junho 07, 2010
junho 01, 2010
maio 31, 2010
maio 17, 2010
Dos livros...
A poesia de Pessoa contém uma característica intrigante, de que se fala muito e que se interroga pouco: o seu poder de captura. Entrar em Pessoa é um perigo: eventualmente não mais de lá se sai. Conheço pessoanos que dedicaram a vida inteira ao estudo da sua obra e nutrem por ela, depois de décadas de convivência íntima e constante, amor e ódio, exasperação, paixão, sufoco, admiração sem fim, e novamente claustrofobia, hostilidade. Nesta gama de mixed feelings, há de tudo: pessoanos que o tratam por tu, como se estivesse vivo e presente em carne e osso, outros que imaginam cenas eróticas com Ofélia como se descrevessem cenas reais, etc., etc. Entraram tão profundamente em Pessoa que se tornaram Pessoa - julgam eles, e têm razão, porque, em parte, o Pessoa deles é aquele em que ele os tornou.
maio 16, 2010
O outro...
Tenho o meu outro Nada, em escuridão há tempo demais.
Apenas não lhe dei ainda luz, porque perdi a palavra-passe !!!
Apenas não lhe dei ainda luz, porque perdi a palavra-passe !!!
maio 15, 2010
Dos livros...
Kumpania Algazarra
Hoje para animar ainda mais a Feira do Livro de Lisboa, apareceu esta bela Kumpania.
Só digo que foi a Algazarra total :)
Só digo que foi a Algazarra total :)
abril 17, 2010
abril 15, 2010
dezembro 22, 2009
novembro 13, 2009
novembro 01, 2009
Olha um pedra !
– Uma teoria acerca da estupidez dos peixes: é por causa da falta de pescoço. Um peixe tem uma memória de 10 segundos. Ele está dentro de um aquário, vê uma daquelas pedras que se põem lá para o fundo e, cada vez que dá uma volta ao aquário e encontra a mesma pedra, fica espantado e exclama: Olha uma pedra! Depois dá mais uma volta ao aquário, passam 10 segundos, ele esquece tudo e quando a pedra de novo lhe aparece à frente, ele espanta-se tal como se espantou da primeira vez e diz: Olha uma pedra.
Gonçalo M. Tavares
Gonçalo M. Tavares
outubro 23, 2009
Caim - 1º parágrafo
"Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de rugidos e mugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sendo consignados um pouco ao acaso os acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela, ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa no género amo-te, eva. Como uma coisa, em princípio, não deveria ir sem a outra, é provável que um outro objectivo do violento empurrão dado pelo senhor às mudas línguas dos seus rebentos fosse pô-las em contacto com os mais profundos interiores do ser corporal, as chamadas incomodidades do ser, para que, no porvir, já com algum conhecimento de causa, pudessem falar da sua escura e labiríntica confusão a cuja janela, a boca, já começavam elas a assomar. Tudo pode ser. Evidentemente, por um escrúpulo de bom artífice que só lhe ficava bem, além de compensar com a devida humildade a anterior negligência, o senhor quis comprovar que o seu erro havia sido corrigido, e assim perguntou a adão, Tu, como te chamas, e o homem respondeu, Sou adão, teu primogénito, senhor. Depois, o criador virou-se para a mulher, E tu, como te chamas tu, Sou eva, senhor, a primeira dama, respondeu ela desnecessariamente, uma vez que não havia outra. Deu-se o senhor por satisfeito, despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, adão disse para eva, Vamos para a cama."
outubro 18, 2009
outubro 11, 2009
O Mundo
Romeu com o seu amigo, os dois a caminharem pela rua. Romeu a sentir-se confiante, arrogante até. Aproximou-se de um caixote do lixo que, por enquanto só tem porcaria lá no fundo, mete e tira a cabeça la de dentro:
- Estou a meter a cabeça dentro do mundo.
- A cabeça dentro da merda - corrige o amigo.
Romeu não ouve.
Inclina-se de novo sobre o caixote do lixo e põe lá dentro a cabeça. Não é tocado nem toca na porcaria mas, durante todo o dia, da sua roupa sairá um cheiro insuportável.
Cheira a mundo, diz Romeu.
Gonçalo M. Tavares
- Estou a meter a cabeça dentro do mundo.
- A cabeça dentro da merda - corrige o amigo.
Romeu não ouve.
Inclina-se de novo sobre o caixote do lixo e põe lá dentro a cabeça. Não é tocado nem toca na porcaria mas, durante todo o dia, da sua roupa sairá um cheiro insuportável.
Cheira a mundo, diz Romeu.
Gonçalo M. Tavares
Assim disse:
"O que acontece quando douramos um cagalhão é que ele não deixa por isso de ser um cagalhão mas, ao mesmo tempo, também já não é um cagalhão de verdade. "
outubro 07, 2009
As flores
As flores cresceram para ela e começaram a morder-lhe os pés. Comeram, com deleite, ambas as pernas dela até aos joelhos. Ela continuou a fumar e a dar risinhos, consequência das cócegas que as flores lhe provocavam. Acabou de fumar, saltou do tronco da árvore para o chão apoiando-se nos cotos ensanguentados e afagou as flores.
- Como é bom estar em harmonia com a natureza - pensou.
By: Conde-Lírios
- Como é bom estar em harmonia com a natureza - pensou.
By: Conde-Lírios
outubro 06, 2009
setembro 16, 2009
24 Horas a Ler
leituras
setembro 04, 2009
agosto 30, 2009
Ontem à noitinha foi assim...
O centro do canto
Numa sala quadrada
o centro pode muito bem ser a um canto
isto é o equilíbrio
na assimetria
mesmo com fugas
o centro pode muito bem ser a um canto
isto é o equilíbrio
na assimetria
mesmo com fugas
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