janeiro 31, 2009

Conversas com os meus botões

Uma joalheira de Braga criou uma colecção de jóias com palavras inscritas em braille. A colecção intitulada "porque o amor é cego" teve tanta procura que, em pouco tempo, desapareceram da montra as peças expostas. Não sei se a ideia é original ou foi roubada fora de portas, o importante não é saber isso, o importante é que é original dentro de portas, e em tempos de crise há que ser criativo. Mas não basta ser-se criativo. Antes disso é preciso que se tenha dinheiro, muito dinheiro. Só assim se pode avançar, e então, aí, o sucesso é quase garantido! Admiro gente criativa, e em tempos de crise ainda mais!

Histórias da Crise

"Chega sempre a casa desgastado e sem ânimo. Vale-lhe a imitação de um salário fixo, no final do mês, embora não saiba por quanto tempo mais..." (Continue a ler)

janeiro 29, 2009

Filme do Dia

"Cashback" = "Bem vindos ao Turno da Noite" (as traduções portuguesas dos títulos são sempre uma incógnita...)

Um belíssimo filme, com uma narrativa fantástica !
Cashback é um deleite para a vista, com momentos que apetece escrever. Um filme a rever.

Imagina como seria se pudesses congelar os momentos e vaguear através desses segundos imóveis, apreciando toda a beleza escondida até ao mais ínfimo pormenor ?

Um instante


Um quarto de hotel
Uma cama despida
Uma janela aberta
Uma mulher perdida
Uma noite sombria
Um candeeiro aceso
Uma carta caída
Um sopro de medo
Um instante da vida
Um pedaço de céu
Uma gota de água
Um caminho de areia
Um gosto a nada
Um café fechado
Um cinzeiro de prata
Uma cadeira partida
Uma beata apagada
Uma sombra na rua
Um lenço caído
Um corpo apressado
Um olhar sofrido
Uma hora tardia
Uma ferida aberta
Um olhar de dor
Um tempo que mata
Um adeus sem sentido
Uma hora marcada
Uma história acabada
Um copo de vinho
Um afagar de mágoa
Um espelho partido
Uma foto rasgada
Um corpo caído
Um coração que pára
Uma mão estendida
Uma vida que acaba

janeiro 27, 2009

Oferta

Este desenho intitulado "À espera da morte" foi desenhado e oferecido pela minha amiga Duda, uma artista de mão cheia. Assim as paredes do Ministério ganham mais Vida, não acham ?

Obrigado Duda
Hoje, amanheceu já um dia cinza, a chuva miudinha não voltou , o vento gelado de ontem não soprou, e o sol nem sequer se atreveu a espreitar. Rapidamente, uma nuvem negra cobriu a cidade, não deixando espaço para a luz cinza do dia. Por mais que eu quisesse misturar cores neste dia cinzento, nunca conseguiria estar perto da perfeição, das cores do pôr-do-sol de ontem. Os dias cinzentos não são bonitos, são nostálgicos. Mas é nestes dias assim, que fico contente, por saber, que não tenho ninguém a quem oferecer, um dia sem cores!

janeiro 26, 2009

O Prémio

Tudo começou pela mão da criadora do Prémio bloguístico "Deste, gosto mesmo" , depois foi só escolher os 15 de que se gosta mesmo, e lançar a corrente neste mar imenso que é a blogosfera! E agora vejo-me apanhado nas suaves redes da Maria e da Hipatia como um dos 15 nomeados !!! Obrigado meninas.

(Já sei que vou ter de lhes preparar um Jantar...só de Avental, pois !)

Outra Merda Qualquer
Ervilhas Albinas
Palavras em Linha
Não Compreendo as Mulheres
Chez 03
Filmes com Legendas
Crónicas dos pequenos delitos
Voz em Fuga

mais, e mais e mais...
Hoje, debaixo de chuva miudinha e de um vento gelado, vi um pôr-do-sol raro, tão raro que contado ninguém acredita. As cores eram tão únicas que nem existem, não acredito ser possível estar mais perto da perfeição. Nestes dias, gostava de ter a quem oferecer um... pôr-do-sol.

janeiro 25, 2009

Memórias (das boas)

O Desafio

Anda por aí um Desafio a correr os Blogues, que consiste em que o desafiado faça: “ uma lista com 8 sonhos que gostaria de ver concretizados” , ainda bem que não fui desafiado, é que não gosto mesmo nada de sonhar acordado !

janeiro 22, 2009

Sobre Fernando Pessoa(s)

Era um homem que sabia idiomas e fazia versos. Ganhou o pão e o vinho pondo palavras no lugar de palavras, fez versos como os versos se fazem, como se fosse a primeira vez. Começou por se chamar Fernando, pessoa como toda a gente. Um dia lembrou-se de anunciar o aparecimento iminente de um super-Camões, um camões muito maior que o antigo, mas, sendo uma pessoa conhecidamente discreta, que soía andar pelos Douradores de gabardina clara, gravata de lacinho e chapéu sem plumas, não disse que o super-Camões era ele próprio. Afinal, um super-Camões não vai além de ser um camões maior, e ele estava de reserva para ser Fernando Pessoas, fenómeno nunca visto antes em Portugal. Naturalmente, a sua vida era feita de dias, e dos dias sabemos nós que são iguais mas não se repetem, por isso não surpreende que em um desses, ao passar Fernando diante de um espelho, nele tivesse percebido, de relance, outra pessoa. Pensou que havia sido mais uma ilusão de óptica, das que sempre estão a acontecer sem que lhes prestemos atenção, ou que o último copo de aguardente lhe assentara mal no fígado e na cabeça, mas, à cautela, deu um passo atrás para confirmar se, como é voz corrente, os espelhos não se enganam quando mostram. Pelo menos este tinha-se enganado: havia um homem a olhar de dentro do espelho, e esse homem não era Fernando Pessoa. Era até um pouco mais baixo, tinha a cara a puxar para o moreno, toda ela rapada. Com um movimento inconsciente, Fernando levou a mão ao lábio superior, depois respirou fundo com infantil alívio, o bigode estava lá. Muita coisa se pode esperar de figuras que apareçam nos espelhos, menos que falem. E porque estes, Fernando e a imagem que não era a sua, não iriam ficar ali eternamente a olhar-se, Fernando Pessoa disse: “Chamo-me Ricardo Reis”. O outro sorriu, assentiu com a cabeça e desapareceu. Durante um momento, o espelho ficou vazio, nu, mas logo a seguir outra imagem surgiu, a de um homem magro, pálido, com aspecto de quem não vai ter muita vida para viver. A Fernando pareceu-lhe que este deveria ter sido o primeiro, porém não fez qualquer comentário, só disse: “Chamo-me Alberto Caeiro”. O outro não sorriu, acenou apenas, frouxamente, concordando, e foi-se embora. Fernando Pessoa deixou-se ficar à espera, sempre tinha ouvido dizer que não há duas sem três. A terceira figura tardou uns segundos, era um homem daqueles que exibem saúde para dar e vender, com o ar inconfundível de engenheiro diplomado em Inglaterra. Fernando disse: “Chamo-me Álvaro de Campos”, mas desta vez não esperou que a imagem desaparecesse do espelho, afastou-se ele, provavelmente tinha-se cansado de ter sido tantos em tão pouco tempo. Nessa noite, madrugada alta, Fernando Pessoa acordou a pensar se o tal Álvaro de Campos teria ficado no espelho. Levantou-se, e o que estava lá era a sua própria cara. Disse então: “Chamo-me Bernardo Soares”, e voltou para a cama. Foi depois destes nomes e alguns mais que Fernando achou que era hora de ser também ele ridículo e escreveu as cartas de amor mais ridículas do mundo. Quando já ia muito adiantado nos trabalhos de tradução e poesia, morreu. Os amigos diziam-lhe que tinha um grande futuro na sua frente, mas ele não deve ter acreditado, tanto assim que decidiu morrer injustamente na flor da idade, aos 47 anos, imagine-se. Um momento antes de acabar pediu que lhe dessem os óculos: “Dá-me os óculos” foram as suas últimas e formais palavras. Até hoje nunca ninguém se interessou por saber para que os queria ele, assim se vêm ignorando ou desprezando as últimas vontades dos moribundos, mas parece bastante plausível que a sua intenção fosse olhar-se num espelho para saber quem finalmente lá estava. Não lhe deu tempo a parca. Aliás, nem espelho havia no quarto. Este Fernando Pessoa nunca chegou a ter verdadeiramente a certeza de quem era, mas por causa dessa dúvida é que nós vamos conseguindo saber um pouco mais quem somos.

By: José Saramago

janeiro 21, 2009

Castanhas "frescas" para todo o Ano

Hoje apeteceu-me, mas frescas, nem vê-las! Por isso comprei-as congeladas, deixei que descongelassem no frigorífico, depois coloquei-as num tacho, cobri com Óleo de Soja e levei ao lume, adicionei meio cálice de Vinho do Porto, três paus de Canela e um pouco de Flor de Sal. Poucos minutos depois estavam prontas. Deixei arrefecer e mudei-as para um tupperwer, cobertas com a calda da cozedura, e guardei no frigorífico. Assim tenho castanhas conservadas para muito tempo, ah pois é !

O tempo não tem tempo !

Parece que fiquei preso ali no Domingo! Passou a Segunda sem que me apercebesse, hoje já é Terça (reparei há pouco quando fui há consulta), amanhã já é Quarta e eu sem saber o que fazer ou dizer ! Bem, parece que hoje já é Quarta, já passam vinte e sete minutos!!! Entretanto entra a Quinta (sem que eu me aperceba) tal como aconteceu com a Segunda ! Depois pergunto-me: “Já é Sexta e ainda não disse nem fiz nada!” . Acordo num Sábado e vou por aí...preparo um jantar , convido uma amiga, e acabo por comer sozinho (a comida, não a amiga, ou vice-versa, não a comida comer-me a mim, a amiga...esqueçam esta parte). Nem sempre as amigas estão disponíveis, umas é por causa dos namorados , outras por causa dos maridos, e outras porque têm coisas já combinadas há muito, desculpas. Vejo uns filmes até o sono chegar, e quando acordar, é Domingo novamente. Mas este Domingo vai ser diferente, porque: “faço tenção de todas as coisas mais belas que um homem pode fazer na vida.” Uma delas é: Dormir.

janeiro 16, 2009

The Movie



"O curioso caso de Benjamin Button" é sem dúvida um filme sobre o tempo, o tempo; esse companheiro de uma vida inteira, e o impacto desse mesmo tempo nas nossas vidas, um impacto que nem sempre nos apercebemos. O tempo a que tudo obriga.

Mark Twain disse: «a vida seria infinitamente mais feliz se nascêssemos com 80 anos e nos aproximássemos gradualmente dos 18» . Sinceramente não me parece que ficasse mais feliz se assim fosse! É estranhíssima esta frase! A verdade é que o princípio e o fim está lá.

Bem, não me vou pôr aqui a falar sobre as várias (muitas, muitas) reflexões que o filme nos oferece. É uma grande obra de Fincher e um não menos rico argumento que nos toca de Eric Roth. Excelentes interpretações de Pitt e Blanchet, uma soberba caracterização e magnífica fotografia. Pronto, eu calo-me , não digo mais nada!

P.S- Aproveitem este fim de semana e não percam este filme!

janeiro 13, 2009

O Factor "Cunha"

A “cunha” é aceitável quando beneficia alguém competente e da confiança de quem o/a contrata, ou é sempre uma forma de descriminação?

Não me sinto nada bem em ser chamado para uma entrevista por mão do Sr. “Cunha”. Lamento ter de recorrer à cunha, pois muitos profissionais com mais habilitações, experiência e criatividade acabaram por ficar para trás. Acredito que fui chamado não pelo meu curriculum que sei ser fraco, mas sim pela forte “cunha”. Não quero com isto dizer que já esteja contratado, não, é apenas uma entrevista, mas mesmo assim...

Não adianta ser politicamente correcto, a cunha é muitas vezes um factor determinante para arranjar emprego, todos nós sabemos isso lamentavelmente. Mas a cunha também não invalida que a pessoa tenha competência!

Perante este factor, fico apreensivo em relação às minhas reais capacidades, conhecimento, criatividade e experiência profissional! Pergunto-me agora se a oportunidade me for dada; se serei realmente capaz, se os meus conhecimentos são os melhores, pois ainda não conheço os meus limites (Se é que alguma pessoa conhece o seu limite !?) . Durante a vida vamos caminhando e conhecendo melhor o nosso”eu” e neste último emprego descobri, que decididamente não funciono em absoluto sob pressão, e com silêncio e alguma liberdade sou capaz de belos feitos. (vaidades à parte)

A ver vamos !

A Solidão em Perspectiva

"É exactamente porque não há solidão que dizes que há solidão. Imagina que eras o único homem no universo. Imagina que nascias de uma árvore, ou antes, porque eu quero pôr a hipótese de que não há árvores, nem astros, nem nada com que te confrontes: supõe que o universo é só o vazio e que tu nascias no meio desse vazio, sem nada para te confrontares. Como dizeres «eu estou sozinho»? Para pensares em «eu» e em «sozinho» tinhas de pensar em «tu» e em «companhia». Só há solidão «porque» vivemos com os outros..."

Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar'

Qual a tua perspectiva da Solidão ?

janeiro 10, 2009

Neve na Póvoa

Estava de máquina fotográfica em punho pronto a disparar mal a neve começasse a cair, uma vez que não caiu, não trago fotos para vos mostrar !!!

janeiro 09, 2009

Prepara-te

"Sem Calças 2009 Lisboa"



Dia 10 de Janeiro, às 15h00
Jardim de Telheiras, ao lado do metro.

Para mais detalhes basta clikar...Aqui

Venham, não tenham medo (nem frio)

Mergulhem comigo neste mar revolto da Póvoa

janeiro 08, 2009

O Elixir

O que eu queria mesmo era o outro elixir, o da juventude. Mas como ainda não inventaram, acabei por encomendar quatro embalagens...deste.

Espero que resulte! (a quadruplicar)

janeiro 07, 2009

#3 Citações de Bloggers

“Adeus, sempre foi uma palavra grande demais para mim; encerra o mundo todo e toda a vida.” Por Marta

“A única certeza permitida, é não ter a certeza de coisa nenhuma.” Por Torquato

“Quando fui gaja, só me interessavam gajos românticos que calçassem sapatos de verniz azuis.” Por maria _arvore

“Esperar que o tempo passe é uma arte. A mais difícil.” Por Palavras Ermas

“Olha, olha outra vez, outra ainda...verás que, aos poucos, começas a ver.” Por Tinta permanente

“Decidi que o amor não existe. Aliás, decidi que ainda bem que não existe. Só aquilo que não existe é que se pode inventar, e assim posso inventá-lo todos os dias.” Por Bagaço amarelo

janeiro 06, 2009

Dias frios

Os dias frios fazem com que as Praças pareçam mais bonitas, e as ruas mais limpas, esta é a imagem que retenho na minha retina fria. Pessoas agasalhadas nos sobretudos, nos gorros, cachecóis e luvas, passam rapidamente de um lado para o outro em frente onde estou sempre sentado nestes dias frios, no meu banco de jardim. Gosto deste retrato, desta gente apressada a fugir do frio como se os seus corpos fossem congelar de um momento para o outro, ou como se o frio de repente se transformasse em lâminas soltas para lhes cortar a pele. (também gosto do gelo e do vermelho-sangue, mas isso é outro tema). Pessoas que só não trazem a mantinha pelas costas porque pode parecer mal. Mal sabe esta gente que o frio faz bem à pele, da mesma forma que os banhos frios o fazem, evitam rugas. A cada dia que passa a temperatura desce mais um pouco, sabe sempre bem levar com esta brisa fria quase a gelar os ossos...desperta-nos. Gosto do frio e isso inspira-me!

O Inverno tal como gosto dele, frio.

janeiro 05, 2009

janeiro 03, 2009

Ora porra !!

Não vir aqui é como estar fora das minhas quatro paredes (mais tarde explicarei) . Parece que o PC deu o peido, de repente ficou super lento fora e dentro da net. Nem o media player tem som, desapareceu, mas ainda tive tempo de escrever isto, letra a letra, ao fim de meia-hora esta espécie de post ficou pronto! Eu vi logo que com o Natal e a Passagem de Ano não vinha coisa boa por aí!

janeiro 01, 2009

Más entradas!

E assim entro com o pé esquerdo neste primeiro dia de 2009. Desempregado. Não, não fui despedido. Despedi-me por falta de condições. Agora é tempo de descansar um pouco a cabeça e o corpo, e repor as energias, para voltar a procurar outra coisa qualquer...algures!