Durante alguns segundos, daqueles que equivalem a uma eternidade, três pessoas ficaram ali, imóveis e silenciosas. O homem nu, de pé, encostado à parede tentando não tremer nem respirar, transpirava e quase se conseguia ouvir pingas de suor a cair sobre os seus ombros, o seu peito, e no chão. O coração batia descontroladamente. A mulher sentada na cama, expectante, cobriu-se com o lençol naquele gesto involuntário que denuncia o desconforto e olhava para o homem parado junto à porta entreaberta sem qualquer expressão que pudesse traduzir as suas intenções. Uma mosca esvoaçava tentando sair pelos vidros daquele nono andar, batendo neles repetidamente. Até que finalmente, o homem que tinha entrado, exclamou calmamente, como se estivesse a falar para si próprio: - Ora, afinal não está ninguém em casa! – e voltou-se para sair.
O alívio iluminou os rostos dos dois. Mas só até se aperceberem que, ao sair, o outro tinha fechado a porta por fora. À chave. E que a tinha levado consigo.
O alívio iluminou os rostos dos dois. Mas só até se aperceberem que, ao sair, o outro tinha fechado a porta por fora. À chave. E que a tinha levado consigo.
Por: Didas
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