
março 15, 2009
Casa de Pedra

A beleza
Numa certa cidade o arco-íris um dia apareceu e nunca mais se foi embora. Durante um ano permaneceu no mesmo sítio do céu. Tornou-se aborrecido.Um dia, finalmente, o arco-íris desapareceu e o céu ficou cinzento escuro por completo. As crianças dessa cidade, excitadas, apontavam para o céu cinzento e gritavam uns para os outros: olha, que bonito! Gonçalo M. Tavares
março 14, 2009
Serviço público
Um espaço para os mais pequenos onde é contada uma história por dia, ou para os mais crescidos, avós (como a Fatyly ) poderem contar aos netos(as)! Confira...Aqui E por falar em pequenos também podem passar pelo Blog Infantil da Mushu
Irma Gruenholz, faz ilustrações com plasticina, que resultam num fantástico trabalho artístico. Como o "pájaros em la cabeza" Explore...Aqui
março 12, 2009
E eu ali tão perto e tão longe...
Estou acordado enquanto todos dormem, e no entanto estou a dormir enquanto escrevo. E como e bebo, e sinto o frio da noite que me entra pela janela meia aberta. E deambulo pela sala, pelo corredor, pelo quarto. Agora estou sentado no cadeirão aos pés da minha cama a ver-me dormir. O meu corpo ali estendido, relaxado, tão calmo e sereno que quase tenho vontade de me deitar a meu lado. A face deitada sobre a palma de uma das mãos, e a outra mão, estendida, caída, sobre o edredon. Aproximo-me do meu rosto para me ver melhor, para me ouvir melhor, gosto desta calma que aparento, mas noto traços de cansaço e olheiras de insónias, e reparo também em cabelos brancos que nunca tinha visto antes, e leves rugas que não julgava ter. O meu rosto esboçou um sorriso, tenho a impressão de estar a sonhar, e parece-me ser um bom sonho, tento entrar mas não consigo, isto de entrar nos nossos sonhos de forma lúcida não é possível. A suavidade da respiração deixa que sinta o bater ritmado do meu coração como se o mesmo estivesse fora do peito, o bater como um relógio em perfeitas condições; tic-tac tic-tac tic-tac, deixa-me relaxado. Volto a sentar-me no cadeirão aos pés da minha cama, a ver-me ali deitado a dormir numa paz absoluta, longe do desejo e do remorso. Conheço-me melhor quando me vejo assim, a dormir. E eu ali tão perto e tão longe...
março 11, 2009
Sinais
Dos melhores 12 minutos que vi nos últimos tempos, e com uma excelente banda sonora! A vida deveria ser assim, uma coisa simples, sem complicações, e de preferência com banda sonora a acompanhar!
março 10, 2009
Recrutameto e selecção
A. Terá que vir preparado para trabalhar arduamente
B. Terá que vir mentalizado para trabalhar domingos e preparado para trabalhar de 7 a 14 horas por dia conforme solicitado pela entidade patronal (horas-extras igual valor).
C. Terá de trazer roupa de cama, caso lhe seja solicitado.
D. Terá que trazer pelo menos 250€ para despesas próprias, e no caso de a entidade patronal não providenciar o alojamento, terá apoio da companhia para alugar casa.
E. É responsável pelo pagamento das suas viagens. (Inglaterra/Holanda)
(E tudo isto para ganhar 1000€ ou pouco mais !!!)
Sem resposta
março 09, 2009
A Beleza
Ele apenas apaixonado pela beleza dela, pelo fulgor da aparência.
Ele pede-a em casamento.
Ela diz: se daqui a seis semanas ainda gostares de mim, caso contigo. Durante essas seis semanas, ela não deixou que ele a visse. Decidida, tomou purgantes e laxantes. Depois vomitou e produziu uma enorme quantidade de fezes. Guardou tudo isto.
Em seis semanas emagreceu 20 quilos.
Finalmente ele e ela reencontram-se. Ele não a conheceu.
- Quem és ?
- Sou a mulher que amavas e a quem pediste em casamento – disse ela.
- Mas o que foi feito da tua beleza?
Ela não respondeu de imediato. Foi buscar os recipientes onde guardava os seus vómitos, fezes e urinas e disse:
- A minha beleza está aqui.
(Gonçalo M. Tavares)
Conheço um casal que era muito feliz, pelo menos era o que aparentava, depois de ela ter emagrecido 30 quilos, divorciaram-se!
março 08, 2009
março 06, 2009
março 05, 2009
tenho dito
março 04, 2009
#16
Sentidos Nostálgicos
Gosto de locais escuros, esconsos, gosto de me enroscar na penumbra, em jeito de clandestinidade, tem cheiro a pecado.
Daqui a pouco chegará a Raquel, de seguida aparecerão o Pedro, o Tiago e por fim o Nuno, depressa a mesa se vai encher de conspirações em que cada um vai delinear estratégias para combater, ideias brilhantes com pouco futuro que nos fazem cintilar os olhos.
É assim todas as semanas, gostamos de pensar que estamos a trabalhar para o bem comum, que naquele café, durante as horas em que nos encontramos e conseguimos debater todos os assuntos que achamos da mais extrema importância, estamos a fazer andar o país.
Agora que estou sozinha, que a Raquel ainda não chegou, que o Pedro está certamente atrasado, que o Tiago vem a caminho, e que o Nuno ainda nem terminou o jantar, sei que esta nossa comunhão não vai ser eterna.
É nesta meia hora que precede as nossas reuniões que me dedico a organizar a cabeça, e sem quaisquer influências externas ouço-me pensar.
Sei que estes nossos encontros não irão durar para sempre, a eternidade não é o lugar para relações como a nossa, certamente terminará quando nos virmos adultos.
Para o Nuno, que gosta de títulos e prefixos, sem que isso envolva trabalho, vai acomodar-se quando o chamarem de Sr. Engenheiro e lhe derem um cargo de Director Geral, embora sem qualquer tipo de poder efectivo. Com a Raquel será a carreira que lhe consumirá as energias, sem necessitar de se envolver em mais deliberações estéreis. O Tiago e o Pedro continuarão a ter aspirações, e embora veja maiores capacidades intelectuais no segundo, sem os apoios do primeiro não conseguirá vingar. Este é um mundo que não se compadece de oratória sem que esta seja acompanhada de números. Eu acabarei por me esgotar com a família, sei-o, não o temo nem me censuro, toquei de perto o poder que seduz, e consegui não me deixar corromper.
A minha meia hora está quase no fim, bebo um pouco do sumo, está ácido, creio que lhe sinto o sabor a saudade.
Por: Gata2000
março 03, 2009
#15
O único movimento que conseguia perceber era o bate-bate da porta velha, de madeira embalada pela corrente de ar. Os vidros pareciam estar quebrados há décadas. Aproximando-me da janela, conseguia alcançar uma sala com uma mesa oval ao centro, um pequeno armário de sala com algumas loiças dentro das suas portas. Havia um sofá, de costas virado para a outra janela, com um naperon. Mas, para além do naperon havia algo, percebia-se uma sombra em contra-luz. Não resisti a empurrar a porta. Movi-me pela curiosidade da sombra. A porta de madeira velha rangia ensurdecedoramente à minha frente, como se apoiasse toneladas de peso sobre as dobradiças enferrujadas. Fez-me temer. Mas entre um suspiro mais fundo e um cerrar de punhos, não perdi a coragem. Entrei e tive uma visão mais ampla da sala. Era maior, mais rica. Contornei a mesa, atentando no soalho rangente debaixo dos pés até alcançar o sofá. Ele estava certamente ali, desde aquele inverno. Tinha pior aspecto. Mas o cabelo era igualmente pouco, branco e sedoso. A paramenta de cardeal estava comida da traça por cima do corpo, muito mais magro. Saí. A porta fechou-se nas minhas costas. Um sorriso irónico espelhou-se-me na cara.
Por: Alma Azul
março 02, 2009
Até já...
é o que a vida nos dá.
Tinhas a chave do mundo
a fechadura, essa,
nunca a encontraste.
Muitas portas abriste,
mas nunca a tua.
Pintaste-nos o vazio
de cores que não imaginas
O zigue-zague da vida
pregou-te muitas partidas
mas no final de contas
fintaste-a com mestria,
pondo-lhe um ponto final
marcando-a com um “Não”.
Hoje és dona da tua razão
deitaste fora a chave
encostaste a porta que não tua,
apagaste a luz,
e encerraste os olhos
onde o sol já brilhou.
Um manto de gente
cobre-te em silêncio
no momento de partir.
É tempo de lamber as lágrimas
é tempo de sarar as feridas.
Hoje, amanhã e sempre,
vou fingir que vais voltar.
Até já...
Até já prima Tila (1959 - 2009)






