha, que tinha que lavar bem as mãos antes de comer, que tinha que usar luvas para manusear os alimentos. Vinha a guarda florestal perguntar se o caçador tinha licença de caça...
Só dificuldades. Podia contar-vos a história da branca de neve. Mas, lá está, vinham logo acusar-me de pornografia. Que fariam sete anões numa casa com uma pobre princesa? Uma orgia, claaaaaro!!!! Podia contar a história do João e da Maria. Olha, essa era gira. Mas depois vinham acusar-me de divulgar maus tratos a crianças. Que contar histórias de uma madrasta que larga as crianças na floresta não é nada didáctico....
Até me lembrei da Bela Adormecida. Mas vinham logo dizer que se picou num fuso, foi droga que lá puseram, falar de droga também não pode ser...

Então digam-me: que história vos conto eu?
Desafio aceite por Mushu

Memórias da minha infância

Ela detestava ter que descer ou subir aquelas escadas, com medo de encontrar os miúdos ciganos que habitavam um dos casebres que as ladeavam. Eles não eram como ela, não reflectiam medo na sua presença, não eram calmos, não seguiam as regras comummente aceites por todos, não deixavam de tocar uma pessoa só porque esta lhes tentava fugir. A rua ao fundo daquela escadaria parecia-lhe tão longínqua em certos dias. E de inverno? 5 e 30 da tarde, já escuro, sem qualquer iluminação pública naquele canto estreito da sua aldeia natal. Evitava lá passar sozinha, mas nem sempre era possível. Desviava o olhar, desejando passar invisível no meio daquelas crianças sujas, mais escuras, no meio dos adultos que lhe dirigiam palavras que ela não queria ouvir, que a aliciavam com brincadeiras e objectos que ela não queria ver. Ansiava por chegar à alfaiataria, alguns metros mais abaixo, onde finalmente teria alguma paz.

Desafio aceite por Pseudo

Um dia voltarei

Não tinha lágrimas quando os meus amigos de infância diziam-me adeus naquele cais de partida. Como eu muitos embarcaram porque o medo, a fome a guerra não tem raça, sexo ou religião. Eles optaram por ficar e olhei pela última vez para o Jacinto, a Joana, o Mekui, o Dalatando, o Caldinho o Zé e tantos outros e numa troca de olhares e num acenar prometemos num silêncio audível: um dia voltarei !

Desafio aceite por Fatyly

maio 23, 2008

Fim de Semana Again !!!

Acabadinho de chegar de um concerto de apresentação do último álbum "Saravá" de Joel Xavier, que para quem não sabe é português e um dos cinco melhores guitarristas do mundo. Aqui vos deixo um sonzinho, mas só porque sou vosso amigo :)


E agora vou ver a minha série preferida, mas não pensem que passa na TV, nada disso, apenas passa no Youtube. Caso não conheçam deixo-vos aqui um Episódio :)

Divirtam-se...

maio 22, 2008

(Uma espécie de desafio)

Possíveis títulos caso o Autor aceite o Desafio: "O Rapto das Gretas Sêcas", "As Gretas vão Prá Praia", "Um Cruzeiro Com As Gretas" ou ainda "E Tudo A Greta Levou"

Pá, Finurias, s'aceitasse o desafio, escolhia o "solo", de caretas, tau! Não escolhia o carrossel, porque chegam as "encavadelas" deste governo para ficar com a cabeça a andar à roda e não escolhia a do poker, porque a combinação gaja/jogo, nunca bate certo e o mais certo era perder a massita toda ao jogo e no fim a gaja bazar. Daí, se aceitasse, mandava-me pró chão... quer dizer... pró solo, práquele solozão cheínho de gretas... sêcas, mas gretas. A questão da seca resolve-se com facilidade. Com as mãos em concha, ou ao bochecho, ao fim de umas 10 viagens à borda d'agua, punha as gretas encharcadinhas e arranjava ali um lamaçal de fazer inveja a muitas discotecas da moda. Bom... a minha escolha não assentaria somente no motivo das gretas solares, a paisagem que envolve as gretas tambem me seduz. Aquele bucolico barco ali especado, de proa virada para nós, como que a desafiar-nos para embarcar com destino a uma viagem onde o rumo fica somente à responsabilidade da imaginação. Depois, tem a cena dos prédios, a recordar que ali, a cidade fica afastada, ou que partiu para parte incerta, tal como Lisboa no tema da 125 azul do Represas. E, tudo o que seja pa bazar da cidade, eu estou nessa. Outro ponto importante que ditaria a minha decisão de aceitar o desafio, é aquele céu carregado de chumbo, oprimente mas em simultâneo redutor da vaidade humana, remissor da ambiência original, capaz de despoletar nos corpos e nos sentidos as suas reminiscências selvagens. Resumindo. Se aceitasse o desafio, arranjava uma licença camarária para montar o carrossel na Expo, metia lá a miúda do poker a vender os bilhetes, carregava o barquinho com um punhado daquelas gretas e zarpava, rumo ao horizonte. OHH YEHA!!!

Desafio ainda não aceite por C. T. Bartolomeu Frederico Bond

ABA - Associação de Bloggers Anónimos

maio 21, 2008

O meu manifesto anti-texto

Para achar os zeros de uma equação do segundo grau, que é como quem diz, há quase sempre duas soluções quando se tem tendência para elevar tudo ao quadrado, basta aplicar a fórmula resolvente. Como sei que a maior parte das pessoas é incrédula no que digo, aqui vai a demonstração :


E cá estão as duas raízes, como queria demonstrar. Ou seja, tanto se pode ser raiz, por exemplo batata ou maçã, em francês, mergulhar no mar e falar inglês em menos de 600 quilómetros de distância como também dá plantar uma flor, ir a um museu capela dos ossos templo diana a mais de cinco horas de viagem. Espero com isto muito ter contribuído para desmistificação do aborrecimento dos números e que os números são monstruosos, uuuuu que medo que maus e feios. As letras sim essas é que são complicadas, cheias de mistérios, entrelinhas, espaços, pontuações e com a forte possibilidade de se transformarem em gregas. A bem do nosso ministério.
Desafio aceite por Mónica Chagall

maio 20, 2008

A vizinha do vizinho

- Grande cabra! – pensava ele enquanto abria a porta de casa, agitado. Tinha visto a vizinha do andar de baixo despedir-se de mais um dos seus namorados à entrada do prédio. Tão agitado estava que se esqueceu de dar um beijinho à esposa e correu à janela para ver se ela, a vizinha, ainda estaria lá em baixo.
- Ainda por cima é um daqueles motards idiotas! Coitado, aposto que também não vai durar muito. – continuava ele a pensar. Tão concentrado estava nos seus pensamentos que nem reparou que a esposa se tinha aproximado e estava também a espreitar à janela. Quando lhe perguntou que estava ele a ver deu um salto, aflito. O rubor atingiu-lhe as faces com a rapidez de uma bofetada. Ela abraçou-o ingenuamente, deu-lhe o habitual beijinho e levou-o para a cozinha onde tinha um lanche à sua espera.
Ele tinha casado cinco anos antes, após três de namoro. As coisas já não era como dantes, pelo menos para ele. E quando mudaram de casa, há cerca de ano e meio, nunca esperara conhecer tão intimamente a vizinha do andar de baixo. Logo após a primeira semana de estadia no novo lar, já andavam enrolados em várias posições e nas várias divisões do apartamento dela.
Passados dois ou três meses, a vizinha diz-lhe que ele deve ter juízo, é casado, e que ela não quer ser uma destruidora de lares. Saiu e bateu com a porta. Pensou que ela se ia arrepender, que iria andar atrás dele a pedir-lhe que voltasse aos seus lençóis. Mas não, a rameira de merda - outra das coisas que agora lhe chamava mentalmente - substituiu-o logo na semana seguinte.
Desde então, o que ele mais gostava de fazer era ler o jornal à janela, ao fim-de-semana. Sobretudo quando sabia que a vizinha também estava à janela dela, mesmo por baixo. Homens! Essa ideia de a ter debaixo dele era como possuí-la. Ficava era danado quando ouvia vozes e se apercebia de que a vizinha estava, afinal, acompanhada...
Desafio aceite por Fábula

TÁXI


A viagem era curta mas não cheguei ao destino !

A memória do tempo


Há muito que arrefeceram as letras. Apagou-as o tempo que passou pelo lado de dentro da porta e desapareceu nas frinchas.
Paradoxalmente desfaço os vestígios materiais e as cartas escaparam-se na intenção, numa dessas escolhas de coisas sem importância.
O que não está escrito não existiu – aprendi na História – por isso não interessa relembrar, reviver, retornar aos lugares do passado, se eles não estão senão na memória das coisas.
Mas as coisas colaram-se a mim.

Desafio aceite por Elipse